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Globalização E Mercosul Selectus nº 5319

Como a Europa vê o fracasso do acordo UE-Mercosul?

Mercosul x UE – Para os europeus a grande incógnita é se as diferenças com o Mercosul podem ser resolvidas nos próximos meses. A Comissão Europeia (CE) sabe que a margem de negociação para concluir o acordo é pequena.

Fonte: TodoElCampo – Tradução livre: Terra Viva

O Mercosul esperava finalizar 2017 com acordos claros e definidos com a União Europeia (UE). Tudo parecia que seria resolvido depois de 20 anos de estagnação nas negociações e com uma América Latina renovada e um Mercosul com uma composição mais moderna do que alguns anos atrás, mas, não foi. Pelo lado do Mercosul o fracasso das negociações representou um duro golpe ao progresso econômico da região. Seguramente, no Uruguai não faltaram os que ficaram aferrados a posições isoladas, contribuindo para a frustração. Mas, como é vista a situação do lado da UE? O bloco europeu precisa tanto quanto o Mercosul de concluir esse acordo. Os jornalistas Lucía Abellán e Ignacio Fariza escreveram no El País de Madri que depois do fracasso nas negociações, a Europa espera que um acordo entre ambos os blocos seja fechado em 2018. Não é apenas o Mercosul que procura avançar nesse sentido, mas também o velho continente. “A UE resiste a acordos comerciais com a América Latina”, afirmam Abellán e Fariza. “A Europa quis aproveitar o vazio” que deixou o “protecionismo de Donald Trump” e a meta estabelecida era 31 de dezembro, “data limite para assinar” acordos com o Japão, México e Mercosul. Mas, somente conseguiram com o Japão e o México. O Mercosul apresentou dificuldades de diferentes matizes: “O México fechará o acordo, provavelmente, nos próximos meses” e o Mercosul “tem um futuro muito mais incerto”, afirmam.

O curioso é que o Mercosul “reúne todas as condições para comercialização sem barreiras com a Europa”, e ainda assim, o acordo não é concluído. Com 260 milhões de consumidores, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai se “transformam no quinto maior mercado mundial, segundo dados da CE”. Além disso, “os vínculos culturais são estreitos e a associação sul-americana nunca assinou acordos comerciais com outros parceiros. Inaugurar acordos favoráveis outorgaria uma enorme vantagem para as empresas da UE”. Apesar disso o diálogo UE-Mercosul se torna conflituoso. São quase 20 anos de fracassos. Em dezembro Buenos Aires foi o lugar escolhido para avançar nas negociações, e a oportunidade de acordo parecia sobre a mesa. Mas, Como em tantas ocasiões, desde 1999, não se conseguiu. Apesar de tudo, Bruxelas insiste em que nunca a assinatura este tão perto”, escreveram os jornalistas de El País.

Discrepância sensíveis

“Pelo lado europeu, a França e a Irlanda pressionam para limitar a cota de exportações (o acordo não contempla livre comércio absoluto) de carne bovina, que é muito competitiva nos países do Mercosul. Com a bandeira protecionista da Europa, o presidente francês, Emmanuel Macron, levantou o debate sobre o assunto nas reuniões de chefes de Estado e de governo da UE em duas ocasiões, desde que ganhou as eleições. Embora ele não tenha pedido uma revisão das negociações, as dúvidas francesas atrasaram o processo. Macron tenta apresentar medidas para conter os excessos da globalização, bandeira que foi capitalizada por sua rival, Marine Le Pen”, diz o artigo.

“Pelo lado latino-americano, os detalhes estão mais nos serviços. Bruxelas está disposta a aumentar a cota de carne bovina do Mercosul para mais de 70.000 toneladas ao ano, que foi a última oferta, mas, somente em troca do que mais interessa aos países comunitários: acesso aos serviços e às contratações públicas na América Latina. São mais de 60.000 empresas que poderão se beneficiar dessa maior abertura. E aí o Mercosul tem dificuldades para ceder”, acrescenta.

A grande incógnita

“A grande incógnita é se as diferenças poderão ser sanadas nos próximos meses. A CE sabe que a margem para concluir o tratado é pequena. O Brasil terá eleições em 2018 e logo não poderá se comprometer com nada. Na cabeça dos negociadores, março é a linha vermelha imaginária para assinatura do acordo. Mas, até o momento, não existem rodadas de negociações agendadas”. Um dado revelador é que para cada um bilhão de exportações permitem manter 14.000 postos de trabalho. “Mas, além das implicações econômicas, fracassar com o Mercosul significa voltar a ter um debate comercial com viés político. Depois de abandonar o ambicioso pacto com os Estados Unidos – impraticável com Trump no poder – e as enormes dificuldades para levar adiante o acordo com o Canadá em alguns parlamentos da UE, o Mercosul é o próximo desafio de livre comércio para o Velho Continente”.

Crescem as exportações do México para a UE

Distinto perfil tem o acordo com o México que “parece ao alcance da mão”. É que o México tem necessidade de buscar alternativas aos Estados Unidos cuja política comercial mudou com Trump no governo. O comércio mexicano depende quase que 80% dos Estados Unidos. E este é o momento de fazer acordos com outros blocos ou países. As exportações mexicanas para a UE tiveram um crescimento explosivo. “Nos primeiros 10 meses de 2017 foram registrados incrementos de dois dígitos em comparação com o mesmo período do ano anterior. O atual tratado comercial, vigente desde o ano 2000, facilitou o comércio, retirando ou reduzindo as tarifas e simplificando procedimentos alfandegários. Mas, o fator de maior crescimento foi o desenvolvimento do setor automotivo mexicano – o sétimo maior do mundo – e sua complementaridade com a poderosa indústria automobilísticas alemã”. Mas, o México também pretende aprofundar as exportações agrícolas cujos produtos são “altamente aceitos nos principais países europeus”, conclui.

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