Uruguai – Os desafios para o setor lácteo, segundo o INALE
Produção/UR – Uma delegação do Instituto Nacional do Leite (Inale) integrada pelo engenheiro agrônomo Álvaro Lapido, presidente; engenheiro agrônomo Carlos Sammarco, coordenador e o economista Francisco Rostán, compareceram à comissão de Pecuária dos Deputados para opinar sobre uma reforma geral da cadeia de lácteos do Uruguai.

Lapido disse que desde que assumiu sua gestão – em abril, em plena pandemia – o Inale vem trabalhando em distintas frentes “como o acesso aos mercados, que é uma das demandas da Câmara da Indústria de Laticínios do Uruguai, e tudo o que se relaciona com cotas, condições sanitárias e todos os requisitos necessários. Estamos dando atenção especial às relações trabalhistas porque no setor lácteo tem grande conflitos; no setor primário trabalhamos com uma rede tecnológica há quatro ou cinco anos”, contando com a colaboração de diversas entidades, como INIA, ANII, Universidade da República, LATU, Inale e Conaprole.
“Com isto quero informar que existe um modelo de produção testado e de sucesso, que foi adotado por muitas pessoas, mas requer investimentos para elevar a escala de produção, e melhorar indicadores como mais vacas por hectare, mais litros por hectare, mais sólidos por hectare. Muitos produtores têm acesso a isso, e existe um outro grupo que, pela situação econômica ou pela idade, não estão dispostos a fazê-lo. Por sua vez, tem uma outra parte de produtores que nos preocupa muito, porque, lamentavelmente, ficarão pelo caminho. Como disse, nos últimos cinco anos são 300 produtores a menos”, disse Lapido diante dos legisladores, segundo as notas taquigráficas.
Já o coordenador Sammarco acrescentou que “a estratégia fundamental dessa redução de custos de produção passar por mudanças na dieta animal, na estrutura de alimentos do rebanho leiteiro, com maior incorporação de pastagens como componente da dieta, em detrimento de concentrados ou reservas que são o maior custo. A rede tecnológica vem gerando informações e entregando elementos importantes para mudanças tecnológicas que proporcionem uma produção de menor custo e de forma sensivelmente mais simples”.
Objetivos para 2024
O Inale, em seu plano estratégico 2020-2024, que definiu em outubro do ano passado e terminou de ser ajustado e modificado para apresentar ao Ministério da Pecuária em julho deste ano, definiu seis objetivos principais convergentes ao aumento da produção competitiva do setor lácteo e aumento das exportações de lácteos. Atualmente, o setor fatura em torno de US$ 1 bilhão e em 2019 as exportações foram de US$ 650 milhões. Os 6 objetivos que o Inale se propôs a implementar para contribuir com a melhora da capacidade competitiva do setor são: melhoria do acesso aos mercados; incorporação de tecnologias de baixo custo de produção; melhoria da eficiência da indústria e fortalecimento do sistema de informação; esforço vinculado com as transferências de tecnologias e pesquisa; compromisso ambiental, aspecto chave vinculado com o uso dos recursos naturais; e bem-estar animal que hoje está sendo demandado pelos mercados e por nossos clientes do exterior.
Queda na produção de queijos
Em sua exposição, Rostán alertou que o Uruguai está produzindo 20% menos queijos do em 2014. “Houve uma queda muito significativa na produção de queijos. A captação se mantém constante. Isto quer dizer que está havendo mudanças na composição da produção”, explicou.
“Porque? Porque o produto mais dinâmico tem sido o leite em pó. Está havendo substituição da produção de queijo para o leite em pó. E nos últimos anos houve investimentos em torres de secagem de leite. Existem novos empreendimentos: Estancias del Lago e Alimentos Fray Bentos. A Conaprole faz uma torre de secagem e agora está terminando de fazer outra, também visando fabricar fórmulas infantis”, explicou o economista do Inale.
Como as margens proporcionadas pelo leite em pó são melhores que as dos queijos, as indústrias que têm a possibilidade produzem um pouco menos queijo e exportam mais leite em pó.
“O que vemos nesse contexto? Que de cinco indústrias que se dedicam em particular à produção de queijos, mas não produzem leite em pó, quatro perderam significativamente a captação. Um exemplo é a Calcar, que está processamento a mesma quantidade de leite há dez anos quando ainda tinha só uma planta industrial; hoje são duas. “Porquê? Porque existe uma concorrência pelo leite, e as empresas produtoras de queijo vão perdendo leite”, disse Rostán.
Acrescentou que as margens e os lucros da indústria “são muito escassos, dependendo do setor. Ou seja, é um negócio bastante complexo”.
Cerca de 60% do leite processado no Uruguai é secado, indo para o leite em pó para ser exportado. Uns 25% é para a produção de queijos. Os restantes 15% se divide em 10% para leite fluido e suas distintas categorias, e 5% para todos os outros produtos, como iogurtes. “Como a produção de leite em pó é a mais importante, faz com que os preços subam”, explicou Rostán.
















