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Especiais Selectus nº 6028

Argentina – Políticas instáveis impactaram no crescimento do setor lácteo

Produção/AR – Segundo o site especializado Clal.it, apesar de seu potencial, nos últimos anos a produção de leite argentina se manteve em torno de 10 milhões de toneladas.

Fonte: CampoLitoral – Tradução livre: www.terraviva.com.br
Argentina – Políticas instáveis impactaram no crescimento do setor lácteo

Em 1999, “o grande país latino-americano produziu 10,3 milhões de toneladas de leite, o equivalente a aproximadamente 1,5% da produção mundial”.

A Argentina, no entanto, ficou para trás, enquanto que a produção nos Estados Unidos crescia mais de 15%, e na Nova Zelândia 22%. No país vizinho Brasil, a produção de leite subiu 67% nos últimos 20 anos.

O setor agroalimentar representa dois terços das exportações e, portanto é vital para a economia da Argentina”, destacou o site italiano. No entanto, as exportações de leite produtos lácteos aumentaram até 2013, alcançando um valor de US$ 1,6 milhões, e logo depois foram caindo para chegar a US$ 548 milhões em 2019.

Leite e derivados representam uma grande oportunidade de exportação dos países latino-americanos para o mercado asiático, começando pela China, mas também para a Malásia, Indonésia, Singapura, Filipinas, Vietnã, Tailândia e por isso o crescimento do setor é fundamental.

Argentina – Políticas instáveis impactaram no crescimento do setor lácteo

“Os dados de exportação da CLAL são procedentes do IHS Markit e diferem em sua magnitude dos dados da Alfândega/INDEC do governo argentino, por diferentes questões, tais como produtos e destinos considerados, mês de contabilização das exportações e sobretudo diferenças do valor na origem e no destino”, esclareceu o Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (OCLA).

Economia e políticas instáveis: os inimigos do setor

A instabilidade de variáveis macroeconômicas e políticas argentinas nos últimos 20 anos prejudicou enormemente a melhoria da eficiência produtiva, diagnosticou o boletim, e apontou a extrema volatilidade dos preços como o principal impedimento para que os produtores adotem investimentos em alimentação, saúde, bem-estar animal e gestão empresarial.

“Também bloqueou a modernização das estruturas tecnológicas lácteas e o desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento que é demasiada dependente de circuitos intermediários, que absorvem grande parte das margens de rentabilidade”.

“não existem muitos países com o potencial de crescimento produtivo como a Argentina. A melhoria da confiança nas instituições e um marco macroeconômico bem definido permitirá novos investimentos tanto no setor agrícola como no setor de transformação para explorar adequadamente estes potenciais”, concluiu.

O consumo de lácteos cresce, enquanto indústrias e fazendas trabalham no vermelho

Os últimos relatórios do OCLA indicam que as ajudas sociais e o congelamento de preços são a causa do incremento das vendas. Mas o valor que recebem indústrias e produtores se mantém muito defasado em relação à inflação.

Os subsídios sociais, o congelamento de preços e as compras governamentais sustentam o consumo nacional de lácteos, principalmente os de menos valor agregado e assim diminui a possibilidade das indústrias melhorarem o preço ao produtor.

O relatório “venda de Produtos Lácteos no Mercado Interno” do OCLA mostra que em setembro o a elaboração média de produtos lácteos cresceu 5%, enquanto que medidos em “litros equivalentes” foi de 3,2% em relação a igual mês do ano passado. No ranking existem ganhadores e perdedores: crescem fortemente o leite não refrigerado (Longa Vida), leite em pó desnatado e manteiga: enquanto caem leites achocolatados ou aromatizados, leites resfriados,  pastas e sobremesas lácteas.

Argentina – Políticas instáveis impactaram no crescimento do setor lácteo

“O consumo é sustentado, inclusive em relação a valores acima do ano passado, basicamente pelas ajudas sociais em todas as suas formas, e direcionado ao consumo de lácteos mais básicos e às maiores compras governamentais de leite fluido e em pó para assistência alimentar”, analisa o boletim. No último ano, segundo os dados publicados pelo INDEC, a “cesta básica de lácteos” mostrou uma inflação interanual de 14% contra 43,2% a média da inflação de alimentos e bebidas não alcóolicas.

Nos detalhes o OCLA destaca que “crescem as vendas de produtos mais básicos como leites não refrigerados, leite em pó, queijos cremosos (frescos), manteiga, doce de leite e iogurtes.

Por outro lado, alerta que “os produtos de maior valor agregado e/ou unitário, como iogurtes em potes, sobremesas, leites aromatizados, queijos curados, apresentam queda. Lamentavelmente, todos estes últimos são os que aumentam as margens da cadeia industrial, e consequentemente, proporcionam repasse ao setor primário”.

Argentina – Políticas instáveis impactaram no crescimento do setor lácteo

Segundo o levantamento, “houve mudança substancial nas compras de produtos lácteos, que passaram a ser de forma mais pontual, em varejos próximos, compras maiores e menos idas aos pontos de venda”. Comportamento que se relaciona com “compras para estoque familiar e controle de preços. Houve incremento significativo da compra de leites não refrigerados, e uma situação similar em relação à manteiga, doce de leite, queijos cremosos e iogurtes líquidos de litro”.

Por outro lado, com base no Balanço Lácteo estimado pelo OCLA, entre janeiro e setembro de 2020 surge um consumo total 1,5% superior ao ano anterior, enquanto que o consumo per cápita acumulado até setembro de 2020 é de 135,9 litros/habitante de leite equivalente, versus 135,2 em igual período de 2019 (+0,6%). “O consumo per capita corrigido por igual quantidade de dias para 2020 será de 182,7 litros/per capita/ano, ou seja, 0,2% superior a 2019”.

Apesar do congelamento de preços e subsídios que beneficiam os consumidores, os produtores sofrem com uma forte defasagem de preços. Em outubro, a média ponderada do leite pago ao produtor argentino a nível nacional foi de AR$ 19,59/litro (ou US$ 0,23/litro), segundo dados publicados pelo Departamento Nacional do Leite, com base nas informações declaradas de 355 indústrias de laticínios. Trata-se de um valor apenas 22% superior ao de um ano atrás, e muito abaixo da inflação de 37,2% dos últimos 12 meses.

Para os produtores existe um agravante a mais: a elevação do preço do milho deixa o poder aquisitivo para comprar alimento, um dos principais insumos do setor. Ao considerar a média mensal em Rosario do milho disponível, em outubro com o valor do litro de cru, poderiam ser comprados 1,32 quilos do cereal, 15% menos do que em setembro deste ano, e 38% menor do que em outubro de 2019.  

Foto de capa: Kevinsphotos por Pixabay

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