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Especiais Selectus nº 5985

Argentina – O preço ao produtor apenas cresce e perde poder de compra

Preços/AR – O preço pago ao produtor de leite pela indústria durante o mês de agosto subiu 1,7% em relação a julho. Chegou a AR$ 18,65 o litro, acumulando aumento de 8% desde o início do ano.

Fonte: agrositio - Tradução livre: Terra Viva
Argentina – O preço ao produtor apenas cresce e perde poder de compra

Desta maneira, fica bem atrás da inflação, que nos primeiros oito meses do ano está estimada em cerca de 18%. Tal como informou o Observatório da Cadeia Láctea (Ocla), apesar do crescimento das exportações e consumo estável, e até alta de alguns produtos lácteos no mercado interno, a deterioração do setor primário continua.

De fato, a queda no poder de compra medido em moeda constante fica evidente. Caiu 11% em relação a agosto de 2019.

Tomando como referência o dólar, o preço pago ao produtor ficou no último mês em US$ 0,25 o litro, 12,8% menos que em agosto de 2019, quando era de US$ 0,29.

Vale lembrar que na atividade se considera US$ 0,30 o litro como o ponto de equilíbrio para não trabalhar com prejuízo.

A situação crítica foi evidenciada dias atrás pela Câmara dos Produtores de Leite de Córdoba (Caprolec) e Mesa dos Produtores de Leite de Santa Fe (Meprolsafe), principais bacias leiteiras do país, que fizeram uma relação conjunta para que a indústria eleve “urgentemente” o preço que é pago pelo leite cru.

O mesmo expressaram a Câmara dos Produtores de Leite da Bacia Oeste de Buenos Aires (Caprolecoba). “Os valores pagos aos produtores hoje não cobrem os custos e estamos denunciando a situação ao Departamento de Laticínios da Nação. A maioria de nossos insumos estão dolarizados e isto agrava a situação”, destacou a entidade.

Em um período de 12 meses, com uma inflação estimada de 40%, o preço do leite ao produtor foi recomposto em 21,3% segundo dados do Sistema Integrado de Gestão de Laticínios da Argentina (SIGLeA).

Balanço lácteo

Ao contrário dos valores, os números quanto ao volume parecem mais positivos. Tanto o consumo estável, apesar da pandemia, como a alta das exportações permitiram “não gerar maiores excedentes da oferta no mercado interno ou a necessidade de construir estoques” destacou o Ocla.

Tomando como base os 7 primeiros meses do ano, o consumo per capita subiu para 104,6 litros de leite, 1,5% a mais que no mesmo período do ano passado (volume que anualizado sobe para 184,2 litros/hab/ano).

Claro que a demanda se dirige principalmente para produtos básicos (leites não refrigerados, queijos frescos e iogurtes em litro), e não tanto em produtos com maior valor agregado, que estão em franca queda de consumo nos últimos meses ( iogurtes, pastas, queijos processados, leites aromatizados, queijos curados, entre outros).

O Ocla também destacou que as vendas se dão dentro dos “preços tabelados”.

As exportações, no entanto, tiveram um forte aumento (+42,6%), principalmente de leite em pó integral (+102% na comparação interanual), com preços que nos últimos meses oscilaram entre US$ 3.000 e 2.800 a tonelada.

No total, foram exportados 1,33 bilhões de litros de leite, 22,3% do total produzido.

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