Em retaliação, China impõe tarifas ao setor lácteo dos EUA
EUA x China – A indústria norte-americana de lácteos contabiliza os custos da última rodada de tarifas impostas nas exportações para a China, em mais uma batalha da guerra comercial que está sendo travada entre Beijing e a administração do Presidente Donald Trump.
A Comissão Tarifária do Conselho de Estado da China anunciou no dia 23 de agosto, que dia 1º de setembro imporá tarifas adicionais de 10% e 5% sobre uma ampla gama de exportações norte-americanas, e no dia 15 de dezembro outros produtos também estarão sujeitos a essas tarifas adicionais. O governo chinês divulgou as duas listas dos produtos que serão afetados.
A Comissão disse que esta foi uma resposta ao recente anúncio do governo dos EUA de uma tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões de mercadorias importadas da China, e que começariam a vigorar no dia 1º de setembro e, também no dia 15 de dezembro.
Em comunicado, Pequim disse que “as medidas dos EUA levaram a uma escalada contínua de atritos econômicos e comerciais sino-americanos, que prejudicaram bastante os interesses da China, dos EUA e de outros países, além de ameaçar, seriamente, o sistema multilateral de comércio e o princípio do livre comércio.”
A maioria dos produtos lácteos vendidos pelos EUA à China será afetada a partir de 1º de setembro, abrindo oportunidades potenciais aos exportadores europeus, principalmente, porque esses direitos aumentam as tarifas que já estão em vigor. A lista de 1º de setembro acrescenta 5% de tarifa sobre lácteos produzidos nos EUA: queijo fresco, leite em pó, e o queijo azul, leite, creme, manteiga, soro de leite e requeijão. Em 15 de dezembro integrarão produtos como lactose, com mais 5%, e os sorvetes, que terão alíquota adicional de 10%.
As exportações norte-americanas de lácteos para a China já estão em queda, e muitas foram incluídas nas retaliações iniciadas em julho do ano passado, como leite e creme, soro de leite, manteiga, iogurte e os queijos que já possuem tarifa de 25%, e receberão outros 5%.
Em 2017 os EUA exportaram US$ 61,8 milhões de queijos para a China – caiu para US$ 57 milhões em 2018, segundo dados do comércio internacional. E, as exportações de leite em pó e creme para a China caíram de US$ 68 milhões, em 2017, para US$ 40 milhões em 2018. As exportações da União Europeia (UE) para a China ainda não foram beneficiadas, significativamente. De 2017 para 2018 o crescimento das exportações de queijos do bloco europeu para a China foi de 8%, atingindo € 100 milhões. A associação de laticínios da UE, Eucolait observou que as exportações de soro de leite da UE para a China também estão praticamente no mesmo nível, em relação ao período anterior à guerra comercial EUA-China.
Mas, as vendas de lácteos norte-americanos para a China continuam caindo, observou o Conselho de Exportação dos EUA (USDEC), relatando que no primeiro semestre de 2019 as remessas dos principais produtos, leite em pó, queijo, manteiga, soro de leite e lactose caíram 54% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas para outros mercados aumentaram 5%. As vendas de queijo para a China no semestre caíram 46% em relação ao ano anterior, as de soro de leite 58%, com perdas de mais de 12 mil toneladas por mês.
Uma nota da consultora asiática de negócios Dezan Zhira & Associates disse: “As novas tarifas representam um valor total de 10% de todo o comércio bilateral US-China, o que significa que ainda teremos US$ 75 bilhões de tarifas adicionais, uma elevação significativa nos preços dos produtos dos fornecedores norte-americanos para a China”.
A guerra comercial também foi má notícia para os exportadores chineses de laticínios que desejavam entrar no mercados estadunidense. As novas tarifas anunciadas pelos EUA – que desencadeou a última rodada de retaliação chinesa – incluem tarifas de 10% sobre uma ampla gama de produtos lácteos. Na lista de 1º de setembro entram leite, creme de leite, leite em pó, leite condensado, soro de leite em pó, iogurte, manteiga, proteínas concentradas de leite e queijo, quer sejam fluidos, em pó, ou processados. As exportações chinesas de laticínios para os EUA são insignificantes.
A guerra comercial terminará em breve, para restaurar a competitividade das exportações de lácteos dos EUA? O presidente Donald Trump afirmou na cúpula do G7 em Biarritz, na França, no dia 26 de agosto, que conversas sérias com a China para resolver a guerra comercial eram iminentes. Mas, o governo chinês disse não ter fixado data para o reinício das conversações – sinalizando que a queda de venda dos lácteos norte-americanos para a China deverá continuar pelo resto do ano.
















