“O setor lácteo tem um valor estratégico fixando a população rural”, Luis Calabozo
Leite/Espanha – A Espanha rural está sendo esvaziada, mas, o setor de agroalimentos, tanto a produção primária como a indústria, estão realizando um trabalho muito importante, mantendo essa população.
Dentro do setor agroalimentar, o lácteo, além de gerar grandes cifras macroeconômicas, tem um valor estratégico essencial, para fixar a população rural, valor que a sociedade deve levar em conta. Essa foi a declaração de Luis Calabozo, Diretor da Federação Espanhola das Indústrias de Laticínios (Fenil), durante a comemoração do Dia Intertnacional Lácteo (DIL), em 24 de junho.
Calabozo lembrou o importante papel desempenhado pelo setor lácteo no mundo rural. Conta com 23.500 fazendas de leite, entre vaca, ovelha e cabra e 2.100 instalações de coleta e transformação de leite. A Fenil fez o trabalho de localizá-las no mapa da Espanha, corroborando que, não somente estão disseminadas por todo o território espanhol, mas, que também estão localizadas, em sua grande maioria, em municípios com menor densidade populacional.
Além disso, o setor lácteo tem a peculiaridade de retirar dessas instalações, diariamente, centenas de caminhões para a captação de leite, que mantêm a atividade e a conectividade com todo o território. O setor lácteo contribui, também, para a introdução de novas tecnologias no mundo rural.
Luis Calabozo falou, ainda, sobre as perspectivas do mercado. Mencionou que a evolução do mercado lácteo dpenderá do avanço da oferta e da demanda. Nos países produtores de leite da União Europeia (UE), as previsões de produção para este ano são inferiores à do ano passado (salvo na Irlanda, cujo incremento será devido à incomum baixa de produção da campanha passada, em decorrência da seca). Esta tendência, não somente é por fatores meteorológicos, mas, também, por mudança de orientação das explorações. Está ocorrendo, especialmente na França, queda na captação das explorações chamadas diversificadas (que não somente têm leite de vaca, mas tem outras fontes de renda como ciração de porcos, cultura de cereais, etc). A tendência europeia é a de explorações especializadas.
Por outro lado, existe o desejo da demanda, lembra Calabozo. A China já não somente importa leite em pó, mas, está ampliando sua cesta de produtos lácteos importados. O acordo UE-Japão também vai beneficiar o setor lácteo. O acordo UE-Canadá é bom, mas precisa ser aperfeiçoado, porque não conseguiu abranger todos itens com tarifas zero. O maior problema é a incerteza política, que está gerando ameaças sobre o comércio mundial. Nos últimos leilões da Fonterra, as cotações mostraram maior debilidade do que um mês atrás, ainda que esses dados tenham que ser analisados com cautela, já que são indicadores de referência.
Outra questão que também irá beneficiar o mercado lácteo foi a eliminação dos estoques de intervenção de leite em pó desnatado. Entretanto, é preciso levar em conta que, isso só foi possível em decorrência dos preços moderados.
















