Queijos clandestinos brasileiros estrelam série de TV inglesa
Queijos clandestinos - Episódio sobre queijos mineiros e gaúchos da série 'Cheese Slices' foi produzido em 2013, mas só chega ao Brasil agora; assista à íntegra.
Prepare o coração para emoções fortes! Trem mais lindo o vídeo do inglês Will Studd sobre as tradições queijeiras clandestinas brasileiras.
Will é o apresentador do programa Cheese Slices (Fatias de Queijo, em tradução livre), assistido em mais de 30 países por canais de televisão por assinatura. O episódio brasileiro foi realizado em 2013, em inglês, e nunca foi passado no Brasil por questões de direitos autorais. Ele conseguiu liberar isso recentemente e me propôs a difusão neste blog.
Com o título Queijos Clandestinos do Brasil, o vídeo incomoda. Conta tim-tim por tim-tim a importância histórica e cultural do nosso queijo mineiro. E também relata a saga e o sofrimento dos comerciantes de queijo que se arriscam para abastecer o mercado paulistano com a iguaria mineira sem igual na terra dos bandeirantes.
Queijos Clandestinos do Brasil por Will Studd
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Ele chama os comerciantes informais de queijo de cheese dealers, mesmo termo usado para traficantes de queijo. Acompanhei Will nas gravações em 2013 e nunca tinha visto a versão final. Fiquei pasma com a atualidade do assunto. Nos últimos seis anos, o número de produtores formalizados praticamente não aumentou. Eles são menos de 300 em Minas Gerais segundo o IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária). Isso representa em torno de 1%, se acreditarmos que os dados da Emater de 30 mil produtores de queijo são verídicos. Isso só em Minas Gerais.
Mas é preciso reconhecer que desde 2013 o mundo queijeiro brasileiro evoluiu. E muito. Ganhamos medalhas em concursos internacionais. Muitas pessoas se formaram em cursos de capacitação. Lançamos o Guia de Cura de Queijo para inspirar novos maturadores a amarelar sem endurecer… Já conseguimos importar etiquetas de caseína para evitar a falsificação dos queijos de indicação geográfica protegida. E está prevista a realização do Mundial do Queijo do Brasil no próximo mês de agosto em Araxá (MG).
Temos a nova lei federal que institui o Selo Arte (2018), temos novas leis estaduais em Minas Gerais, Goiás, Sergipe e Rio Grande do Norte. Mas a verdade é que nenhuma delas ainda foi regulamentada e a situação dos clandestinos continua a mesma.

Will Studd na Serra da Canastra. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras
Enquanto o queijo artesanal de elite brilha, atingido pelo raio gourmetizador, na calada da noite os “cheese dealers” continuam atravessando as fronteiras inter-estaduais. Viajam por pequenas estradas de terras, rezando para não serem apreendidos.
Eles abastecem, a preço de sangue, suor e leite, o mercado informal do “porta à porta”, os sacolões de periferia e as fábricas de pão de queijo (também clandestinas).
E graças ao bom Jesus não tem ninguém doente. Ninguém morrendo de comer queijo no Brasil.
Só eu, quase morta de abstinência por não poder comprar queijo minas artesanal morando na França!

Will Studd em São José dos Ausentes com o queijo serrano. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Bonnie e Will Studd no Museu de Artes e Ofícios de Minas Gerais, Belo Horizonte. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Will Studd na queijaria de João Leite (Roça da Cidade) em São Roque de Minas. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Will Studd no Mercado Central de Belo Horizonte. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Will Studd em São José dos Ausentes, queijo serrano. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Will Studd com produtores de queijo colonial no Rio Grande do Sul. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Will Studd com a produtora Eliane Freitas, em São Roque de Minas. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras
Errinhos técnicos e censura
Vamos dar um desconto para o inglês. Ele chama os cânions do Rio Grande do Sul de Minas Gerais, nome que custou para aprender a pronunciar.
A censura foi para as imagens do depósito de queijos na Serra da Canastra. É preciso proteger nossos preciosos aliados, que arriscam para perpetuar essa tradição…
Por Débora Pereira
















