Conheça o 'clube' que garante a sucessão familiar na produção de leite do Paraná
Sucessão familiar - Muitas famílias do campo se preocupam com um mesmo problema: “quem vai cuidar da propriedade no futuro, na próxima geração?”. O Censo Agropecuário divulgado nesta semana reforça essa preocupação.
Os dados mostram uma tendência de envelhecimento da mão de obra no campo e a redução da presença dos jovens, nos últimos 11 anos.
Pensando nisso, cooperativas do Paraná montaram um projeto de educação, voltado para os filhos de produtores de leite. O objetivo é despertar, desde cedo, o gosto pelos animais e pelas atividades da roça. E, assim, estimular a juventude a permanecer no campo.
A jovem produtora Nathaly Bronkhorst, de 11 anos, é um exemplo que deu certo na sucessão familiar. Descendente de holandeses, os bisavós dela trocaram a Europa por Arapoti, a 200 km de Curitiba. Eles formaram uma colônia de imigrantes e construíram a fazenda onde a menina vive hoje.
Na casa da família, as referências da Holanda está nos detalhes, como tamancos de madeira muito usados na zona rural de lá há centenas de anos. Só que a maior marca dos imigrantes holandeses nessa região está do lado de fora: a pecuária leiteira.
Na propriedade dos Bronkhorst, são 200 vacas em lactação. Todos os animais são gado holandês. É uma tradição que foi passando de geração em geração.
Nathaly quer ser veterinária, um sonho que ficou mais forte por causa de um projeto educativo chamado Clube de Bezerras.
O clube
Este clube funciona da seguinte forma: a criança escolhe uma bezerra recém nascida e vai acompanhando o crescimento dela, para aprender o que o animal precisa pra ficar saudável até completar cerca de cinco meses.
O projeto foi criado na década de 1980 por produtores de leite das colônias holandesas de Carambeí e de Castro, também no Paraná. A comunidade de Arapoti gostou da ideia e fez igual.
A cooperativa de agricultores do município é quem organiza o clube. A ideia é fortalecer a ligação da criança com o campo. Os alunos têm de 8 a 15 anos.
Nos últimos 30 anos, o Clube de Bezerras já formou mais de 1.300 moradores da região. Não se sabe ao certo quantos viraram produtoras de leite, mas um dos alunos formados por lá é o pai da Nathaly.
Como funciona?
No projeto, as crianças aprendem os primeiros cuidados do animal, como a cura de umbigo, essencial para o animal recém-nascido.
“O que eu mais admiro nele é esse amor que eles demonstram pelos animais, e conviver com essa rotina para mim é a forma mais eficiente de manter as crianças no campo”, explica Marília Ribeiro de Paula, que é zootecnista e professora das crianças do clube.
A rotina das crianças com os bezerros vai toda para um diário, que tem informações sobre o peso, a ração e os remédios utilizados pelos animais.
“Acompanho minha bezerra desde o dia do seu nascimento, ela está se desenvolvendo muito rápido, muito sapequinha”, conta Thaysa Fernandes, de 9 anos.
A Thaysa é filha do gerente de uma fazenda da região, e a ideia de entrar para o clube foi do patrão dele.
“Ele falou “leva lá, vamos ver se ela se entusiasma”. Aí, como ela já tinha afinidade pelas bezerras, foi mais fácil”, lembra o pai, Gilvan Fernandes.
A Thaysa gostou tanto do clube que já faz planos: quer ter a própria fazenda e pensa inclusive em quais raças de gado ela vai ter na propriedade.
Na formatura do curso, as crianças desfilam com o animal na frente de um juiz, uma concorrendo com a outra, como se fosse em uma feira agropecuária. Vídeo
O teste final deste ano foi na ExpoLeite, uma das principais feiras do setor leiteiro do Brasil.
















