Europa deve ter contração; economia dos EUA ainda resiste
Contração na economia - A economia dos EUA continua a se recuperar da desaceleração causada pela pandemia, segundo pesquisa que mostra crescimento da atividade industrial e de serviços, apesar do aumento do número de casos de infecção.

Já a economia na Europa está em contração, à medida que os lockdowns destinadas a conter o coronavírus levaram a um forte declínio na atividade. A empresa de dados IHS Markit informou ontem que seu índice composto da atividade empresarial dos EUA (que cobre os setores de serviços e industrial) subiu para 57,9 em novembro, de 56,3 em outubro. Para a IHS Markit, o novo dado, que é uma estimativa preliminar para este mês, representa a taxa de crescimento mais forte para a atividade empresarial americana desde março de 2015. Uma leitura acima de 50 indica que a atividade está crescendo, enquanto uma leitura abaixo disso aponta para uma contração na atividade.
Um aumento no volume de novas encomendas ajudou a impulsionar a alta geral da atividade, enquanto a confiança das empresas também melhorou, segundo a IHS Markit. As empresas de serviços expandiram sua força de trabalho em novembro para acompanhar a demanda mais forte, embora as pesquisas mostrem queda na criação de empregos na indústria. Os dados foram compilados entre 12 e 20 de novembro e oferecem uma visão de como estavam as empresas americanas logo após a eleição presidencial, em meio a relatos de avanços nas vacinas. “As expectativas sobre o ano que vem subiram para o nível mais otimista em mais de seis anos, um reflexo da combinação de um aumento da confiança pós-eleitoral e de notícias encorajadoras de que vacinas podem permitir um retorno a condições de negócios mais normais num futuro não muito distante”, disse Chris Williamson, economista-chefe da IHS Markit. Ainda assim, uma disparada nos casos de covid-19 nos EUA representa um novo desafio para a recuperação econômica. O crescimento do mercado de empregos tem dado sinais de desaceleração e alguns Estados e cidades voltaram a impor restrições para combater a propagação do coronavírus.
Na Europa, os novos lockdowns começaram em final de outubro. Embora menos restritivas que as medidas do começo do ano, as novas medidas parecem ter atingido os serviços que exigem mais proximidade física, enquanto tiveram impacto menor em outras atividades. Na Europa, o setor de serviços representa cerca de três quartos da atividade econômica geral.
A atividade industrial continua a ser muito menos afetada do que no início do ano, mas o declínio no setor de serviços parece ser suficientemente grande para causar uma queda no Produto Interno Bruto (PIB). Se isso se concretizar, a zona do euro estará mais longe de voltar aos níveis de produção que tinha antes de que a pandemia eclodisse, no primeiro trimestre. A IHS Markit informou que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) composto para a zona do euro caiu para 45,1 em novembro, de 50,0 em outubro, e atingiu seu menor nível desde maio.
O índice para o setor de serviços caiu para 41,3, de 46,9 em outubro, indicando queda ainda maior da atividade. Em contrapartida, o PMI industrial continuou a apontar para aumento da atividade, embora num ritmo mais lento. “A queda nos PMIs foi muito menos severa que no lockdown do começo do ano, o que sustenta nossa opinião de que o impacto sobre a atividade será muito menor”, disse Rosie Colthorpe, economista da Oxford Economics, que espera que economia da zona do euro encolha 2,6% neste quarto trimestre.
No segundo trimestre, o PIB da zona do euro caiu 11,8%, subindo 12,6% no terceiro trimestre. As situações divergentes dos setores de serviços e manufatura ficaram evidentes no desempenho das duas maiores economias da zona do euro. A economia francesa depende fortemente dos serviços ao consumidor e viu um declínio acentuado na atividade em novembro. A Alemanha depende mais da indústria exportadora e sua economia segue crescendo.
O Reino Unido, em lockdown desde 5 de novembro, teve queda semelhante na atividade, mais concentrado no setor de serviços. As perspectivas para a economia da Europa nos próximos meses dependerão da capacidade dos lockdowns de conter a epidemia ao ponto de permitir que as restrições possam ser relaxadas.
Foto da capa: Pixabay
















