Reino Unido – Manifestação dos principais partidos sobre plástico sinaliza a preocupação do público
Plástico/RU – Os debates das eleições gerais no Reino Unido, em dezembro, têm o Brexit como tema central, mas, outra questão política que cresce de importância é a crise global de resíduos plásticos e o papel do Reino Unido (RU) nela.
Isso fica evidenciado pelo fato de que os três principais partidos do RU – Conservador, Trabalhista e Liberal Democrata – se manifestaram a respeito e apresentaram estratégias para melhorar o manejo dos resíduos plásticos. Todos os três partidos partidos se comprometeram a colocar fim à exportação de resíduos plásticos e introduzirem políticas de Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR), Esquemas de Descarte Reverso (DRS) e investimentos em infraestrutura de reciclagem.
O partido Conservador promete “banir a exportação de resíduos plásticos para países fora da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), consultando a indústria, Organizações Não Governamentais (ONGs) e Conselhos locais para elaborar políticas que alcancem esse objetivo”. O Partido Trabalhista afirma, simplesmente, que “vai acabar com a exportação de resíduos plásticos”, enquanto os Democratas Liberais estabelecem um prazo para o fim das exportações, 2030.
A importância de suspender as exportações de resíduos plásticos é ilustrada pela declaração de Lisa Kuch, Chefe do Programa Internacional de Clima, Energia e Agricultura da Fundação Heinrich Böll. “Somente o RU exportou quase 430.000 toneladas de resíduos plásticos em 2018. Como muitos países dos Sudeste Asiático estão seguindo a China ao restringir as importações de resíduos plásticos o RU e outros países exportadores agora são obrigados a encontrar solução para o problema”.
“As manifestações dos partidos do RU são, portanto, um forte sinal do aumento da conscientização sobre o gerenciamento dos resíduos plásticos, e a necessidade urgente de mudanças políticas reais. Cidades e países estão impondo proibições, taxas e outras restrições às embalagens de uso único, em um esforço de mudar práticas comerciais”.

Os Democratas Liberais querem eliminar as exportações de resíduos plásticos até 2030, mas, o RU exporta, atualmente, 67% de seus plásticos de baixa qualidade. O objetivo é apenas um sonho?
Quando a China proibiu as importações, em abril de 2018, pesquisadores da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, estimaram que 11 milhões de toneladas de lixo chegariam ao país oriental até 2030. A China era o “depósito de lixo” de mais da metade do lixo produzido no mundo antes da proibição e, no pico, importava cerca de nove milhões de sucata de plástico por ano, de acordo com o Greenpeace.
A Índia também baniu a importação de resíduo plástico, se transformando no mais recente gigante a fechar suas portas para os problemas internacionais de reciclagem.
A questão adquiriu nova dimensão quando 187 países votaram para adicionar resíduos plásticos difíceis de reciclar à Convenção da Basiléia, um tratado liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que controla o movimento de resíduos perigosos de um país para outro.
Mikko Paunio, da Universidade de Helsinki alertou que a decisão da ONU de regulamentar os resíduos plásticos como perigosos e restringir as exportações desencadeará um “aumento de resíduos” em muitos países da União Europeia (UE).
O especialista em embalagens do RU Neil Farmer disse ao PackagingInsights que o problema da exportação de resíduos plásticos para a Ásia e Leste Europeu é um sério problema para o RU porque sua estrutura de reciclagem está muito abaixo de outros países como Alemanha e Noruega. “Esses países têm sistemas testados de eficiência comprovada. O RU está fragmentado e sofre com a falta de investimento em infraestrutura”.
Embora Farmer concorde com o objetivo dos Democratas Liberais de eliminar as exportações de resíduos plásticos até 2030, ele questiona como isso pode ser feito, já que, atualmente, o RU exporta 67% de seus plásticos de baixa qualidade. “Para reduzir esse número até 2030, será necessário fazer mais investimentos em infraestrutura e tecnologia de reciclagem, o que não é barato”.
Investimentos na economia circular
O Partido Trabalhista se compromete a investir em uma nova indústria de reciclagem de plástico para impulsionar o uso do conteúdo reciclado em embalagens e criar novos empregos. “No governo do País de Gales, os Trabalhistas transformaram o setor, colocando-o entre os cinco principais do mundo em termos de taxas de reciclagem”, diz um folheto do partido.
Enquanto isso os Democratas Liberais pretendem focar na economia circular para embalagens, proibindo plásticos descartáveis não recicláveis e substituindo-os por alternativas acessíveis. Uma proposta mais equilibrada, de acordo com Farmer.

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O plástico, por si só não é um problema
Para muitos, a crise dos resíduos plásticos é questão de manejo de resíduos, e não um problema com o próprio material. Um estudo de 2018 nos Estados Unidos e Canadá sobre os efeitos ambientais dos plásticos revelou que os plásticos são mais sustentáveis do que as alternativas de outros materiais em termos de uso de energia consumo de água, resíduos sólidos, emissões de gases de efeito estufa, camada de ozônio, eutrofização e acidificação. Na semana passada a Amcor, gigante global de embalagens plásticas, lançou uma campanha de marketing “Choose Plastic” para educar consumidores e clientes sobre os benefícios das embalagens PET.
A abordagem política e do público sobre o plástico está prejudicando os benefícios ambientais do plástico. E os principais partidos políticos estão ajudando a esclarecer a questão? “Não. Os partidos políticos não fazem o suficiente”, diz Farmer. “Eles percebem que as questões ambientais são temas sensíveis para o eleitorado, especialmente depois do programa de TV Blue Planet 2. A mídia contribuiu para aumentar a confusão nos últimos dois anos e, não existe um debate equilibrado”.
















