Fórum Econômico Mundial: Brasil é um dos menos preparados para transformação econômica
Fórum mundial - Organização trocou tradicional relatório de competitividade por avaliação de como 37 países podem sair da crise e ampliar produtividade, sustentabilidade e inclusão. O Brasil aparece como um dos países pouco preparados para uma transformação econômica nos próximos cinco anos que implique melhora nos serviços públicos, investimentos verdes e digitalização, segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado nesta quarta-feira.

Em meio à pior crise sanitária e econômica dos últimos tempos, o Fórum suspendeu seu tradicional relatório mundial de competitividade e publicou uma avaliação de como 37 países podem sair da crise no caminho para ampliar a produtividade, a sustentabilidade da economia e a inclusão.
Nas 11 áreas consideradas prioritárias, envolvendo meio ambiente, novos mercados, inovação e capital humano, o Brasil fica abaixo da média em todas. O país aparece como o segundo pior, só atrás da Grécia, no item de atualização do currículo da educação e expansão de investimentos na qualificação necessária para empregos no mercado de amanhã.
Também é apontado como um dos três menos preparados, só atrás do México e da Rússia, em garantir que as instituições públicas incorporem princípios de governança sólidos e uma visão de longo prazo, e criem confiança ao servir seus cidadãos. No capítulo sobre uma taxação mais progressiva, o Brasil está na faixa baixa igualmente. Assim como no item sobre leis trabalhistas e proteção social necessárias para a nova economia e novas necessidades dos trabalhadores.
Uma pesquisa publicada no relatório, refletindo posição de executivos internacionais, coloca Brasil, Grécia e México como os três piores em termos de confiança no governo e índice de corrupção.
O relatório conclui que economias avançadas na digitalização se saíram melhor na atual crise. Holanda, Nova Zelândia, Suíça, Estônia e os EUA tiveram bom desempenho nesse segmento. Os países com robustas ‘’safety nets’’ (redes de proteção) econômicas, como Dinamarca, Finlândia, Noruega, Áustria, Luxemburgo e Suíça, também conseguiram dar apoio àqueles que não puderam trabalhar. As nações que conseguiram integrar políticas de saúde, fiscal e social foram capazes de mitigar melhor os efeitos da crise, como foi o caso de Cingapura, Suíça e Áustria.
Nos países desenvolvidos, líderes empresariais dizem ter constatado maior concentração do mercado, menor competição para serviços, menor colaboração entre companhias, no período de quase um ano de crise sanitária. Em mercados emergentes, líderes empresariais notaram um crescimento nos custos dos negócios relacionados a crimes e violência, menor independência do Judiciário, diminuição da concorrência, crescente dominação de mercado e estagnação na confiança em relação aos políticos.
Por Assis Moreira, Valor — Genebra
















