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Especiais Selectus nº 6030

Tendência para gorduras saudáveis

Gorduras – Consumidores mais jovens estão se distanciando do medo de engordar, abrindo novas oportunidades para o desenvolvimento de produtos em várias categorias revelou um estudo realizado em cinco países por analistas da indústria de alimentos. Trata-se do New Nutrition Business onde foi registrado que 34% das pessoas de 25 a 44 anos desejam comer mais gorduras saudáveis. Por outro lado, apenas 23% dos consumidores entre 55 e 64 anos que cresceram com o dogma nutricional ‘baixo teor de gordura é melhor para a saúde’ procuram gorduras mais saudáveis.

Fonte: Food Technology & Manufacturing – Tradução livre: www.terraviva.com.br
Tendência para gorduras saudáveis

A crescente aceitação da gordura é parcialmente alimentada pela visão de que os carboidratos e o açúcar são os novos vilões da dieta, com apenas 16% dos norte-americanos vendo a gordura como um nutriente capaz de causa ganho de peso, em comparação com 48% que atribuem a obesidade aos carboidratos e açúcares. É uma reviravolta completa em relação a uma década atrás, quando 70% dos norte-americanos tentavam reduzir o consumo de gordura.

Tendência para gorduras saudáveis

Julian Mellentin, diretor da consultoria de saúde do New Nutrition Business, disse que há uma grande diferença de sabor quando as pessoas descobrem gordura.

“A gordura é aliada dos desenvolvedores de produtos, melhorando a textura, sensação na boca, estrutura e teor de umidade. Em todas as categorias, com o passar do tempo, haverá menos motivos para produzir produtos com baixo teor de gordura. O desafio para as indústrias é garantir o uso de gorduras de boa qualidade e que tenham uma origem boa e natural”.

Mudar de opinão sobre a salubridade da gordura saturada está começando a remodelar as categorias. O estudo descobriu que as marcas estão se beneficiando com o declínio do medo de gordura dos consumidores.

No Reino Unido, a varejista Marks & Spencer comercializa um iogurte grego com 10% de gordura com marca própria, junto com suas linhas Zero de gordura, e 5% de gordura. Todas com o rótulo Eat Well [Coma Bem] da varejista, projetada ‘para ajudar os clientes a transitar na alimentação saudável’.

Seu concorrente, o Tesco, o maior grupo de supermercados do Reino Unido, também tem um iogurte grego de marca própria com 10% de gordura.

Deliciously Ella’s, marca popular entre os millenials preocupados com a saúde, e particularmente aqueles com dietas vegetais – oferece copos de manteiga de nozes adoçados com xarope de tâmara e açúcar de coco. O teor de gordura – de óleo de coco, manteiga de cacau e manteiga de amêndoa é de 23 gramas por 100 gramas.

Nos Estados Unidos, a Love Good Fats, uma startup fundada em 2017, distribuiu para mais de 20.000 lojas, incluindo Walmart, Kroger e Costco, seus lanches com “gordura saudável e baixo teor de açúcar”. Cada uma de suas porções contém mais de 12 gramas de gordura – aproximadamente 33 gramas por 100 gramas – de uma mistura de manteiga de amêndoa, manteiga de amendoim e óleo de coco.

Recentemente, obteve um financiamento de US$ 10,7 milhões para acelerar seu crescimento.

A norte-americana Yoplait também está aderindo à tendência de apresentar aos norte-americanos o creme fresco, uma  das sobremesas tradicionais com alto teor de gordura da França, que normalmente contém de 30 a 45% de gordura do leite.

As credenciais e o sabor totalmente naturais da manteiga impulsionaram o crescimento por muitos anos. O relatório descobriu que as vendas de manteiga – já em níveis recordes – aumentaram durante a pandemia, à medida que as pessoas passaram a comer em casa. O aumento em dólares que os consumidores gastaram com manteiga ultrapassou em 360% o aumento nos gastos com margarina e cremes de untar. O maior vendedor foi a marca irlandesa Kerrygold. As vendas cresceram 28,3% para US$ 235,4 milhões, tornando-se a marca de manteiga número dois dos Estados Unidos.

“O renascimento da gordura é uma tendência longa, lenta e constante”, disse Mellentin.

Ele está interligado a outras tendências, como menos carboidratos e mais proteínas, controle de peso e a crescente disposição dos consumidores em fazer suas pesquisas e desafiar especialistas e ortodoxias.

Foto de capa: Pixabay.com

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