NZ – Governo ouve os partidos, não a ciência
Água/NZ – Os últimos resultados do GDT mostram que os produtos lácteos são resistentes aos impactos do coronavírus.
É provável que, em condições normais, a redução na oferta criasse um ambiente favorável aos preços. No entanto, se levarmos em consideração a baixa verificada em outros produtos e commodities agrícolas, os -2,9% não parecem um resultado tão ruim.
Mesmo estando no final da temporada, em termos de produção, o banco Westpac reduziu a previsão de NZ$ 7,40 para NZ$ 7,20/kgMS. Mantiveram o preço em NZ$ 7,30/kgMS para 2020/21, acreditando que os impactos do COVID-19 seja curto prazo.
O CEO da Fonterra, Miles Hurrell, falando ao site “The Country” confirmou que a cooperativa mantém a projeção na faixa de NZ$ 7,00 a NZ$ 7,60/kgMS. Os impactos financeiros são mitigados pela desvalorização do dólar Kiwi, que agora está valendo US$ 0,64, ante a cotação de US$ 0,67 de meses atrás. Como nação exportadora, a Nova Zelândia se torna mais competitiva com seus produtos agrícolas e como destino turístico.
Talvez um pouco surpreendente seja a queda do dólar kiwi em relação ao Yuan chinês. O Banco Central Chinês reduziu as taxas de juros e disponibilizou linhas de crédito para estimular a economia local. No entanto, isso terá pouco efeito até que a vida retorne à normalidade. Ironicamente, as vendas de cadeiras de massagem na China aumentaram em mais de 400% para atender a população que está “trancada” em seus apartamentos. Um relatório recente aponta que o número de infectados vem caindo na China (além da província de Hubei), e que junto com o cansaço geral de ficarem “confinados”, algumas pessoas já estão saindo de casa em muitas cidades chinesas. As ruas não atingiram sua vibração normal, mas, são sinais positivos de que os consumidores vão retornando. Em aparente contradição, o relatório diz que está havendo mais paralisações do varejo, preocupados com a propagação do vírus. É uma situação um tanto ambígua, principalmente porque os preços dos alimentos continuam aumentando, e em janeiro subiram 5,4%, puxados pela carne suína, +116%.
Governo ouve os partidos, não os cientistas
Com a atual seca se alastrando por muitas regiões da Nova Zelândia, eu me pergunto se os grandes críticos das barragens ainda têm dúvidas. Algumas pessoas parecem perder de vista o fato de que embora tenham consequências negativas, especialmente se não forem bem avaliados os impactos ambientais, elas também apresentação soluções positivas e não estamos falando somente da melhoria das terras dos produtores de leite. O Auditor John Ryan diz na introdução do seu trabalho “Refletindo sobre nosso trabalho de gerenciamento das águas”:
“O que não vimos foi um acordo claro entre o governo central e as administrações regionais sobre os recursos hídricos da Nova Zelândia – os problemas, os objetivos e as prioridades para a gestão da água a longo prazo, uma abordagem que deve ser procurada por todas organizações públicas e privadas. Para haver uma boa gestão da água, as entidades públicas devem estabelecer um objetivo, a forma de alcançá-lo e monitorar o progresso desses objetivos.”
Este é um comentário revelador sobre como é usado do debate sobre a água na Nova Zelândia e o Governo parece ouvir quem grita mais, ou tem o maior número de votos. Os governos locais também estão fora de sintonia com o Governo Central. O relatório mostra a queixa do Comissário do Meio Ambiente, Simon Upton: Os departamentos e conselhos governamentais estão tomando decisões sem informações e conhecimentos adequados.
A seca atual deve trazer para o centro do debate a questão da água. Não é o caso de não colocar as mãos nos recursos, mas, utilizá-los de forma a beneficiar toda a comunidade. O relatório destaca: “Uma coisa é estabelecer objetivos e prioridades, ter clareza sobre os resultados buscados e estabelecer metas. Outra é transformar isso em programas de trabalho de forma coordenada entre as organizações públicas”.
Com os cientistas sendo precisos em suas previsões sobre as mudanças climáticas e o consequente aumento de secas, obter fontes confiáveis de água é fundamental para muitas regiões do país.
“Também gostaria de ver uma abordagem mais abrangente e inclusiva da gestão da água doce na Nova Zelândia – é um recurso tão importante que não podemos mais nos dar ao luxo de ficar apenas discutindo sobre ele”, disse Elizabeth Soal, CEO da IrrigationNZ. Para ela, a água é essencial para assegurar saúde e prosperidade à Aotearoa, [Nova Zelândia, em língua Maori].
















