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Globalização E Mercosul Selectus nº 5802

Argentina seria o próximo país a cair na região?

América Latina 2020 – À medida que surgem as primeiras medidas do Governo de Fernández, os especialistas de The Economist Intelligence Unit e de S&P Global Ratings avaliam as perspectivas argentinas dentro do contexto regional e se as administrações provinciais estão em condições de sobreviver a um descumprimento da dívida pública soberana em 2020.

Fonte: ámbito.com - Tradução livre: Terra Viva

A onda de revoltas que assolaram a região este ano, similares às que viveram e vivem outros países do mundo inteiro, os analistas internacionais procuram qual será o próximo a cair na América Latina. A influente The Economist Intelligence Unit (EIU) analisou o panorama regional e sobre o capítulo argentina (com o título: “Argentina: rumo ao desconhecido”) considerou que, se bem o país parece ter todos os números para encabeçar a lista, existem alguns elementos que podem mudar o futuro, sem que isso represente não ser bastante desafiador.

“À primeira vista, a Argentina pareceria ser o principal candidato para a instabilidade política e distúrbios sociais, já que está em recessão há quase dois anos. A taxa de pobreza disparou, tem um dos maiores índices de desempregos entre os jovens da região, está envolvida em um controvertido e impopular acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), tem a influência de entorno político polarizado e tem uma história de protestos políticos e instabilidade”, diz a matéria. No entanto, “poucos são os indícios de que isto esteja sendo traduzido em distúrbio. O país atravessou eleições pacíficas, bem geridas e uma transição democrática, mas, o que virá depois?”

Se bem “a experiência do México e Brasil indica que qualquer coisa pode acontecer, o novo Governo deveria, teoricamente, ter um tempo para tomar pé da situação antes de que a insatisfação dos eleitores entre em jogo”. Em relação a isso cabe destacar a influência dos sindicatos com “laços historicamente fortes com a administração peronista” que seriam um apoio à estabilidade. O que poderia ajudar a produzir algum tipo de acordo tripartite entre Governo, empresas e sindicatos sobre medidas econômicas de emergência, facilitando a formulação de políticas nos primeiros meses do mandato de Alberto Fernández”.  

“Mas mesmo com tal acordo, as expectativas são altas e difíceis de serem cumpridas. Na campanha, Fernández prometeu restaurar o crescimento econômico sem apresentar nenhum plano claro de como produzir isso. O longo período de transição política trouxe muita especulação, mas, não houve muita sinalização das intenções do Governo. A nova administração tem pouco tempo para atuar se quer evitar um “default” desordenado, que seria muito prejudicial para a economia e poderia desencadear instabilidade política em 2020” prevê o EIU.

Segundo pesquisa de 2018 do Latinobarômetro (uma ONG com sede no Chile), a percepção dos latino-americanos sobre o seu futuro econômico está em seu ponto mais baixo dos 23 anos em que a pesquisa é realizada. “Existe um excesso de literatura econômica que indica que a tolerância das pessoas com a desigualdade está diretamente relacionada com suas próprias perspectivas de mobilidade ascendente. Portanto, à media que os latino-americanos ajustam suas expectativas a uma nova realidade econômica, cada vez mais saem às ruas para exigir mudanças no contrato social”, explica EIU. A isso se soma uma classe política autista e distante da população.

“Ainda que os países enfrentem desafios muito diferentes, nesta era digital e de globalização, existe um alto risco de contágio de protestos”. Ou seja, existe uma grande possibilidade de que 2020 seja outro ano volátil para a América Latina. O EIU avaliou os pontos de estresse que poderiam desencadear uma nova instabilidade em 2020 via um “Mapa dos riscos de instabilidade política” que segundo uma série de indicadores chave, mostram que o país com o maior número de pontos críticos em 2020 é a Nicarágua, seguido pela Guatemala, Brasil, Honduras, Chile, México e Paraguai. O Uruguai, a uma certa distância, se destaca como o país com o menor número possível de pontos críticos.

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