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Especiais Selectus nº 5751

Boletim Trimestral do Leite do Rabobank, 3º Trimestre 2019 - China

China – A média do preço do leite na China subiu em junho em decorrência de um verão quente que impactou no aumento da oferta doméstica.

Fonte: Rabobank – Tradução livre: Terra Viva

Chegou a CN$ 3,68/kg (US$ 0,52/kg), 4% a mais em relação a maio, e 8% de crescimento na comparação anual. Com isso o leite em pó integral (WMP) produzido internamente passou a ter o preço entre 10 e 12% acima da cotação do WMP importado, o que incentivou o crescimento das importações. As importações chinesas continuam desafiando nossas expectativas, com crescimento de 24% das compras externas no 2º trimestre, na comparação anual, similar às taxas de 25% registradas no primeiro trimestre, e no acumulado até julho, as importações de WMP e SMP (leite em pó desnatado) cresceram 28% na comparação anual.

O Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, sigla em inglês) registrou crescimento de 1,75 na produção de leite no primeiro semestre de 2019 (abaixo de nossas expectativas que eram de 2%). Isso, porém, está em desacordo com o crescimento da produção de 5,2% implícito no índice de produção de leite do Ministério da Agricultura (MOA). A taxa menor registrada pelo NBS pode ser atribuído a uma grande amostra que inclui os pequenos produtores que continuam encolhendo.

As três maiores indústrias de laticínios relataram crescimento de 14% em suas vendas na comparação anual, abaixo dos 16% registrados no primeiro semestre de 2018. Com ajustes da inflação e bonificações, pode-se estimar que houve um crescimento acelerado de 7% no primeiro semestre de 2019 na comparação anual no desempenho das três maiores indústrias (de 5% em 2018). Os três principais players do setor continuam ganhando participação no mercado de varejo, em detrimento de players menores, na maioria das categorias: leite UHT, bebidas lácteas, leite fresco e iogurte. É preciso ter alguma reserva em relação ao crescimento relatado pelas três maiores indústrias, pois, superam o crescimento reportado do valor de varejo divulgado pela Nielsen para o leite UHT, leites fluidos e leite em pó em 3%, 0,7% e 8,8%, respectivamente, no 1º semestre de 2019.

O Rabobank cortou a taxa de crescimento da produção do 1º trimestre para 1,7%, mas mantém a expectativa de crescimento de 1% no segundo. O Rabobank avalia que o preço do leite no mercado doméstico precisa permanecer nos níveis atuais para impulsionar o crescimento da oferta.

Existem boas notícias sobre as relações comerciais entre a China e os Estados Unidos. A China concordou com a isenção de tarifas sobre o soro de leite dos Estados Unidos e sobre a alfafa pelo período de um ano (17 de setembro de 2019 a 16 de setembro de 2020). O governo também prometeu reembolsar as tarifas adicionais sobre a alfafa que já foram pagas pelos importadores desde que a sobretaxa foi imposta. Isso deve aliviar a pressão em grandes fazendas que dependem da alfafa dos EUA nos próximo 12 meses.

Dito isto, é provável que o preço do milho continue subindo no próximo ano. As previsões de produção de milho na China foram reduzidas, em decorrência de menor área de plantio, baixos estoques governamentais, e a lagarta militar que é uma ameaça ao rendimento das lavouras.

A oferta de leite na China deverá então ter seu crescimento limitado em 2019, apesar dos bons preços e da grande importação de novilhas de leite (mais de 40.000 cabeças até julho de 2019) para melhorar a produção doméstica, principalmente, as condições dos pequenos produtores de leite. Depois de alguns anos com pequenas margens ou mesmo perdas, grandes fazendas produtoras de leite estão preferindo equilibrar a atividade do que aumentar agressivamente o rebanho.

As indústrias continuam mostrando interesse em assumir o controle das fazendas domésticas, sugerindo melhoria no equilíbrio interno da oferta e demanda através de bonificações do leite cru destinado a produtos frescos. As indústrias estão achando cada vez mais difícil e caro obter leite cru, o que pode determinar o investimento na pecuária leiteira.

Para 2020 o Rabobank mantém a previsão de crescimento da produção em 2%. No entanto, o acelerado aumento das taxas de abate de vacas de leite pode ser um risco, já que o preço de carne está subindo (pois substitui a carne de porco), em decorrência da febre suína.

O Rabobank mantém a taxa de crescimento da demanda em 1% (estimativa que exclui a queda na demanda de soro) para 2019, e de 2% para 2020.

Houve grande desaceleração nas importações de soro de leite e manteiga, junto com queda também nas compras de fórmulas infantis, que, no entanto, impulsionaram o crescimento das importações de produtos lácteos em 17% no primeiro semestre de 2019. Ainda assim, houve crescimento de quase 30% nas importações de WMP e SMP.

Mesmo com a queda nas expectativas de produção de leite no primeiro semestre de 2019, e o consumo estável, o Rabobank continua avaliando que os estoques estarão no maior nível dos últimos dois anos, o que haverá necessidade de utilização no 2º semestre de 2019. Assim, as importações de leite em pó deverá cair 2% na comparação anual, fazendo com que as importações totais crescem 8% em 2019.

Para 2020, 0 Rabobank tem a expectativa de que o crescimento das importações de leite em pó cresçam 1% no 1º semestre, mas, pode chegar a 4% no segundo.

Nossas novas previsões são baseadas em um conjunto de premissas cautelosamente otimistas, particularmente em relação ao consumo na China, dadas às incertezas que desaceleração econômica possam trazer, a desvalorização da moeda e a guerra comercial EUA-China.

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