Como o maior Acordo Comercial do mundo pode impactar no setor lácteo dos EUA
RCEP – A recente assinatura do maior acordo comercial de livre comércio do mundo foi notável pelo fato de excluir os Estados Unidos e a União Europeia (UE). Quinze nações Ásia-Pacífico assinaram a Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, sigla em inglês), que estende acordos bilaterais de multi-países já em vigor. “Isso deixa os Estados Unidos e a Europa fora, e que agora precisam negociar seus próprios acordos com esses países”, diz Betty Berning, analista do Daily Dairy Report.

Os signatários do acordo são exportadores de lácteos, como a Nova Zelândia e a Austrália, bem como mercados de importação importantes, como China, Japão, Coreia do Sul, Malásia, Singapura, Filipinas, Vietnã, Camboja, Tailândia, Indonésia, Brunei, Mianmar e Laos. Os 15 países do RCEP abrigam 30% da população mundial e têm um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 26 trilhões.
As economias na região do RCEP crescem rapidamente. “à medida que o nível de renda aumenta nessa parte do mundo, existem oportunidades para os principais exportadores agrícolas do mundo servirem a esses países”, diz Berning. “Mas sem termos de comércio favoráveis, a indústria de laticínios dos Estados Unidos de América (EUA) pode perder esses mercados”.
Conforme explicado por Berning, o acordo recém-assinado simplifica as cadeias de abastecimento e os processos alfandegários. “Também cria um certificado de regra de origem comum que tornará mais fácil para os países membros negociarem entre si”!, observa ela. “No entanto, embora o RCEP elimine cerca de 92% das tarifas regionais, é importante observar que antes do RCEP, muitos dos países membros já tinham acordos entre si e, portanto, já vigoravam tarifas preferenciais para inúmeros produtos lácteos”, acrescenta.
Enquanto a UE tem acordos com alguns países do RCEP, os EUA ficam para trás em termos de negociações comerciais, observa Berning. Por exemplo, em 2017, os EUA saiu das negociações da Parceria Trans-Pacífico, que também incluía diversos países do RCEP. Depois os EUA saírem desse acordo, os demais países negociaram o acordo comercial, Transpacífico (TPP, sigla em inglês).
“Para os lácteos dos EUA, os efeitos do acordo RCEP ainda estão sendo avaliados. Embora os EUA tenham um acordo comercial com a Coreia do Sul, não têm nenhum outro acordo com países do Sudeste Asiático, e a implantação do RCEP poderá fazer com que as exportações dos EUA para a região caiam, já que a Nova Zelândia e a Austrália atenderiam à demanda desses mercados”, diz Berning. “Por outro lado, o Japão, um mercado-chave para os EUA já tem um acordo de livre comércio com a Austrália e a Nova Zelândia que contém tarifas preferenciais sobre certas commodities agrícolas, incluindo lácteos”. Como as tarifas de laticínios do Japão serão mantidas sob o RCEP, não haverá mudança significativa, explica Berning. “As exportações dos EUA para o Japão provavelmente serão tão competitivas quanto eram antes do RCEP”, acrescentou ela.
No último ano, a indústria de laticínios norte-americana exportou 15% de sua produção de leite. “Se a indústria de laticínios dos EUA quer expandir a produção de leite significativamente, terá que aumentar as exportações” disse Berning. “Ao agir mais lentamente do que seus concorrentes nas negociações comerciais, os EUA diminuem sua vantagem no mercado global”.
Foto de capa: Andy Li por Unsplash
















