Evolução do comércio regional de produtos lácteos pode requerer medidas corretivas
Comércio regional – A Federação Panamericana de Leite (Fepale) publicou um relatório no qual destaca que “de 2006-2008 a 2018-2020, as exportações de lácteos na região cresceram 27%, enquanto que as importações subiram 44%”, e propõe duas hipóteses, uma das quais implicaria a necessidade de medidas corretivas.

Na América Latina co-existem países exportadores líquidos de produtos lácteos, como por exemplo Argentina, Uruguai, Nicarágua e Costa Rica, com importantes importadores como por exemplo: Peru e Chile.
Fepale elaborou uma breve análise na qual observa o comportamento do mercado de lácteos na América Latina e Caribe a partir do ano 2000, com estimativas e projeções para os anos 2019 e 2020, respectivamente com base nas informações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

“É possível distinguir vária etapas na série do gráfico, a partir da diferença de 4 bilhões de litros (equivalente leite) no ano 2000, e apartir de lá, a diferença vai ficando cada vez menor, até o ano de 2006, quando as importações ficaram estáveis e as exportações crescentes, reduzindo o saldo negativo à metade, ums 2 bilhões de litros”, explica a Fepale.
Acrescenta que “a partir de 2007 houve mudança no regime (deixando de lado o ano de 2010, que foi quando mais se sentiu na região o impacto da crise financeira internacional), com uma relativa estabilização em volume de exportações e um aumento nas importações, o que levou o saldo comercial regional aos mesmos níveis do início do século, uns 4 bilhões de litros equivalente leite por ano”.
A partir de 2006 as exportações cresceram 27% e as importações 44%
O comportamento descrito “pode ser observado com bastante clareza no seguinte quadro”, também elaborado com base nos dados da FAO. “Os volumes comercializados nos triênios, observa-se que entre 2000-2002 e 2006-2997, as exportações cresceram 75% enquanto que as importações somente 5%. Quando se analisa os períodos 2006-2008 e 208-2020, as exportações cresceram 27%, enquanto que as importações subiram 44%”.

As duas hipóteses da Fepale
A Fepale tem duas hipóteses para explicar esse comportamento, sendo que uma delas exigiria a implementação de medidas corretivas.
“Por um lado, a partir dos meados da primeira década do século XXI, houve aumento no consumo de produtos lácteos, como consequência da melhora generalizada nas condições econômicas da região”.
E por outro lado, “a produção de leite de vários países da região perdeu o dinamismo da década de noventa, o que se alguma forma diminuiu o saldo exportável e aumentou a demanda por importação”.
Cabe destacar que esse comportamento da balança comercial láctea na região “não é necessariamente negativa” uma vez que poderia estar vinculada à “modificações na estrutura econômica de alguns países, com mudanças em suas matrizes produtivas. Por outro lado, se esta redução nas taxas de crescimento (e consequentemente no saldo exportável) se deve a problemas de produtividade (eficiência e mudanças técnicas), então é importante que a cadeia láctea regional preste atenção ao fenômeno, para detectar os inconvenientes que impedem um melhor uso dos fatores produtivos (terra, trabalho e capital) e implementar as medidas corretivas necessárias”, concluiu.
















