Federação pede que se quantifique o impacto do acordo UE-Mercosul
Mercosul x UE – A Federação espanhola Unión de Uniones de Agricultores e Ganaderos (UdeU) que representa o setor agropecuário espanhol, em diversas ocasiões se opôs ao acordo comercial UE-Mercosul.
Assim sendo lamenta que tenha sido aprovado sem ter sido levado em conta um estudo aprofundado do impacto no setor de agro alimentos.
A UdeU, que apresentou em Bruxelas duas semanas atrás um boletim com recomendações sobre o acordo UE-Mercosul, lamenta essa assinatura preliminar e que o Governo da Espanha esteja orgulhoso, quando os seus produtores serão os mais prejudicados.
A UdeU acredita que, durante o tempo que ainda falta para a ratificação pelos Estados Membros e do Parlamento Europeu, possa ser calculado o impacto real para a Europa e seus Países.
Também considera que o impacto não pode ser medido isoladamente, mas somado aos mais de 70 outros acordos comerciais, que a UE vem negociando com diferentes países terceiros ou blocos.
“Não entendemos porque o Governo espanhol incentivou a assinatura do acordo”, criticou a UdeU. “Existem poucos estudos, mas, todos indicam que a Europa sairá perdendo”.
A Ude U faz referência a estudo realizado pelo Research Centre (JRC) da Comissão Europeia em 2011 que chegou a calcular perdas potenciais de € 7,75 bilhões para os agricultores europeus. Nesse mesmo estudo, foram analisados os impactos do acordo por países, registrando perdas entre 1,7% e 3,4% para os agricultores espanhóis em termos de renda por hectare.
Balança comercial deficitária para a UE e para a Espanha
A organização agrária insiste em que o Mercosul já é o principal exportador de produtos básicos agrícolas para a UE, não precisando de incentivos adicionais como tarifas alfandegárias para aumentar suas exportações.
Na primeira análise, a UdeU destaca que em 2018, a UE importou € 18,57 bilhões em agroalimentos do Mercosul, o que representa 4% do total. Por outro lado, as exportações do agronegócio europeu para o Mercosul totalizou pouco mais de € 2,2 bilhões, e representou 0,5% do total exportado.
Os produtos exportados pela UE para o Mercosul são azeite de oliva, cereais preparados, legumes preparados e vinhos.
De 1988 a 2018 o déficit comercial de agroalimentos da UE com o Mercosul atingiu € 732,7 bilhões. Em 2018, este déficit foi de € 30 bilhões.
A balança comercial dos agroalimentos são claramente deficitários para a UE, com um valor acumulado entre 2012 e 2016 de € 93,15 bilhões. Também é deficitário para a Espanha, acumulado € 4,26 bilhões entre 2012 e 2017.
A UdeU mostra seu descontentamento com o acordo no qual a agricultura e a pecuária se converteram em moeda de troca para outros setores, com fins políticos, e insiste que é importante que as normas estejam claras para todos, desde o princípio e sejam iguais para todos os atores.
Assim, destaca a necessidade de reciprocidade no âmbito sanitário, segurança alimentar, respeito ao meio ambiente e ao trabalho para evitar que dêem situação de concorrência desleal ou redução dos padrões de qualidade.
“Não é normal que exija tanto de nós para produzir e que não ocorra o mesmo com outros países, e ainda favoreça e facilite a entrada desses produtos na Europa”, referindo-se ao acordo comercial com a África do Sul.
Também considera imprescindível a disposição de instrumentos, políticas compensatórias e recursos financeiros adequados para mitigar os efeitos negativos para determinados setores econômicos que possam ocorrer e que, ante uma decisão responsável, já deveriam estar previstos.
















