O que observar durante a preparação para a 9ª Cúpula do BRICS em Xiamen
BRICS - Em menos de quatro meses, os líderes dos cinco países do BRICS se reunirão na encantadora cidade de Xiamen, na província de Fujian. Será o ápice de um ano que presenciou um grau sem precedentes de ativismo diplomático chinês, desde o Fórum Belt and Road, realizado em Pequim neste mês de maio até uma agitação de atividades intra-BRICS, incluindo questões como a cibersegurança, o G20 e fortalecimento do intercâmbio entre pessoas.
Quais são as principais dinâmicas que moldarão a cúpula?
Em primeiro lugar, está cada vez mais evidente que, devido à crescente assimetria de poder dentro do grupo, os BRICS devem ser entendidos como um elemento dentre um esforço chinês muito mais amplo para remodelar os assuntos globais. Isso não significa que a diplomacia chinesa não dê prioridade ao grupo - muito pelo contrário: o Ministério das Relações Exteriores de Pequim escolhe cuidadosamente seus diplomatas afixados nas capitais dos países BRICS e podemos esperar que a 9ª cúpula atenda plenamente a Xi Jinping e à máquina de propaganda do país. Enquanto a Índia e a Rússia continuam articulando novas ideias sobre o que fazer com o grupo BRICS, as preferências de Pequim estão se tornando cada vez mais importantes. Isso aponta para a necessidade maior de outros membros, como o Brasil, trabalharem juntos com Deli ou a África do Sul ao articularem propostas.
Uma maior influência chinesa será ampliada este ano pelo fato de que o anfitrião da cúpula goza, por definição, de maior liberdade para articular a narrativa do grupo durante a presidência de um ano. Nesta fase, a principal prioridade da política externa da China é consolidar e fundamentar suas ambições de liderança regional, por isso pode-se esperar que a presidência do BRICS e a cúpula de Xiamen sejam usadas com este objetivo em mente. Especificamente, isso significa que a China provavelmente dará especial ênfase ao chamado processo de divulgação, iniciado pelo governo sul-africano durante a Cúpula de 2013, quando Pretória convidou os países da região a participarem em partes da cúpula.
Pequim deve levar este processo mais adiante, e alguns sugeriram em particular o interesse da China em convidar a Indonésia para o clube. Isso se encaixaria perfeitamente na narrativa de Pequim de que sua ascensão é inclusiva, participativa e, acima de tudo, boa para a Ásia como um todo.
Os outros membros devem ser cautelosos em tal passo, pois poderia diluir o estatuto de membro do grupo BRICS. Contudo, pode-se também argumentar que a inclusão da Indonésia poderia, em teoria, aumentar a legitimidade do grupo para participação do processo de definição da agenda global. Afinal, a Indonésia é o país muçulmano mais populoso do mundo e, certamente, um poder crescente a ser contado nas próximas décadas. Também pode ajudar os membros do BRICS, a não ser a China, a estabelecerem laços mais institucionalizados com uma nação que permanece em grande parte fora do radar nos ministérios estrangeiros em Moscou, Brasília e Pretória.
Qualquer tipo de expansão empoderaria debates sobre outros candidatos, tais como a Turquia, uma nação que está claramente passando por uma reorientação estratégica, acima de tudo afastada da Europa. No entanto, Ankara traria várias complexidades para o grupo que a Rússia em particular não gostaria, afinal, Ancara é um membro da OTAN.
Tanto o Brasil quanto a África do Sul enfrentam crises internas de tal intensidade que sua capacidade de trazer novas ideias sobre o futuro do grupo está em baixa histórica. De fato, a situação no Brasil está tão incerta que só se pode esperar que os desenvolvimentos internos não impeçam o presidente do Brasil - Temer ou quem o suceder se ele renunciar - de participar da próxima cúpula.
















