Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 6021

A Argentina está em condições de aumentar fortemente a exportação de leite

Leite/AR – Desde os US$ 1,8 bilhões de 2013, o valor das exportações de lácteos não pararam de cair. Recente relatório do Rabobank mostrou que a demanda de produtos lácteos no sudeste asiático nos próximo anos continuará crescendo de forma constante. Somente na China se estima que em 2030 haverá uma demanda equivalente a 15 bilhões de litros em importações de produtos lácteos.

Fonte: Clarín Rural – Tradução livre: www.terraviva.com.br
A Argentina está em condições de aumentar fortemente a exportação de leite

 Outros países (Indonésia, Malásia, Singapura, Filipinas, Vietnã e Tailândia) demandarão, segundo as mesmas estimativas, o equivalente a 19 bilhões de litros, formando um enorme mercado para os próximos anos e portanto, uma oportunidade importante para os países produtores de leite.

Enquanto isso, a produção da Argentina encontra-se estagnada há mais de 20 anos, mas a Fundação Produzir Conservando afirma que o país está em condições de sair dessa letargia, crescer em litros e aumentar as exportações capturando mercados.

“Em 1999 a Argentina produziu 10,3 bilhões de litros de leite e se manteve desde essa época até hoje, entre 9,8 e 10,8 bilhões de litros. Desta forma a Argentina representou somente 1,5% da produção mundial de leite em 2018, mesmo que tivesse condições de estar em uma posição de destaque”, afirma Francisco Oliverio, assessor da Fundação.

E acrescenta: “Olhando os últimos 10 anos vemos por exemplo, que a produção dos Estados Unidos entre 2010 e 2018 saiu de 85,5 bilhões de litros para 09,6 bilhões (15,3%) e Nova Zelândia no mesmo período passou de 17,3 bilhões para 21,2 bilhões de litros (22,5%). No Brasil o crescimento da produção foi constante nos últimos 20 anos para chegar a 33,5 bilhões de litros em 2017. Isto representou crescimento de 67% se levarmos em consideração que a produção no ano 2000 foi de 20 bilhões de litros”.

A Argentina está em condições de aumentar fortemente a exportação de leite

As exportações de produtos lácteos na Argentina cresceram significativamente entre o ano de 2000 a 2013, quando faturou US$ 1,78 bilhões. A partir de então caíram de forma constante, segundo dados disponibilizados pelo Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (Ocla), até chegar a US$ 726 milhões em 2017. Os produtos lácteos exportados em 2019 alcançaram 300 mil toneladas (10% menos que em 2018) e US$ 920 milhões (9% menos que em 2018). Dados de janeiro a agosto de 2020, apesar da pandemia de Covid-19, mostram crescimento de 31-35% em toneladas e dólares, quando comparado com o ano anterior.

A Argentina está em condições de aumentar fortemente a exportação de leite

Quais são os motivos pelos quais o setor lácteo argentino não participa mais ativamente no complexo agroindustrial exportador?

Oliverio destaca em primeiro lugar questões macroeconômicas e políticas que atentam contra a previsibilidade no longo prazo. “A eleva pressão fiscal nas atividades produtivas no país, os aspectos trabalhistas e a baixa eficiência e produtividade da mão de obra da indústria em geral, a intermediação excessiva e cara entre a saída de fábrica e o consumidor e a concorrência desleal que gera pela revisão fiscal e sanitária em uma indústria muito atomizada, é um combo difícil de resolver”, enumera o assessor.

Entre os aspectos puramente produtivos, Oliverio menciona a perda de rentabilidade que gera mudanças na dieta das vacas ao longo do ano, sem dizer os altos e baixos dos preços dos grãos. “As vacas preferem uma dieta similar todos os dias. A consistência é chave. Boa nutrição implica boa saúde do rúmen e portanto bom desempenho e boa produção”, explica.

Quanto à saúde, segundo a Fundação Produzir Conservando, também existe muito o que fazer ainda. “A Argentina é um país que até o momento não conseguiu controlar ou eliminar enfermidades como tuberculose e brucelose na maioria dos rebanhos leiteiros. A isso se somam questões ligadas às perdas embrionárias e abortos que diminuem o total de nascimentos nas fazendas e os problemas sanitários nos bezerreiros, limitando a criação de novilhas para reposição das vacas no sistema produtivo”, destaca, e agregando que a questão do conforto animal é crucial para a sustentação do sistema de produção.

“Sombras parciais e naturais no verão, currais sombreados, ventilação e pulverização de água são alguns dos investimentos relacionados ao conforto animal que têm maior impacto na produção e reprodução no verão”.

“Sem dúvidas o setor lácteo argentino tem grande potencial de crescimento e em função dos níveis crescentes da demanda externa, o potencial de gerar divisas com as exportações deveria alcançar valores muito acima dos US$ 1,8 bilhões alcançados em 2013. Não são muitos os países que conseguem apresentar taxas de crescimento da produção de leite como as que deveríamos ter no nosso país. Portanto, o desafio para os próximos ano será criar um quadro político econômico que permita um período de crescimento da atividade realmente importante”, concluiu Oliverio.   

Foto de capa: Pixabay.com

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients