Derivados lácteos sobrevirão a tipos alternativos de “leite”
Conferência IFCN - Especialistas de 48 países discutiram o futuro da produção de leite durante a 20ª conferência IFCN do setor lácteo (17 a 19 de junho em Berlim). Segundo nos disse Lorildo Stock, especialista e pesquisador da Embrapa, os focos foram as tendências para o setor lácteo nos últimos 20 anos, as perspectivas até 2040 e um tópico especial explorando os diferentes tipos de “leite”.
20 anos e 120 países membros
Juntamente com os 85 pesquisadores parceiros presentes, o IFCN comemorou seu 20º aniversário, com um olhar na história de sucesso, como organização. Com início em 2000, atualmente a rede é composta por pesquisadores em 120 países, com o intuito de propiciar uma melhor compreensão dos lácteos no mundo.
60% a mais de leite em 20 anos
Nos últimos vinte anos, a produção de leite cresceu mais de 60%, com um movimento da demanda em ritmo semelhante.
Um dos precursores dessa mudança é a Índia, com um acréscimo na sua produção anual de 115 milhões de toneladas SCM (corrigido para 4% de gordura e 3,3% de proteína).
Dr. Torsten Hemme, Diretor do IFCN, reagiu dizendo que "quando eu comecei o IFCN em 2000, não se esperava tal crescimento em produção: representa quase dez vezes a produção de leite da Alemanha".
Regiões com produção em declínio
Além da Índia, países como Brasil, China, Estados Unidos e a União Europeia aumentaram a produção de leite substancialmente, nesse período. Ao contrário, na Austrália, Japão e Rússia a produção de leite está em declínio. Para o pesquisador e representante da Rússia, Michael Mishchenko, "é muito fácil destruir um sector leiteiro, mas é muito difícil reconstruí-lo." Com o crescimento da população mundial e o crescimento semelhante para a demanda per capita, até 2040 é provável que a demanda aumente mais rápido do que a oferta.
Tipos e alternativas ao leite
Esta 20ª Conferência do IFCN teve como um de seus temas-chave os diferentes tipos de “leite”, seus desafios, complexidades e oportunidades. Durante as sessões do workshop foram definidas três categorias principais, em termos: da origem (tipo de animal, leite baseado em vegetal e leite sintético); da prática agropecuária (orgânico livre de OGM, etc.); e do processamento (composição do leite líquido).
Novos consumidores
O “leite” alternativo está ganhando popularidade, especialmente nas regiões mais desenvolvidas do mundo, onde os consumidores estão exigindo novos tipos de "leite" e, ao mesmo tempo, com menor ênfase em benefícios nutricionais comprovados do leite de vaca.
Na análise de Andrea Capkovicova, representante da Comissão Europeia, "apesar das vendas de bebidas à base de plantas estarem crescendo rápido, tanto em valor e volume, até agora permanecem numa pequena parte do mercado. Em 2018, eles representaram 4% das vendas de leite de vaca na Europa".
Leite = leite?
Para os especialistas participantes o leite animal não deixará de ocupar o espaço dos tipos e alternativos de “leite”. No entanto, para moldar este processo, o sector lácteo precisa desenvolver esforços sérios para lidar com as exigências dos consumidores futuros.
Como patrocinadores e coorganizadores a DMK Deutsches Milchkontor GmbH e Hochlan entendem que “enfrentar os desafios no mundo globalizado de produtos lácteos e satisfazendo necessidades futuras requerem uma compreensão global alinhado à troca de conhecimento”.
Com a coleta e análise de dados em âmbito internacional, o IFCN tornou-se a principal instituição no desenvolvimento e organização de informações imprescindíveis para um melhor conhecimento do mercado lácteos nos últimos vinte anos e continuará com a sua contribuição no futuro.
















