NZ – Atualização do TLC NZ x China fará com que o Uruguai perca competitividade
NZ x China – Esta semana a Nova Zelândia e a China assinaram a atualização do Tratado de Livre Comércio (TLC) NZ x China, estabelecendo comercialização com tarifas 0% de produtos lácteos e madeira, a partir de 2024.

O setor lácteo uruguaio é um dos mais sensíveis no mercado internacional, razão pela qual é protegido por diversos mecanismos como cotas ou exigências sanitárias, entre outras medidas. Em 2019 o setor representou 7% das exportações uruguaias de bens, segundo o boletim do Uruguay XXI. As tarifas pagas pelas exportações do setor lácteo uruguaio ficaram perto de US$ 30 milhões em 2019, sendo o segundo produto com maior pagamento destas taxas. Os principais produtos do setor, e os de maior pagamento de tarifas são leite em pó integral, manteiga e queijos.
A China é o terceiro destino em importância para os lácteos do Uruguai, pagando 12% para entrar com leite em pó integral e queijos.
Ricardo Reilly, representante dos produtores de carne do Instituto Nacional de Carnes (INAC), explicou a El Observador que o Uruguai será impactado pela postura da Nova Zelândia, como um forte ator agroexportador, que tem acordos com diferentes potências mundiais, além de se encontrar uma posição geográfica privilegiada com o centro da demanda mundial de alimentos, que é a China.
“O Uruguai precisa buscar, rapidamente, uma forma de não ficar alheio ao mapa de negócios do mundo”, disse. Acrescentou que seguramente depois da pandemia “o mundo ficará mais protecionista, e será muito importante para o Uruguai, quer seja de forma independente, ou em bloco com o Mercosul, procurar melhorar o acesso, tanto tarifário como sanitário para suas exportações”.
Alvaro Pereira, chefe do departamento de Acesso e Inteligência a Mercados do INAC, destacou que o acordo firmado esta semana vinha sendo discutido desde 2015, e foi uma atualização do primeiro acordo entre os países.
O técnico explicou que “não existe grandes novidades para o capítulo de carnes”, porque a tarifa 0% para este produto está firmado entre a China e a Nova Zelândia desde 2008.
“Os acordos não são letra morta, e uma vez que existe comércio com o novo acordo são identificadas novas restrições, o comércio vai mudando, aparecem problemas emergentes. É muito característico isso dos neozelandeses estarem bem preparados e trabalharem sempre em busca de mais e melhores acessos, que com um acordo em mãos não se deram por satisfeitos e foram buscar outro”, acrescentou.
Forte concorrência
“A Nova Zelândia goza de ter tarifa 0% com a China há vários anos e o Uruguai está com tarifa 12%. O Uruguai já está com essa diferença de 12 pontos”, disse Pereira sobre a carne bovina e ovina.
Reilly explicou que o Uruguai comercializa 80% de sua carne “sem tarifas alfandegárias preferenciais; somente 20% da carne uruguaia exportada para o mundo conta com alguma preferência”.
Para o delegado do INAC, o Uruguai deve ficar atento ao mercado internacional, e não somente a esse acordo. “Ficou demonstrado que a pandemia não foi um limitante para que o mundo continue se movendo e matéria comercial, e os países continuam gerando acordos comerciais para melhorar suas condições de acesso e o Uruguai, e toda a América Latina hoje, está correndo o risco de ficar fora do mapa dos negócios se não se mover com inteligência no curto prazo”, alertou.
Produtos Lácteos
Foram mantidas todas as condições existentes para os produtos lácteos, com todas as tarifas alfandegárias preferenciais que serão eliminadas no prazo de um ano para a maioria dos produtos, e de três anos para o leite em pó.
















