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1 de julho de 2022

Preço ao produtor (IPA) desacelera, o que é um bom sinal para o consumidor adiante. Mas incerteza ainda pode jogar contra

ECONOMIA
Fonte: FGV IBRE | Foto de capa: Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

IPA - Entre economistas, é comum a expressão de que a inflação medida entre produtores é grávida da inflação ao consumidor. 

Se a primeira registra queda, a segunda tende a se parecer com a mãe adiante.  Seguindo essa letra à risca, a manutenção da desaceleração mensal do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrada em junho – de alta de 0,3% contra 0,45% em maio – reforça a esperança de que um alívio para o bolso do consumidor está próximo de acontecer.  “Se a história terminasse aqui, poderíamos fazer coro com presidente do Banco Central, de que o pior da inflação já passou. Mas não é só isso”, diz André Braz, coordenador do Índice de Preços do FGV IBRE. Ele alerta que a incerteza ainda é alta, e que o IPA é muito sensível a variações cambiais, o que pode mudar o curso dessa história a qualquer momento. “As incertezas que temos são as mesmas do primeiro trimestre: Covid na Ásia, guerra na Ucrânia, acrescidas de alta de juros nos Estados Unidos e eleições no Brasil. Nesse ambiente, fica difícil apostar que o IPA de fato se manterá no caminho de desaceleração que vem registrando há alguns meses por mais algum tempo”, alerta.

Braz avalia que em julho e agosto ainda é possível vislumbrar uma trilha aberta para essa desaceleração. “Nesse período, considero que o Índice Geral de Preços (IGP-M) continuará desacelerando na medição de 12 meses. A partir de setembro, entretanto, a situação se complica, até por conta de resultados do ano passado”, afirma, citando que nesse mês o IGP-M registrou variação negativa (-0,64%), recuperada em outubro, com variação quase nula em novembro (0,2%). “Aí dependerá do cenário mais próximo da eleição, que costuma ser de maior volatilidade mesmo.”

Nos resultados de junho do IPA, apenas o segmento de bens intermediários registrou variação maior que a observada em maio, com 0,58% contra 0,51%, respectivamente. Braz indica que isso se deve ao peso do diesel dentro desse indicador, de quase 4%. E ressalta que a contribuição do último reajuste, realizado, em 17 de junho, não foi completamente captada neste mês, devendo influenciar também o resultado de julho.  Ainda assim, a manutenção da trajetória de desaceleração do IPA tem se refletido no humor da indústria, que no curto prazo tem se mantido otimista, como mostrou a Sondagem deste mês.  “A indústria tem vivido uma pesada estrutura de custos que já vem de muito tempo. E que se mantém assim quando observamos a permanência da pressão de insumos como o diesel, que penaliza essa atividade, encarecendo o frete – que afeta o preço dos insumos que compra, e do produto que irá vender.” O que também colaborou para o espalhamento inflação, lembra Braz.

Evolução do IPA

(% ante o mês anterior)

 

IPA – variação por segmento

Quando observado por origem, Braz destaca que recuo de 0,61% nos produtos agropecuários do IPA reflete efeitos sazonais que já estão chegando no varejo. Entre as principais retrações de preço observada no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de junho estão cenoura (-33,36% em relação a maio), tomate (-10,84%) e batata inglesa (-8,3). “Nesse setor, o que tem oferecido alguma trégua são alimentos in natura, que entram em fase de oferta mais forte no inverno. Mas esse resultado não significa que o problema da inflação de alimentos já se resolveu”, afirma. “São quedas intensas, devolvendo parte da alta acumulada verão, período em que o clima não ajuda a cultura. Mas os alimentos industrializados – que são aqueles que têm preço mais persistente, subindo e caindo mais lentamente –, ainda continuam com inflação acumulada muito alta”, diz Braz, citando carnes, derivados do trigo, que sofrem com os efeitos da guerra da Rússia contra a Ucrânia. E laticínios em geral, influenciados pela alta do preço do leite. Na versão in natura, o leite subiu 4,4% no IPA em relação a maio, e no IPC registrou alta de 6,13, na apresentação longa vida. 

Por ser temporária, essa trégua não deverá aliviar a inflação dos alimentos em 2022 como um todo, diz Braz. O que penaliza especialmente as famílias mais pobres, para as quais esse grupo de produtos representa 22% do total da cesta de consumo – perdendo apenas para habitação, com 33,5% –, contra 16% entre as famílias mais ricas, como mostra a análise da inflação por faixa de renda familiar). Em transportes, que para as famílias do primeiro decil de renda representa 9% do consumo, a boa notícia, ainda que transitória, é a decisão de muitos governos de subsidiar o preço do transporte urbano para conter o impacto de um repasse de aumentos como o do diesel.  “Com isso, os governos tentam evitar uma sobrecarga para a população que teria dificuldade de comprar uma passagem no patamar que o reajuste seria necessário, já que o diesel representa, em média, 30% do preço da passagem e já acumula alta de quase 70%. Mas acho que esse subsídio se sustenta só até as eleições”, afirma Braz. No caso da habitação, outro item de peso na cesta das famílias em geral, depois da descompressão observada em abril e maio com o fim da bandeira de escassez hídrica, a conta de luz voltará a subir, com a aprovação pela Aneel dos reajustes tarifários nos estados – que somente em São Paulo representa um aumento médio de 12,04%.  

“Por enquanto, especialmente para as famílias de baixa renda, a onda de melhora ainda é de curto prazo. Alimentação continuará no radar de preocupação. Há alguma chance de se manter a desaceleração de preços? Sim. Mas a incerteza ainda é grande e não se pode cantar o jogo como ganho”, conclui.

IPC – resultados por grupos

(% ante o mês anterior)

 

Acesse aqui a matéria na íntegra

 

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