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Especiais Selectus nº 5964

EUA - Leite cru pode fazer mais mal do que bem

Leite cru/EUA – O leite de vaca cru ou não pasteurizado das lojas de varejo dos EUA pode conter uma grande quantidade de genes resistentes a antimicrobianos se estiverem na temperatura ambiente, de acordo com um novo estudo de pesquisadores de Universidade da Califórnia (UCDavis).

Fonte: The Dairy Site – Tradução livre: Terra Viva
EUA - Leite cru pode fazer mais mal do que bem

O estudo também descobriu que bactérias que abrigavam genes resistentes a antimicrobianos podem transferi-los para outras bactérias, sendo um vetor de disseminação de resistência quando consumidos.

“Não queremos causar pânico entre as pessoas, mas é preciso educá-las. Se você quiser continuar bebendo leite cru, mantenha-o na geladeira para minimizar o risco de desenvolver bactérias com genes resistentes a antibióticos”, disse o autor principal do estudo Jinxin Liu, pesquisador de pós-doutorado do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UCDavis.   

Falta de probióticos

Estima-se que 3% da população dos EUA consome leite não pasteurizado ou cru, que não foi aquecido para matar os patógenos e aumentar a vida útil. O leite cru é frequentemente percebido pelos consumidores como abundante em probióticos, ou bactérias saudáveis, em comparação com o leite pasteurizado. Os pesquisadores da UCDavis não encontraram dados para essa afirmação.

“Duas coisas surpreendentes para nós” disse Liu. “Não encontramos grandes quantidades de bactérias saudáveis nas amostra de leite cru, e se você deixar o leite cru na temperatura ambiente, há um aumento bem mais intenso de genes resistentes aos antimicrobianos do que o leite pasteurizado”.

A bactéria com genes resistentes aos antimicrobianos, se transformada em um patógeno, tem um potencial de se tornar uma “superbactéria”, de forma a neutralizar os medicamentos destinados ao tratamento de infecções, não funcionando mais para tratar doenças. A cada ano, cerca de 3 milhões de pessoas contraem infecção resistente a antibióticos e 35.000 delas morrem, de acordo com os Centros de Controle de Doenças.

Quanto mais tempo, pior

Os pesquisadores da UCDavis analisaram mais de 2.000 amostras de leite do varejo de cinco estados, incluindo leite cru e leite pasteurizado de diferentes maneiras. O estudo descobriu que o leite cru tinha a maior prevalência de micróbios resistentes a antibióticos quando deixado em temperatura ambiente.   

“Nosso estudo mostrou que qualquer descuido com a temperatura do leite cru, intencional ou não, ele pode desenvolver bactérias com genes resistentes a antimicrobianos”, disse a co-autora Michele Jay-Russell, microbiologista pesquisadora e diretora do Centro Ocidental de Segurança Alimentar da UCDavis. “Não vai apenas estragar. É realmente um elevado risco o não tratamento adequado”.

Alguns consumidores deixam intencionalmente o leite cru ficar fora da geladeira, em temperatura ambiente para fermentar e fazer a conhecida coalhada. O co-autor e titular da Cátedra de Ciência de Alimentos Lácteos, David Mills, disse que se os consumidores comerem leite cru, eles provavelmente estarão adicionando um grande número de genes resistentes a antimicrobianos em seus intestinos.

“Você pode estar simplesmente inundando seu trato gastrointestinal com esses genes”, disse Mills. “Não vivemos mais em um mundo sem antibióticos. Esses genes estão por toda parte, e precisamos fazer tudo o que pudermos para interromper esses fluxos em nossos corpos”.

Embora outras pesquisas sejam necessárias para entender mais profundamente se os genes resistentes a antibióticos do leite cru se traduzem em risco à saúde para os humanos, Mills sugere que os consumidores utilizem uma cultura inicial se quiserem fermentar o leite cru, que carrega cepas específicas de bactérias para inocular o leite.

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