Carrefour e Pão de Açúcar investem R$ 3,4 bi em 2018
Investimentos - Carrefour e Pão de Açúcar investem R$ 3,4 bi em 2018 Carrefour e Grupo Pão de Açúcar (GPA), os dois maiores grupos varejistas do país, devem investir R$ 3,4 bilhões neste ano na área alimentar - sendo cerca de R$ 1,8 bilhão pelo Carrefour e R$ 1,6 bilhão pelo GPA.
A operação de "atacarejo" das duas companhias receberá a maior parte dos recursos. Estão previstos 20 novos pontos da rede Assaí, do GPA, e 20 do Atacadão, cadeia do rival. Será o maior volume de aberturas de lojas desse segmento na história das empresas. Os investimentos totais estimados pelo Carrefour estão no mesmo patamar dos realizados em 2017, enquanto no GPA, representam aumento de 18% sobre o ano anterior. Os dados do Carrefour foram apresentados em relatório de resultados na noite de terça-feira, o que permite a comparação. O Valor apurou que pouco menos de R$ 1,5 bilhão da soma estimada pelo Carrefour - entre 70% a 80% do total - deve ser aplicado no Atacadão, responsável por 65% da receita anual do grupo. Em 2017, o Atacadão recebeu investimentos de R$ 1,1 bilhão, segundo fonte. O Assaí não informa dados de investimento, mas a rede deve absorver a maior parte do volume anual do GPA. Para se ter uma ideia do caixa das empresas, fundamental para esses projetos, ao fim de 2017, o Carrefour tinha R$ 4,8 bilhões em saldo de caixa e o GPA, R$ 3,8 bilhões. Ontem, o comando do Carrefour no Brasil comentou em teleconferência o balanço de 2017. Enquanto a empresa expandiu o lucro, o seu concorrente parou de perder. O Carrefour lucrou R$ 1,7 bilhão no ano passado, alta de 26% - maior lucro da história do grupo no Brasil. No GPA, o ganho foi de R$ 865 milhões em 2017, versus prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2016, provavelmente entre os maiores já apurados. De outubro a dezembro, o lucro do Carrefour subiu 9%, para R$ 633 milhões. No GPA, a perda de R$ 29 milhões virou ganho de R$ 408 milhões no quarto trimestre do ano passado. Ontem, numa análise dos desempenhos das companhias para clientes, o banco Brasil Plural ressaltou a tendência de recuperação de desempenho mais visível no GPA. O Carrefour não publica o lucro líquido de cada um de seus negócios, mas abriu o lucro antes de despesas financeiras e impostos de 2016 e 2017. No Atacadão, o número pulou de R$ 1,48 bilhão para R$ 2,3 bilhão - o Assaí, do GPA, teve lucro líquido de R$ 540 milhões no ano passado, alta de 91%. Nos supermercados e hipermercados do Carrefour, o ganho encolheu 34%, para R$ 389 milhões em 2017. No GPA esse negócio saiu do vermelho - a perda de R$ 415 milhões virou saldo positivo de R$ 33 milhões em 2017. A direção do Carrefour destacou a expectativa de uma menor pressão da deflação nos números de 2018 - a queda de preços tem afetado duramente a receita de vendas das varejistas. "[A variação de preços] volta ao positivo no final do segundo trimestre, num quadro diferente do que temos visto [...]. Prevemos uma inflação de 4% ao fim de 2018", disse Noël Prioux, presidente do grupo no Brasil. A interrupção da queda de preços é fundamental nos resultados - a rentabilidade dos supermercados e hipermercados da empresa tem sido afetada pela deflação de alimentos e pelo aumento de custos passados (como o reajuste salarial dos comerciários). "Percebemos que era preciso tomar medidas no segundo semestre para equilibrar essa equação e custos foram sendo reduzidos, inclusive em lojas", disse a analistas Sébastien Durchon, diretor vice-presidente de finanças do Carrefour.
Questionado sobre a notícia de que representantes do grupo sondaram o Casino (controlador do GPA) para uma fusão dos negócios globais, Prioux não se manifestou. "Não comentamos boatos, ainda mais se saem na véspera da divulgação de resultados." No mundo, o Carrefour informou ontem prejuízo de EUR 531 milhões em 2017, ante um lucro líquido de EUR 746 milhões de 2016. O resultado foi particularmente afetado pela perda de EUR 1,3 bilhão em encargos não-recorrentes.
















