Pecuária de leite: animal saudável com boa produção e longevidade
Pecuária de leite - No município de Chopinzinho, no Sudoeste paranaense, o produtor Rafael Vilmar Matte Carlin faz o melhoramento genético do rebanho há cerca de 25 anos, utilizando técnicas de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) com sêmen sexado (permite a escolha do sexo da cria antes do processo) e acasalamento direcionado para aumentar a produção de animais geneticamente superiores.
Para o pecuarista, que ocupa o cargo de gerente da Fazenda Armin e é responsável pela criação de gado de leite na propriedade, a prioridade é um animal saudável com boa produção e longevidade. “Meu objetivo é imprimir características de saúde e reprodução que, por consequência, aumentam a chance de a vaca ser uma boa produtora de leite com uma quantidade significativa e por mais tempo”, explica. O pecuarista também investe na seleção de vacas que produzam leite com maior quantidade de elementos sólidos, principalmente proteína e gordura, pois o mercado para o qual vende paga mais por esse produto.
Com a evolução da tecnologia, Carlin buscou a implantação de outras técnicas no rebanho. Há cerca de 10 anos, é realizada a transferência de embriões e, há três, o mapa genético dos animais por meio da avaliação genômica. No entanto, devido ao alto custo de investimento, a transferência de embriões acontece em apenas 15% dos melhores animais, cujo ranking é definido pela avaliação genômica.
“É uma tecnologia de alto custo, com resultados de médio a longo prazos. Isso precisa estar bem claro para o produtor. Então, no caso da genômica, por exemplo, eu consigo saber quais são os índices dos animais lá no início, mas os resultados aparecem só agora”, aponta o pecuarista, que também reforça a importância de o produtor de leite investir em melhoramento genético. “O mercado passou por muitas mudanças e competimos com o mundo inteiro por eficiência. Como eu faço isso? Tenho que melhorar os meus animais. Tenho que fazer a transformação de comida em leite ser mais eficiente. Mas também preciso dar boas condições de manejo, saúde, reprodução e ambiente para que essa vaca responda e eu consiga otimizar o meu custo”, complementa.
O plantel da Fazenda Armin é formado por 160 animais da raça holandesa. Atualmente, 70 vacas estão em lactação, com produção em torno de 2,1 mil litros de leite por dia. Em média, cada vaca produz 13 mil litros de leite por lactação e chegam a atingir quatro lactações. Em 2018, o leite produzido pelo rebanho foi avaliado com dados de 4,14% de gordura e 3,43% de proteína. “São números expressivos para a raça holandesa, que não tem um perfil para alta produção de sólidos”, ressalta o pecuarista.
Para atingir esse perfil de produção e qualidade, o melhoramento genético caminha lado a lado com boas práticas de manejo e nutrição. Na fazenda, são realizadas apenas duas ordenhas diárias para facilitar a mão de obra e causar menos deslocamento do rebanho. A dieta é leve, com baixa quantidade de grãos para diminuir os riscos de problemas metabólicos.

A Associação Paranaense dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) realiza serviços de melhoramento genético aos associados, com registros de animais e avaliações genética clássica e genômica. Segundo o superintendente Altair Antonio Valloto, existem rebanhos que, em média, entre os animais superiores, uma vaca produz 10 mil litros em uma lactação que dura 305 dias, enquanto as geneticamente inferiores produzem 6 mil litros. “É uma diferença de até 40%, muito significativo. É um efeito direto no bolso do produtor”, afirma.
Essas avaliações auxiliam o pecuarista a definir suas estratégias de melhoramento genético com base em seus objetivos. “Ele pode seguir vários caminhos, de acordo com seus critérios de preferência. Pode selecionar os animais e fazer transferência de embriões, pode buscar touros superiores para inseminar vacas inferiores por meio de acasalamento direcionado, ou até mesmo cruzá-las com raças especializadas de corte”, explica o superintendente da APCBRH, que também é instrutor do SENAR-PR no curso de inseminação artificial.
Valloto reforça que melhorar geneticamente um rebanho vai muito além do desempenho produtivo. Todas as condições dos animais precisam ser analisadas. “Essas informações são passadas para o produtor nos cursos do SENAR-PR e nas assistências técnicas disponibilizadas na Associação. Também oferecemos suporte aos produtores que fizeram os cursos e podem fazer o programa completo de melhoramento genético”, conclui.
















