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Globalização E Mercosul Selectus nº 5909

Reforma na China pode abrir mercado ao País

Milho - O milho do Brasil, segundo exportador global deste cereal, poderá ter oportunidades de ingressar no mercado da China, que atualmente já é a maior compradora de uma série de produtos agrícolas brasileiros, com o país asiático realizando uma reforma no sistema produtivo após impacto da peste suína africana, disse um respeitado especialista.

Fonte: Diário do Comércio/MG
Reforma na China pode abrir mercado ao País

Marcos Jank, titular da cátedra Luiz de Queiroz de Sistemas Agropecuários Integrados no ciclo 2019-20 – entregue ontem ao ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli -, disse que a China passará a investir mais em sistemas modernos de produção de suínos, reduzindo granjas de fundo de quintal, o que demandará mais matérias-primas como milho e soja para as criações.

Segundo Jank, a China, que responde por metade da produção global de carne suína, está “eliminando o porco do fundo de quintal”, as pequenas criações que colaboraram com a disseminação da peste suína africana, que dizimou o rebanho asiático.

“Ela passa para granjas modernas, e essas granjas consomem milho e soja, quando sai da granja de quintal”, ressaltou ele, durante evento transmitido pela internet, que marcou também o lançamento do livro “Parceria Brasil-China em Agricultura e Segurança Alimentar”.

A China, maior importador global de soja, que responde por mais de 80% das exportações brasileiras da oleaginosa, é um comprador menos relevante de milho, uma vez que possui uma grande produção local, lembrou Jank.

Oportunidade – No caso do cereal, embora o Brasil seja um grande exportador atrás apenas dos Estados Unidos, não costuma vender aos chineses. “Acho que temos oportunidade de sermos fornecedores de milho para China, acho que é próximo produto”, ressaltou ele, destacando ainda que o Brasil já é o principal exportador de diversas mercadorias agrícolas aos chineses, como carnes, e poderia ofertar milho também.

“Acho que trigo e arroz é mais complicado, pela segurança alimentar. Mas há também oportunidades de o Brasil exportar lácteos e peixes, produtos cujo consumo cresce fortemente lá”.

Para o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, que também participou da palestra pela internet, o aumento expressivo registrado nas exportações agrícolas do Brasil para a China foi fruto de um “casamento entre o desenvolvimento da agricultura brasileira e a necessidade de segurança alimentar da China”.

Ele citou ainda que alguns desses fatos de sucesso na relação Brasil-China aconteceram ao “acaso” e avalia que uma melhor organização pode impulsionar ainda mais as relações comerciais entre os dois países.

“Existe grande oportunidade para que o próximo capítulo possa ser feito de forma integrada, para potencializar os interesses de ambos”, comentou Pessôa, que é autor de um dos capítulos do livro.

Além de Jank, a publicação tem como editores Pei Guo, da China Agricultural University, e Silvia Helena Galvão de Miranda, professora do departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP. 

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