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Negócios Selectus nº 5456

Terceira geração tenta dar ‘banho de marketing’ na Letti

Letti - Fundada há mais de 70 anos, a fazenda do interior de São Paulo da qual saem os produtos que levam a marca Letti está prestes a dar os primeiros passos para deixar de ser principalmente uma fornecedora de leite a granel para entrar em um segmento que é considerado butique no setor de laticínios: a venda no varejo de leite fresco e de origem garantida.

Fonte: Newtrade

Tudo graças à terceira geração da família, que está chegando agora ao negócio.
As irmãs Taís e Diana Jank, de 26 e 23 anos, deverão lançar no mês de agosto a primeira fase de um projeto para dar um “banho de marketing” no negócio familiar. Hoje, a venda de leite cru a terceiros da fazenda Agrindus, no município de Descalvado, a cerca de 260 km da capital paulista, domina mais dois terços dos 60 mil litros de leite ao dia produzidos na propriedade.


Terceira geração tenta dar ‘banho de marketing’ na Letti

As irmãs, depois de experimentarem a vida profissional fora do negócio familiar – Taís é advogada e Diana, publicitária – vão começar a trabalhar para mudar essa realidade. O primeiro passo, contam, será resgatar o incentivo ao consumo de leite fresco, de qualidade, com o selo da fazenda dos Jank. Para isso, lançarão no mês que vem um site de e-commerce para derivados de laticínios, que será batizado Mania de Leite. “É o nosso primeiro passo, a primeira fase do projeto. Pensamos como uma startup, mas vamos dar um passo de cada vez”, define Taís.
O Mania de Leite vai distribuir os produtos Letti – leite fresco, iogurtes, creme de leite e queijo – com foco inicial na cidade de São Paulo. A ideia das empreendedoras é que cada consumidor defina uma periodicidade para o recebimento dos produtos, que chegarão na data combinada. “É um site para quem gosta de leite e para quem quer saber a origem do produto que está tomando”, explica Diana.
Filhas do pecuarista Roberto Jank, que continua a participar do negócio, as herdeiras têm outros projetos na manga. Um deles é a mudança da embalagem e do rótulo de todos os produtos. Como o orçamento da “virada” da Letti é limitado, isso será feito em um segundo momento. Diana, porém, já decidiu usar a garrafa plástica como um instrumento de marketing. “A nova garrafa pet será transparente, porque queremos mostrar o produto”, conta. “E todos os itens – garrafa, tampa e rótulo – serão 100% recicláveis.”
Entraves. Na opinião do consultor do setor de alimentos e bebidas Adalberto Viviani, no entanto, a opção pelo e-commerce tem mais chance de dar certo do ponto de vista de marketing, para que o produto possa fazer frente às suas principais concorrentes atuais, a Da Fazenda e a Xandô, do que de negócio. Ele lembra que um movimento de entrega de leite em casa – capitaneado pela indústria de embalagens de vidro – não conseguiu ir adiante.
De acordo com Viviani, a dificuldade de vender este tipo de produto de porta em porta é algo difícil de se levar a cabo em São Paulo. “Como as pessoas geralmente moram em edifícios, o entregador tem de vencer a portaria e depois ser atendido pelo morador”, explica Viviani. “Muitas vezes, o morador chega sempre de carro e nem passa pela portaria social. Então, o produto corre o risco de ser esquecido por quem comprou.”

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