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Especiais Selectus nº 5760

Laticínios continuam com dificuldade para repassar preços

Repasse de preços - No leilão da plataforma Global Dairy Trade, do dia 01º de outubro, o preço do leite em pó integral foi negociado a US$ 3.141/ton, enquanto o leite desnatado fechou em US$ 2.674/ton.

Fonte: Embrapa

Desde fevereiro/2019 a tonelada do leite integral tem se mantido entre US$ 3.000-3.400. Apesar da demanda internacional não dar sinais de expansão acentuada, em função de uma desaceleração da economia global, incluindo Europa, China e Estados Unidos, os preços estão se sustentando devido à oferta limitada em vários países. Nos exportadores do hemisfério norte, sobretudo EUA, Bielorrússia, Ucrânia e membros da UE, a produção nos sete primeiros meses do ano encontra-se praticamente estabilizada em relação a igual período de 2018. No Sul, houve recuo na Nova Zelândia (-0,7%), Austrália (-9,2%), Argentina (-4,9%), Chile (-2,8%) e Uruguai (-7,4%). No mercado brasileiro, o IBGE divulgou no dia 25 de setembro a Pesquisa Pecuária Municipal, mostrando um crescimento de 1,6% na produção total de leite do País em 2018, com Sul e Sudeste respondendo cada um por 34% da oferta nacional, estimada em 33,8 bilhões de litros. Este foi o primeiro ano de crescimento da produção desde 2014, quando foram produzidos 35,1 bilhões de litros. Em relação a 2017, o número de vacas recuou 2,9% enquanto a produtividade subiu 4,7%, chegando a 2.068 litros/cabeça/ano. Na Região Sul, Santa Catarina (3.800), Rio Grande do Sul (3.441) e Paraná (3.225) registraram as maiores produtividades por vaca no ano. Apesar da produtividade brasileira continuar baixa, houve um aumento importante deste indicador. A concentração geográfica da produção continua evoluindo: a produção total das TOP-10 mesorregiões atingiu 44% do leite brasileiro, ante 35% em 1990. Mas a conjuntura do leite em 2019 tem surpreendido os analistas, sobretudo no âmbito dos preços. Após duas quedas consecutivas, em julho e agosto, os preços ao produtor subiram em setembro, período em que historicamente os preços recuam. O grande gargalo continua sendo o baixo nível de consumo doméstico e a dificuldade de repasse de preços ao longo da cadeia.

A alta de preços ao produtor em setembro foi sustentada por diversos fatores, principalmente pela seca prolongada no Sudeste e Centro-Oeste que limitou a recuperação da oferta e pela remarcação de preços do leite UHT e leite em pó que criou uma expectativa de melhores margens industriais. No caso do UHT, o preço no atacado passou de R$ 2,34 no final de julho para quase R$ 2,60/litro no início de setembro. Isso induziu também uma alta de preços no mercado spot. Entretanto, essa alta não se sustentou e a cotação do leite UHT voltou para o patamar de R$ 2,40/litro, recuando também no mercado spot. Com alta fragmentação e baixo poder de negociação frente aos grandes varejistas, a indústria não consegue segurar os preços em patamar mais elevado.

Laticínios continuam com dificuldade para repassar preços

A expectativa para os próximos meses é de ligeira redução nas margens dos produtores em função de esperado aumento do custo do concentrado e recuo nos preços do leite. Pelo lado da oferta, a tendência é de crescimento até o final do ano em função da sazonalidade do Sudeste e Centro-Oeste, com o início do período chuvoso. Todavia, o clima poderá frear o ritmo dessa expansão. As previsões indicam chuvas irregulares e abaixo da média nas regiões Centro Norte de Goiás e de Minas Gerais. Nas demais localidades, incluindo o Sul de Goiás, Sul de Minas e Triângulo Mineiro, as chuvas tendem a seguir o padrão histórico.

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