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Especiais Selectus nº 5658

Nota de conjuntura sobre leite e derivados da Plataforma Intelactus Maio/19

Conjuntura leite e derivados - Os dados mundiais de oferta e demanda, preços internacionais, preço doméstico e relação de troca são os destaques da conjuntura neste mês. No cenário global, a oferta está recuando em importantes países exportadores como é o caso de Argentina, Uruguai, União Europeia e Austrália.

Fonte: Embrapa Gado de Leite

A exceção fica com EUA (+0,2%) e Nova Zelândia (+0,4%) que registraram crescimento da produção no primeiro  trimestre, embora pouco expressiva. Pelo lado da demanda, a China tem mantido volumes importantes de importação, o que tem sustentado os preços do leite em pó integral entre 3.200 e 3.300 dólares/tonelada, conforme  os últimos leilões da plataforma GDT.

No mercado brasileiro, o volume de leite adquirido pelos laticínios no primeiro trimestre de 2019 cresceu 2,8% em relação a igual período de 2018, segundo dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE. Neste  período, considerando uma importação de 320 milhões de litros de leite e uma exportação de 20 milhões, a disponibilidade interna por habitante aumentou 3,8% em relação ao primeiro trimestre de 2018.

No ambiente macroeconômico, a previsão inicial de crescimento  da economia de 2,53% recuou para 1,45% em maio (Relatório  Focus) e o mercado já admite PIB abaixo de 1%. Neste cenário, a renda per capita permanece  estagnada inibindo o consumo geral das famílias e, em particular, o de lácteos. Vendas menores  no varejo pressionam os preços para baixo inibindo as margens e a expansão de toda a cadeia produtiva.  Em abril, o preço do UHT no varejo caiu 0,3% destacando a dificuldade de repasse de preços em plena entressafra.

Os  preços  ao produtor  tiveram uma trajetória ascendente  iniciada em fevereiro, frutos de expectativas favoráveis. Já em abril, as cotações ao produtor ficaram praticamente estagnadas (Figura1). Um fator positivo é que os custos de produção estão recuando  e devem continuar nessa trajetória nos próximos meses, principalmente em virtude de uma redução nas despesas com alimentação do rebanho.

No caso da indústria de laticínios, a situação é bem mais  complicada. Em função da fragilidade da economia e do consumo de lácteos, os laticínios não conseguem reajustar  os preços, sobretudo de produtos tradicionais como leite em pó, muçarela e UHT. Na segunda quinzena de abril e início de maio até houve uma recuperação marginal nas cotações, a qual contribuiu para uma alta no mercado de leite spot.  Contudo essa elevação também já perdeu intensidade, comprometendo a rentabilidade de diversas empresas que atuam nesses mercados.

Um  outro  complicador  é que Argentina  e Uruguai devem ter  sua disponibilidade recomposta  até meados do ano, gerando excedentes  que podem pressionar as exportações para o Brasil. Isso cria uma grande incerteza para o segundo semestre, baseada em pelo menos quatro motivos: 1) a relação entre os preços do  leite e dos insumos está favorável ao produtor e tende a estimular a oferta; 2) o baixo consumo de lácteos decorrente do fraco desempenho da economia; 3) baixa competitividade para exportar excedentes de produção; 4) preços de importação  mais competitivos que os domésticos. Finalmente, cabe o alerta em relação a peste suína que se espalha pela China, que detem o maior rebanho mundial de suínos. Estima-se que 30% dos animais já foram abatidos e a peste ainda não foi controlada. No curto prazo haverá uma redução de plantel, mas sua recomposição vai afetar bastante os mercados de grãos ao redor do mundo.

Nota de conjuntura sobre leite e derivados da Plataforma Intelactus Maio/19

Nota de conjuntura sobre leite e derivados da Plataforma Intelactus Maio/19

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