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Especiais Selectus nº 5624

Os índices FAO dos preços dos alimentos ficaram estabilizados em março

Índice FAO Alimentos – O Índice FAO dos preços dos alimentos ficou estável em março. A elevação dos lácteos foi compensada com a queda nas cotações dos cereais, óleos vegetais e açúcar, de acordo com o relatório publicado hoje pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Fonte: FAO – Tradução livre: www.terraviva.com.br

O Índice, que mede a variação mensal das cotações internacionais de uma cesta de alimentos, ficou em 167 pontos em março de 2019, caindo 2 pontos em relação a fevereiro e 3,6% em relação ao nível registrado em março de 2018.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) também publicou os novos números relativos à produção e aos estoques mundiais de cereais, apresentando revisões para mais, em decorrência dos resultados do recenseamento agrícola feito pela China em 2017.

O Índice FAO dos lácteos aumentaram 6,2%, e o índice de carnes, 0,4%.

Em compensação, o Índice FAO de óleos vegetais caiu 4,4%, em decorrência da queda na demanda por óleo de palma, e do aumento da produção de óleo de soja nos Estados Unidos e dos estoques de canola no Canadá.

O Índice FAO dos cereais também teve queda de 2,2% durante o mês de março, principalmente em decorrência dos preços do trigo e do milho, dois produtos que estão com a oferta para exportação abundante e as perspectivas de colheita são favoráveis nos principais países produtores. Os preços internacionais do arroz tiveram ligeiro aumento. O índice FAO do açúcar, por sua vez, caiu 2,1% diante da produção nos principais países produtores estar sendo maiores do que o previsto. As últimas estimativas indicam que na Índia haverá aumento de 8%, de outubro de 2018 a janeiro de 2019, estando a um passo de destronar o Brasil como o maior produtor mundial de açúcar.

Os índices FAO dos preços dos alimentos ficaram estabilizados em março

Os mercados mundiais de cereais estão bem equilibrados

O Relatório da FAO sobre a oferta e demanda de cereais, também publicado hoje, apresentam estimativas de forte elevação da produção, a utilização dos estoques de cereais no mundo, acompanhando os novos dados informados pela China para o período 2007-2017.

Levando em conta essas revisões a produção mundial de cereais está, atualmente, estimada em 2.655 milhões de toneladas, segundo a FAO. O novo número é 46 milhões de toneladas a mais em relação às estimativas de março, mas, representam um recuo de 1,8% na comparação anula.

As previsões da FAO relativas ao consumo mundial de cereais em 2018-2019 também foram revistas para mais, e atingiram 2.683 milhões de toneladas. O consumo mundial de trigo deverá atingir o nível recorde de 748 milhões de toneladas. A utilização mundial de arroz ficará estável em 511 milhões de toneladas e a do milho chegará a 1.425 milhões de toneladas.

As novas estimativas da FAO relativas aos estoques mundiais de cereais para a campanha que termina em 2019 foram elevadas em 11%, ou 849 milhões de toneladas a mais, em decorrência da revisão dos estoques na China.

Ainda assim, haverá queda de 2,9% nos estoques de passagens dos cereais, e a relação estoque/consumo ficará em 20,7% na temporada 2018-2019, contra a taxa de 32,6% registrada em 2017-2018.

Os estoques mundiais de arroz deverão atingir o nível recorde de 181 milhões de toneladas, em decorrência dos ajustes feitos pela China, mas, também, diante da perspectiva de haver uma colheita excepcional na Índia em relação a 2018, que foi impulsionada pelas compras governamentais do país.

O comércio mundial de cereais em 2018-2019 deverá registra aumento de 2,2% em relação ao período precedente.

As previsões da FAO em relação ao trigo em 2019 continuam inalteradas em relação às previsões do mês passado, permanecendo em 757 milhões de toneladas, ou seja, alta de 4% em relação a 2018, em decorrência, principalmente, da previsão de produção da União Europeia, Rússia e Ucrânia.

Os novos dados do recenseamento agrícola 2017 na China

Em outubro, o Escritório Nacional de Estatísticas da China publicou revisões oficiais das estimativas da produção histórica de trigo, milho, arroz e muitos outros alimentos, a partir do recenseamento agrícola de 2017 que permitiu chegar a dados mais precisos em relação às superfícies plantadas, e à produtividade.

Os novos números encontrados pelo recenseamento de 2017 mostram que a produção total de cereais em 11 anos (2007-2017), foi 312 milhões de toneladas superiores aos relatórios divulgados anteriormente. Mais de 80% dos ajustes correspondem à produção de milho.

A ausência de revisões oficiais de dados em relação à utilização dos estoques de cereais na China, representa um desafio, que resultou em uma profunda alteração no balanço dos cereais, e das estimativas de consumo de alimentos do país. O trabalho de revisão foi realizado pela FAO, pelo Sistema de Informação dos Mercados Agrícolas (AMIS) do G10, em colaboração com a Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS) e de especialistas de outros organismos governamentais e do setor privado.

O resultado levou a FAO a rever as previsões relativas ao consumo de cereais forrageiros na China em 2018-2019, que passaram de 182 milhões para 194 milhões de toneladas. Os estoques também foram reavaliados para cima em 78 milhões de toneladas, atingindo 422 milhões de toneladas. O milho representou a maior parte das alterações.

Estabelecer dados coerentes requer um processo complexo, e que significa que os balanços de oferta e demanda de cereais na China continuarão sendo observados de perto e precisem evoluir ainda mais.

Os índices FAO dos preços dos alimentos ficaram estabilizados em março

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