Acordo UE-Mercosul: Os sucos foram beneficiados, pecuária, cítricos e arroz, os grandes prejudicados
UE x Mercosul – A União Europeia (UE) e o Mercosul chegaram a um acordo comercial depois de 20 anos de negociações.
Muitos acreditam que a Comissão tinha muito interesse em fechar este acordo antes do outono. De fato, em nota à imprensa a Comissão Europeia (CE) fez referência a este terceiro acordo selado durante o mandato de Juncker. Os outros dois foram com o Canadá e o Japão. Ambas as partes agora terão que fazer uma revisão legal do texto para chegar à versão final do acordo que terá que ser aprovado pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu.
O acordo eliminará a maioria das tarifas sobre as exportações da UE para o Mercosul. Os setores industriais da UE foram os principais beneficiados, cujas exportações enfrentavam tarifas elevadas e às vezes proibitivas. Automóveis (35%); autopeças (14-18%); máquinas (14-20%); produtos químicos (até 18%); produtos farmacêuticos (até 14%), roupa e calçado (35%), e tecidos (26%).
O setor de agro alimentos da UE, também tem alguns beneficiados, como chocolates e confeitaria (20%), vinhos (27%), licores (20 a 35%), e sucos (20 a 35%). O acordo também proporcionará acesso livre de impostos, sujeito a cotas, para os produtos lácteos da UE (atualmente com tarifas de 28%), especialmente para queijos. Além disso, terão 357 produtos europeus com Indicações Geográficas (IGP), como Tiroler Speck (Áustria), Fromage de Herve (Bélgica), Münchener Bier (Alemanha), Comté (França), Prosciutto di Parma (Itália), Polska Wódka (Polônia), Queijo S. Jorge (Portugal), Tokaji (Hungria), ou Jabugo (Espanha).
Apesar disso, o setor de agroalimentos da UE será um grande prejudicado. Por este motivo, o setor agrário espanhol, representado pelas organizações ASAJA, COAG, UPA e Cooperativas Agroalimentares da Espanha se dirigiram ao Governo de Pedro Sánchez, para expressar sua preocupação diante do desequilíbrio do acordo. Consideram que uma série de produtos sofrerão um grave efeito, como a pecuária, os cítricos e o arroz.
Os produtores espanhóis lembram que todas estas concessões, não somente ameaçam a economia de zonas produtoras já castigadas, como que facilitam a entrada de produtos elaborados em condições bem menos rigorosas diversas em relação à legislação ambiental e de segurança alimentar do que as estabelecidas na UE.
















