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Globalização E Mercosul Selectus nº 5383

EUA – O protecionismo comercial não melhorará a falta de competitividade norte-americana

Competitividade/EUA – A mesquinhez do protecionismo comercial, expressa nas recentes medidas adotadas pelos Estados Unidos, revela sua impotência para melhorar a competitividade ao nível mundial, dizem especialistas, depois que o Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR, sua sigla em inglês) publicou – apesar da forte oposição da China e grupos empresariais dos Estados Unidos – uma lista de produtos chineses sujeitos a tarifas alfandegárias adicionais de 25%.

Fonte: âmbito.com – Tradução livre: Terra Viva

A lista, que abrange aproximadamente 1.300 produtos importados da China, foi elaborada com base na denominada Seção 301 sobre pressupostas utilizações de propriedade intelectual e transferência de tecnologia, a partir de uma investigação apresentada pela administração de Trump em agosto de 2017. A restrição das medidas adotadas pelos Estados Unidos se concentra, principalmente, nas indústrias de tecnologias, aeroespacial, tecnologia da informação e de comunicação, robótica e máquinas, citando como desculpa o plano “Made in China” 2025, que tem como objetivo modernizar o setor manufatureiro do país.

Mas, especialistas detectaram que o déficit comercial dos Estados Unidos com a China deve ser atribuído, no longo prazo, ao controle discriminatório da exportação para a China, assim como o controle sobre as exportações de alta tecnologia. O déficit comercial da China com os Estados Unidos diminuiria entre 24 e 34% se Washington liberasse suas exportações para a China no mesmo nível que mantém com o Brasil e com a França, diz um boletim publicado pela Fundação Carnegie para a Paz Mundial. “Como conhecemos atualmente, na cadeia de suprimento global, a China ocupa um lugar de destaque em alguns setores manufatureiros avançados, e é muito difícil encontrar alternativa no curto prazo”, assegurou Yukon Huang, pesquisador da Fundação Carnegie para a Paz Mundial.

“Dentro deste contexto, as empresas norte-americanas terão de pagar custos adicionais para os produtos fabricados na China e terão que transferir esse gasto para os consumidores”, disse Huang, também ex-diretor do Banco Mundial na China, acrescentando que “a população norte-americana será a verdadeira vítima, já que seus empregos e poder de compra serão afetados”.

Uma tarifa de 25% sobre produtos e peças chinesas de tecnologia da informação e comunicação poderá desacelerar – em uma década – o crescimento da produção avaliado em US$ 332 bilhões, estimou a Fundação de Inovação dos Estados Unidos (ITIF, por sua sigla em inglês).

Como resultado da decisão, os Estados Unidos sofrerão menor investimento em tecnologia da informação e comunicação, menor criatividade, diminuição da produtividade e debilidade competitiva, devido a que os produtos tecnológicos constituem um fator chave para o crescimento da produtividade dos produtos básicos e das indústrias de serviços, alerta o boletim.

Não existe motivo para culpar a transferência de tecnologia já que a cooperação comercial funcionava por consenso. “Estamos em um processo de aprendizagem conjunta”, disse Jochem Heizmann, executivo da divisão de operações da Volkswagen da China ao New York Times, acerca da transferência de tecnologia dentro da indústria chinesa de automóveis e energias alternativas. “O processo é muito mais rápido do qu que estamos acostumados”, disse. A dilapidada cooperação entre a China e os Estados Unidos no setor aeroespacial pode ser uma lição para os Estados Unidos. Os departamentos governamentais do país se opuseram à cooperação bilateral diante do temor de que a proximidade permitisse a fuga de tecnologia de ponta e, em consequência, a obtenção de vantagens tecnológicas, especialmente no segmento militar, disse o professor Joan Johnson-Freese, especialista em assuntos de segurança nacional da Escolah da Marinha de Guerra dos Estados Unidos. O setor comercial prevê uma cooperação mais próxima com a China, com base na ideia de que desta maneira podem aprender mais sobre as tecnologias chinesas avançadas e contribuir para a exploração do espaço exterior através de um modelo de cooperação internacional que seja em benefício da humanidade, disse o professor. Os responsáveis pela tomada de decisões conservadoras finalmente ganharam o debate, recusando a possiblidade de estreirar a cooperação bilateral neste âmbito, lembrou Johnson-Freese. A tecnologia aeroespacial chinesa, especialmente a comunicação quântica, avança em ritmo acelerado, superando as expectativas dos Estados Unidos. “O próximo passo seria os Estados Unidos reforçar sua cooperação com a China, mas, já foi perdido um tempo precioso”, conclui Johnson-Freese.   

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