A popularidade dos serviços de delivery pelo mundo
Delivery - Diante desse cenário de distanciamento social, proporcionado pela Covid-19, os restaurantes, bares e indústrias de alimentos e bebidas têm visto nos serviços de delivery uma alternativa para não fechar os estabelecimentos. E o Brasil é um dos mercados que mais apontam nessa direção, com 80% de penetração entre os consumidores com menos de 50 anos. O país fica atrás somente dos países asiáticos, e possui uma frequência média de consumo de 18 vezes ao ano.

A queda do consumo de alimentos e bebidas fora do lar, por conta da pandemia, tem custado às economias globais bilhões de dólares em receita. Ao todo, US$ 16 bilhões já deixaram de ser gastos com snacks e bebidas não alcoólicas no mundo, entre janeiro e agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019, segundo o estudo da Kantar, líder global em dados, insights e consultoria.
Desde 2019, 44% dos gastos com consumo fora do lar vinham da cesta de snacks e bebidas não alcoólicas, até que entre janeiro e agosto de 2020, essas duas cestas caíram 10% no mundo, com redução de 30% do consumo fora de casa e incremento de 9% de alimentação in home. A Europa foi inclusive a maior responsável por puxar esses índices para baixo.
No Brasil, o cenário agora é de estabilidade, já que os gastos fora do lar (OOH) retraíram 12%, e dentro do lar (IH) houve um crescimento no mesmo patamar, equilibrando o gasto total. A maior queda do número de pessoas consumindo esses produtos em lanchonetes, padarias, bares e restaurantes aconteceu entre os meses de março e abril deste ano, com sinais de recuperação em maio e certa estabilidade a partir daí. Ao todo, o consumo das categorias IH e OOH sofreram perdas de 5% no Brasil, desde o início da pandemia, enquanto nos países como Inglaterra e França essa queda total foi de 27% e 20%, respectivamente.
De acordo com a Kantar, isso se deve a dois fatores: a baixa popularidade dos serviços de delivery nos países europeus e a redução do consumo no canal, conhecido como Horeca, que são hotéis, restaurantes e cafés.
Apesar dos snacks mostrarem uma relativa recuperação no cenário global, com a transferência do consumo para dentro do lar, o setor de bebidas não alcoólicas registrou uma retração no gasto total (dentro e fora do lar) de 14%, no período de janeiro a agosto deste ano.
Além disso, as refeições principais – como almoço e jantar – contribuíram negativamente em 77% para a retração do gasto fora do lar. Por outro lado, houve um crescimento nos serviços de delivery, que se mostram como uma alternativa no setor para balancear os números.
Os serviços de delivery pelo mundo
No Brasil, um dos mercados com maior penetração do serviço, 15% das pessoas pedem entregas em domicílio uma ou mais vezes por semana; 40% recebem refeições em casa, entre uma e três vezes no mês, e 26% menos de uma vez por mês. Além disso, 44% tendem a incluir bebidas no pedido. O País fica atrás somente dos mercados asiáticos, em termos de popularidade e frequência de uso. Na China, por exemplo, 30% pedem delivery uma ou mais vezes na semana e, na Coreia do Sul, 60% o fazem entre uma e três vezes ao mês. Já na Inglaterra, 4% das pessoas usam o serviço mais de uma vez na semana, e 32% o fazem menos de uma vez ao mês.
No geral, para 59% da população mundial, o motivo de usar o delivery é por prazer, como uma forma de presentear a si mesmo e a família com uma refeição especial. Para o restante dos consumidores (41%), a conveniência é o que justifica. Mas esses números variam muito entre os países. Na Coreia do Sul, apenas 39% dos pedidos são feitos tendo o prazer como motivação. Já a América Latina é a região em que mais se usa o delivery, com base neste motivo: 75% dos consumidores no Brasil e 86% no México. Tanto é que 72% dos pedidos no
Brasil são feitos aos fins de semana, sendo a pizza e os hambúrgueres os pratos mais buscados.
Além disso, as classes mais altas são os maiores consumidores de refeições por delivery e a penetração desse serviço entre as pessoas com menos de 50 anos é de 80%. Já na Ásia, o consumo é mais popular e mais disperso entre a população. A penetração na Coreia do Sul é de 99% entre os shoppers com idade abaixo dos 50 anos e, na China, de 84%. Na Europa, a população mais jovem é que faz maior uso do serviço, já que o serviço ainda tem pouca penetração em diversas regiões e os consumidores se mostram mais resistentes em "substituir" as idas aos restaurantes. Na Inglaterra, apenas 36% dos compradores com menos de 50 anos usam o serviço e, na Espanha, 37%.
















