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Especiais Selectus nº 5644

Setor lácteo defende melhor qualidade da merenda escolar

Leite/Paraguai – Na sexta-feira, 3 de maio, foi lançada a merenda escolar “copo de leite” na escola San Isidro Labrador de San Lorenzo, que conta com 300 alunos. Participaram do ato a diretora da instituição de ensino, Gloria Beatríz Colmán, o Governador do Departamento Central, Hugo Javier, e o presidente da Capainlac, Erno Becker.

Fonte: La Nacion – Tradução livre: Terra Viva

Com este lançamento, quase 200.000 crianças estão recebendo sua porção diária de merenda escolar no Departamento Central. O diretor da Câmara Paraguaia de Lácteos (Capainlac), Erno Becker, destacou a gestão do Governador Hugo Javier no momento das negociações e compromisso. “Está fazendo sua parte, é um governador que pensa na gente”. Becker destacou que o trabalho é do setor lácteo nacional, e envolve todas as indústrias no programa.

Dificuldades nas licitações

O representante dos empresários leiteiros menciona que a grande dificuldade no programa “Copo de leite” está na proposta de agregar banana ao kit. Ao aprovar a inclusão de banana, todas as licitações posteriores foram negadas.

“Esperamos que a banana traga benefícios, mas, é um produto que, em condições naturais, é inviável para complemento de merenda escolar”, explica o diretor. Lembrando que a entrega é feita uma vez por mês, não tendo como entregar bananas, pois, elas vão estragar. “O projeto não foi bem elaborado”, pois aumenta os custos do governo para entregar merendas, e não chega a todas as crianças do país.

A Câmara Paraguai de Lácteos questiona a viabilidade da proposta da banana, porque sustentam que deve ser “priorizando o interesse, as necessidades da criança, e sua educação”, mais do que interesses econômicos.

Proteger a indústria nacional

Por outro lado, existe uma crescente preocupação no setor leiteiro, que é a saturação do mercado nacional por produtos lácteos. Esta situação se agrava com a entrada de produtos argentinos, o que poderá obrigar os produtos de leite do Paraguai a abaixarem os preços. Atualmente, não se exporta nenhum produto lácteo do Paraguai para a Argentina por restrições sanitárias. Mas, o Governo decidiu comprar leite argentino e seus derivados a baixo custo, aproveitando a crise econômica.

A Capainlac propõe uma negociação justa: “Se mandam 1 quilo de queijo ao Paraguai, então mandamos 1 quilo de queijo para a Argentina”, propõe Becker, pedindo para que esse pedido seja transformado em um projeto no Congresso.

Em relação à superprodução, as indústrias de laticínios se vêm obrigadas a transformar os excedentes nas plantas de leite em pó como “La Holanda”, em Campo Nueve, e “Chortitzer”, no Chaco. O leite que sobrevive aos longos trechos de Itapúa, é processado e exportado a um preço muito baixo na forma de leite em pó. “A perda é de 30% sobre o preço do leite. Mas, não temos alternativa”, lamenta o diretor.

“Seria lamentável (baixar os preços), porque o setor lácteo paraguaio tem o orgulho de manter em seu segmento os pequenos produtores. Ainda que uma família tenha somente uma ou duas vacas, está tudo organizado em pequena escala para a economia familiar”, acrescenta o diretor da Capainlac.

Erno Becker é presidente da Capainlac há dez anos, e foi gerente da Lácteos Los Colonos e trabalhou por 44 anos nas Cooperativas Colonias Unidas.

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