O World Dairy Summit (WDS) 2019 da FIL/IDF é aberto em Istambul na Turquia
WDS IDF/Istambul – Na abertura dos trabalhos da IDF World Dairy Summit 2019 ontem na Turquia, a FIL/IDF, [Federação Internacional do Leite/International Dairy Federation] fez uma síntese dos dados mais recentes da Situação do Setor Lácteo Mundial, um relatório publicado pela entidade, com mais de 200 páginas, com estatísticas de produção, consumo e comércio entre as diversas regiões do mundo, e mais especificamente, a respeito dos países membros da FIL/IDF.
Trata-se de um conjunto de dados sobre a indústria de laticínios e insights sobre uma ampla gama de políticas, análises e fatores econômicos que influenciam o setor lácteo. O presidente do comitê permanente da FIL/IDF sobre políticas econômicas do setor lácteo, disse que o mercado mundial está em constante crescimento e evolução, com a produção de leite e produtos lácteos aumentando, diariamente, para atender às novas necessidades e exigências nutricionais de todas as regiões e continentes.

Foi destaque a informação de que a produção de todos os tipos de leite, no mundo, aumentou 4,2% de 2010 a 2018, enquanto que a produção de leite de vaca aumentou 2%, com um volume aproximado de 703,7 milhões de toneladas, e correspondendo a 81,43% do volume total da produção de todos os tipos de leite.

Países da Europa Oriental, incluindo Rússia, além de Canadá, China, Portugal, México, Alemanha, Sudão e Nova Zelândia, tiveram crescimento de até 3%. Enquanto Irlanda Bélgica, Turquia e Índia, aumentaram a produção em mais de 4%. No Paquistão, na Tailândia, no Irã e no Cazaquistão o crescimento na produção de leite também foi em torno de 4%, mas, não do leite de vaca. Enquanto isso, a produção dos demais países ficou estagnada.
No mesmo período, de 2010 a 2018, a população mundial saiu de 6,2 bilhões para 7,7 bilhões, incremento de 24% nesses 8 anos. O consumo per capita que era de 105 passou para 115 kg/per capita/ano.

Essa informação é relevante, e indica que a população aumenta 5 vezes mais que o consumo de lácteos. Fica explicitamente colocado que falta renda para o consumo de alimentos, inclusive leite. Não se trata de o setor lácteo produzir o suficiente para abastecer os mercados, mas, dos consumidores não possuírem renda suficiente para adquirir leite e lácteos, mesmo sendo fonte de nutrientes essenciais de baixo custo para dietas saudáveis.
Esses dados, analisados em conjunto, são indicadores claros e robustos de que há um equilíbrio entre a produção e a oferta para as classes consumidoras tradicionais de leite, mas, que há dificuldades para ampliar a classe consumidora. Nas palestras que analisam as expectativas e hábitos dos consumidores fica em destaque o grande desafio colocado para o setor lácteo quando visa a manutenção do consumo.

As mudanças de hábitos, a demanda por conveniência, por produtos naturais e de qualidade. Após surgem questões econômicas e demográficas, sobretudo em países onde o consumo é mais tradicional, como na Europa.
Outro fato que pode ser observado é que além das questões dos hábitos alimentares, das questões econômicas e demográficas, existem as campanhas contra o consumo de leite e derivados. Assim sendo, para incluir um maior número de consumidores serão necessárias ações de marketing e políticas públicas mais incisivas para a inclusão de leite e produtos lácteos na alimentação escolar e nos programas de assistência às populações mais carentes.
As demandas dos consumidores são influenciadas cada vez mais pelas alterações nos hábitos de consumo, e a crescente consciência acerca dos alimentos que consomem. Então além de demandarem produtos de conveniência, querem ter certeza de que são naturais e sobretudo de qualidade. Entram nessa seleção, produtos que não agridam o meio ambiente e protejam os animais. Procuram por uma produção menos agressiva, nostalgia de uma época que não se encontra mais nas grandes cidades.
Nessa Cúpula WDS 2019, grandes questões são abordadas, dentre elas o equilíbrio econômico entre a oferta e a procura por produtos lácteos, o que proporciona um equilíbrio também no preço do leite ao produtor. A oscilação está entre ±1,5%, tanto na oferta, como na demanda real de leite, sobretudo do leite de vaca que predomina no contexto global do setor lácteo.
















