Argentina – Indústria láctea trabalha “full”, mas com menos rentabilidade
Indústria/AR – Com a elevação dos custos e a impossibilidade de reajustar os preços, as indústrias dizem que a margens encolheram muito.

Desde o início das medidas sanitárias para mitigar os efeitos da pandemia do Covid-19 a indústria se laticínios não parou suas atividades.
Por ser considerada atividade essencial e por ter um fornecedor – as vacas – que todos os dias gera matéria prima perecível, que mesmo refrigerada, precisa ser elaborada em no máximo 72 horas, as empresas do setor continuaram trabalhando.
A tal ponto que, durante os meses da pandemia, o ritmo de produção foi maior do que no ano passado, impulsionado pelo crescimento, em volume, do leite recebido e do aumento da demanda tanto para o mercado interno como para exportação.
Em Córdoba, segundo o Monitor da Atividade Produtiva elaborado pelo Ministério da Indústria da Província, a indústria de laticínios fechou agosto com uma produção média 24,5% acima do nível registrado em fevereiro. Na última semana do mês passado, o nível de ocupação nas usinas da província era de 97,1%.
Produção e demanda
A principal razão para este crescimento foi o aumento da produção de leite nas fazendas. Até julho, o volume já era 9% maior em relação a igual período de 2019, segundo dados do Ministério da Agricultura da Nação.
A essa maior quantidade de matéria prima se somaram, segundo as indústrias, maior demanda externa e elevação do consumo doméstico durante o isolamento social, que foi variando mensalmente e o mix de produtos.
“Quanto começou a pandemia, parecia que o mundo viria abaixo e não iria vender um quilo de leite em pó para nenhum lugar. De fato, a cotação internacional baixo de US$ 3.200 para US$ 2.500 a tonelada e sem negócios. Agora houve a recuperação para US$ 3.000, com um câmbio melhor”, observou Javier Baudino, industrial lácteo de Pozo del Molle e vice presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas de Laticínios (Apymel).

Ainda que as empresas do setor que foram consultadas pelo La Voz afirmem que estão trabalhando com a capacidade total, advertem que a rentabilidade do negócio é inferior à de um ano atrás.
Asseguram que existem produtos, como por exemplo algumas marcas de queijos frescos, cujo valor no atacado não mudou durante o ano. Mesmo os produtores que tiveram aumentos, os reajustes ficaram bem abaixo da inflação.
Enquanto isso os custos industriais crescem. Com o reajuste do último acordo trabalhista, segundo os industriais, o salário inicial de um empregado da categoria B passou de AR$ 34.600 para AR$ 62,392 em um ano.
No mesmo período houve atualização de 25% no preço do leite ao produtor, que ainda assim está defasado.
Além disso, muitos outros insumos utilizados são dolarizados.
Cenário
“Estamos com uma produção maior do que no ano passado e com um consumo que cresceu durante a pandemia, mas, em termos anuais está menor dos que nos primeiros oito meses de 2019”, disse Ercole Felippa, presidente da cooperativa Nafrey, empresa que entre janeiro e agosto vendeu mais volume no mercado interno do que em igual período do ano passado. “Temos 30% mais de mercado”, acrescentou.
Com uma recuperação na quantidade de litros de leite processados, as fábricas da SanCor de La Calota, Balnearias e Devoto, também operam com maior atividade do que em 2019.
A cooperativa reconhece que o crescimento poderia ter sido ainda maior se tivesse pessoal para sair na captação de leite. No começo da pandemia, vários lácteos da marca, como manteiga, doce de leite e a linha de queijos pastosos, ficaram sem estoques.
Na zona de Villa María, a empresa Capilla del Señor, dedicada à fabricação de queijos, alguns deles funcionais (por exemplo que ajudam a reduzir o colesterol), trabalhou em agosto com seus 35 empregados e 80% de sua capacidade instalada.
“Em setembro vamos chegar a 100% da capacidade, sise Álvaro Ugartemendia, gerente geral da empresa, mas os números da atividade são muito apertados.
Além de ser uma atividade essencial, os aumentos de contágio de coronavírus no interior da província acendem algumas luzes de alerta para a atividade.
Com uma captação de leite que ronda os 90 a 100 mil litros diários, em Coronel Moldes a empresa Cotahua trabalhou a pleno vapor até agosto. O ritmo foi interrompido em setembro, quando, pela aplicação de protocolos sanitários, vários trabalhadores (a maioria dentro da faixa de risco) deixaram de ir trabalhar.
“Tivemos que interromper o processamento por dois ou três dias e desviar o leite para outra empresa”, admitiu seu presidente Mario García Diaz. No entanto, a planta voltou a operar com 100% de sua capacidade na semana seguinte.
















