Países africanos firmam acordo para criar zona de livre comércio
África – Quarenta e quatro países africanos firmaram nesta quarta-feira, em Ruanda, um acordo para criar uma zona de livre comércio continental (Zlec), considerada essencial para o desenvolvimento econômico da África, já que aumentaria o comércio dentro do próprio continente.
A criação desta Zlec, que seria possivelmente a maior do mundo se foi levado em conta o número de países, ocorre depois de dois anos de negociações. É um dos projetos chave da União Africana (UA) para reforçar a integração do continente. “O acordo para criar a Zlec foi firmado por 44 países”, disse o presidente da Comissão da UA, Musa Faki, depois do encontro da organização em Kigali. Os pesos pesados do continente, como África do Sul, Marrocos, Egito, Quênia, ou a protecionista Argélia, assinaram o acordo, que entrará em vigor no prazo de 180 dias, depois de ser ratificado a nível nacional pelos países membros. A Nigéria, uma das grandes economias do continente, foi o grande ausente do pacto, apesar de ter coordenado as negociações com o Egito. “Alguns países têm reservas, e não terminaram as consultas a nível nacional. Mas, será realizada um outro encontro na Mauritânia em julho e esperamos que os países ausentes firmem o acordo”, disse o Comissário de Comércio e Indústria da UA, Albert Muchanga.
Uma Nova etapa
Segundo dados da organização, a eliminação progressiva de barreiras alfandegárias entre os membros da zona favorecerá o comércio dentro do continente, e permitirá aos países africanos ficarem livres de um sistema econômico sustentado na exploração de matérias-primas. A UA estima que a Zlec aumentará em quase 60% o nível do comércio dentro do continente até 2022, longe dos 16% atuais.
Se os 55 países membros da UA assinarem o documento, a Zlec abrirá o acesso a um mercado de 1,2 bilhões de pessoas, que acumulam um PIB de mais de 2.500 bilhões de dólares.
Seus defensores estimam que contribuirá para a diversificação das economias africanas e a industrialização do continente, além de oferecer uma plataforma única para negociar melhores acordos comerciais com o exterior. Este acordo “marca uma nova etapa em nosso caminho em direção à maior integração e mais unidade”, falou Faki no início do encontro. Mas não é todo mundo que tem esse otimismo. Os setores críticos do projeto destaca a péssima qualidade das infraestruturas de transporte e a falta de complementaridade entre as economias africanas, um freio para o desenvolvimento do comércio intra africano.
Para Sola Afolabi, um consultor nigeriano de comércio internacional, o fracasso, segundo ele, de zonas comerciais regionais, como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), é um alerta a ser levado em consideração.
A Zlec é um dos projetos chaves que a UA destaca em sua Agenda 2063, um programa de desenvolvimento de longo prazo que prevê facilitar os fluxos de mercadorias e de pessoas no continente.
















