Franceses preferem aplicar recursos em saúde, alimentação e TI no Brasil
Investimentos/França - Os setores preferidos pelos franceses para a realização de investimento no Brasil são saúde e farmácia, agroalimentação e tecnologia e informação, segundo pesquisa realizada pela Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP). Essas áreas foram escolhidas por 30%, 16% e 13% dos empresários consultados, respectivamente.
Na quarta posição, apareceu o setor de energia e meio ambiente, mencionado por 11% dos executivos associados à câmara francesa que participaram do levantamento.
A liderança do setor de saúde e farmácia está relacionada ao "alto potencial" francês e à carência brasileira pelo investimento nessa área, disse Sueli Lartigue, diretora executiva da CCIFB-SP .
A ausência do ramo de infraestrutura, onde está concentrada boa parte das concessões planejadas pelo governo federal, não assustou os especialistas consultados pelo DCI.
Segundo Lartigue, o país europeu tem "equipes com potencial e tecnologia", no Brasil, para participar desses leilões. Prova disso seria a companhia francesa Vinci Airports, que venceu o certame pelo aeroporto de Salvador no mês passado.
Já Frederico Turolla, sócio da Pezco Economics, afirmou que as concessões relacionadas ao setor de energia e meio ambiente devem contar com participação importante dos franceses. Ele disse também que existem boas oportunidades no ramo de saúde, como parcerias público-privadas (PPPs) por facilities de hospitais.
O especialista indicou que os setores preferidos pelos franceses não refletem uma tendência mundial. "Se a pesquisa fosse feita em toda a Europa, também teríamos os ramos automobilístico e químico entre as primeiras posições", exemplificou.
Entraves
Os executivos franceses também listaram as principais dificuldades que encontram ao investir no Brasil.
No topo da lista, apareceram assuntos regulatórios e burocracia, ambos escolhidos por 22% dos entrevistados. Em seguida, apareceram o sistema tributário (17,1%), a abertura de conta bancária (16,6%), a precificação de produtos (16%) e a retirada de visto (6,3%).
"As principais prejudicadas por esses desafios são as empresas de pequeno e médio porte", disse Lartigue. Isso porque essas companhias teriam menor experiência com o funcionamento da economia brasileira, além de possuir menos recursos para se adequar à realidade do País
As firmas maiores, por outro lado, já estão acostumadas a essas dificuldades daqui, afirmou a entrevistada. De acordo com ela, cerca de 600 empresas francesas operam no Brasil, empregando aproximadamente 500 mil funcionários.
Mesmo com os entraves, a especialista disse que a procura dos empresários do país europeu pela câmara dobrou no primeiro trimestre deste ano. Esse aumento de interesse pelo Brasil estaria ligado à perspectiva de um cenário econômico melhor durante os próximos meses.
Outro resultado da pesquisa da CCIFB-SP mostrou as principais demandas dos executivos na câmara: fusão e aquisição, informações sobre distribuidores e importadores e dados mercadológicos.
Aportes em alta
No primeiro bimestre deste ano, US$ 506 milhões foram investidos pelos franceses em participação no capital de empresas brasileiras. Mesmo com o câmbio menos favorável em 2017, a quantia representa um aumento de 108% na comparação com os dois primeiros meses de 2016. Os dados são parte do relatório de setor externo, do Banco Central (BC).
Com o avanço, a França subiu da sétima para a quinta posição entre os países que realizaram mais aportes desse tipo no Brasil. Entre os europeus, só ficou atrás da Holanda, que ocupou a segunda colocação no primeiro bimestre deste ano (US$ 1,685 bilhão). Por outro lado, os franceses superaram os alemães (US$ 67 milhões), principal economia do continente.
Sobre o futuro da relação entre Brasil e França, Turolla destacou o impacto positivo que viria do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Com a conclusão do tratado- que pode acontecer até o final ano que vem -, o fluxo de aportes entre os países poderia aumentar.
O investimento brasileiro em participação no capital francês foi bastante tímido nos primeiros meses deste ano, totalizando US$ 1 milhão no período, mesma quantia registrada no ano passado.
















