China – Descobrindo o setor lácteo
Leite – A China é um grande produtor mundial de leite de vaca, registrando 31 milhões de toneladas em 2019. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção de leite na China está prevista crescer 4,5% em 2021, chegando a 34,5 milhões de toneladas.

Além disso, as importações de produtos lácteos e ingredientes lácteos devem subir substancialmente, impulsionadas pela demanda do consumidor e pelas indústrias de processamento de alimentos. No relatório China Agriculture Outlook (2020-2029) a produtividade do rebanho leiteiro deverá melhorar continuamente em decorrência do crescimento das fazendas de grande escala (com mais de 100 cabeças por fazenda), diz o relatório do USDA.
Fazendas em grande escala adotaram ordenhas de última geração, técnicas mais precisas de alimentação e manejo da ração que aumentam a produção e a produtividade. Foi relatado que essas fazendas leiteiras representaram quase 70% do total das propriedades leiteiras da China em 2020.
Principais produtores mundiais de leite de vaca em 2019, por país (em milhões de toneladas)

Em agosto de 2020, o governo da província de Henan anunciou que iria fazer provisão para subsidiar com 5.000 renminbi (US $735) por cabeça os fazendeiros que aumentarem o rebanho de leite para mais de 100 cabeças. Adicionalmente, o governo de Henan também anunciou que iria subsidiar as fazendas que importassem vacas leiteiras (1.000 renminbi/US $147) por cabeça e até 5.000 renminbi/US $735 por embrião vindo do exterior.
O relatório China Dairy Data Report afirma que a província de Henan é a sexta maior produtora de leite, vindo atrás da Mongólia Interior, Heilongjiang, Hebei, Shandong, e Xinjiang. Essas 6 províncias do norte produzem perto de 66% de todo o leite fresco da China.
Comércio e consumo
A China é o maior importador mundial de lácteos, e a produção interna encontra-se estagnada desde 2008.

Há evidente crescimento no consumo e a lacuna criada entre a oferta e demanda é preenchida com importações. A previsão é de que as importações de leite fluido, principalmente nas embalagens UHT, chegarão a 980.000 toneladas em 2021, um aumento de 5% em relação a 2020, impulsionadas pelo crescente aumento da demanda dos consumidores e pelas indústrias de processamento de alimentos. De acordo com relatório da Agência PwC, “o leite UHT foi o primeiro produto lácteo a alcançar um consumo generalizado [na China, mas o leite fresco também vem se tornando popular com o crescimento da capacidade das cadeias de frios da distribuição, e os consumidores procuram produtos mais nutritivos”.
De acordo com o relatório, os consumidores chineses consumiram 97 gramas, diariamente, de produtos lácteos em 2019 – o número mostra a grande diferença em comparação com a média global que é de 303 gramas. De acordo com o USDA, a União Europeia (UE) continua sendo o maior fornecedor de leite fluido para a China, seguida pela Nova Zelândia. A importação de queijo pela China está prevista para subir 17% em 2021, dada a forte demanda. Os maiores fornecedores de queijos são Nova Zelândia e Austrália. As duas maiores indústrias de laticínios chinesas são Yili e Mengniu.
Foco em sustentabilidade
O fato de ter a maior população mundial, trás grandes preocupações ambientais – e não há dúvida de que a China precisa, urgentemente, desenvolver maneiras eficazes de motivar o consumo e a produção sustentáveis de alimentos.
A gigante dos alimentos Nestlé, anunciou no final de 2020 que estará investindo 400 milhões de renminbi no país, para completar a expansão e modernização do Instituto Nestlé Dairy Farming (DFI). O DFI também terá um papel importante no crescimento dos objetivos da companhia em reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na cadeia de suprimentos. Uma série de projetos para redução das emissões na própria fazenda da DFI serão adotados na fazenda de leite da própria DFI, que demonstrarão as melhores práticas, com o objetivo de explorar oportunidades para o leite fresco “Zero Carbono”.
Em artigo de Jialing Yu e Jian Wu, em associação com a Universidade Renmin da China, em Pequim, afirma que a China é responsável por 17% de todas as emissões globais de GEE. Como maior produtor e consumidor mundial do fertilizante Nitrogênio (N), o esforço chinês é fundamental para reduzir os GEE relacionados ao N. E acrescenta: “A inovação tecnológica ainda continua sendo o principal motor do crescimento da agricultura. Em março de 2018, a China também empreendeu uma reforma institucional substancial na estrutura do governo central, estabelecendo o novo Ministério de Recursos Naturais para acabar com a fragmentação burocrática do planejamento da terra e integrando responsabilidades regulatórios de controle da poluição (incluindo poluição agrícola) no novo Ministério de Meio Ambiente Ecológico, que deve facilitar o estabelecimento de um sistema de política coerente que atinja os objetivos agroambientais”.
Futuro das fazendas de leite
Na China, fazendas de grande escala utilizam modernas tecnologias de produção e técnicas de manejo alimentar para melhorar a eficiência produtiva e qualidade dos produtos. De acordo com um projeto do Ministério da Agricultura e Negócios Rurais (MARA, sigla em inglês), em janeiro deste ano, o governo irá continuar dando apoio aos agricultores e cooperativas de produtores: o projeto visa continuar construindo ou aperfeiçoando 1.500 fazendas de leite e 100 instalações de processamento de leite a cada ano, até 2022. Um relatório da PwC afirma que a modernização das fazendas de produção de leite na China foca na padronização, mecanização, melhoramento genético e escala da fazenda. E acrescenta: “a próxima onda será a mudança para ordenha e alimentação automatizadas e pecuária leiteira de precisão.
Essas tecnologias irão melhorar ainda mais a eficiência, produtividade e saúde animal. Os sistemas automatizados de ordenha (AMS) são usados, atualmente, para apenas 1 a 2% das vacas chinesas”.
















