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Especiais Selectus nº 6064

Reino Unido - Perspectivas do mercado lácteo

Mercado lácteo/Brexit – Os mercados lácteos sobreviveram aos desafios apresentados pelo Covid-19 e o Brexit em 2020. Agora podemos respirar aliviados por termos um acordo comercial com a União Europeia (UE), garantindo nosso maior mercado de exportação para o futuro. No entanto, ainda existem alguns desafios no horizonte, à medida que os lácteos se adaptam às novas formas de trabalho.

Fonte: Fonte: AHDB – Tradução livre: Terra Viva | Foto de capa: Pixabay
Reino Unido - Perspectivas do mercado lácteo

- O comércio com a UE se tornará mais complexo, adicionando custos e barreiras à circulação de bens e serviços;

- A busca de novos acordos comerciais irá expor o setor agrícola do Reino Unido (RU) a mais concorrência, tanto em termos de importações, quanto o acesso aos mercados de exportação;

- A mudança no apoio governamental para pagamentos de bens públicos em vez de produção aumentará a ênfase no uso eficiente de recursos e na adoção de novas tecnologias;

- Os consumidores estarão mais atentos às normas ambientais de produção de alimentos e darão maior importância à sustentabilidade ao fazer escolhas.

A entrada de 2021 não foi apenas o início de um novo ano, mas também o início de um ano de mudanças substanciais para a agricultura. As fronteiras de nossos mercados foram redesenhadas após nossa saída da UE. Novos acordos comerciais estão sendo firmados. É o início da transição para um novo método de comércio agrícola, e os consumidores transformam hábitos de compra mais preocupados com a saúde e o meio ambiente.

As fazendas de leite de 2021 em diante, terão as cores dessas mudanças e a habilidade de se adaptar será fundamental para obter sucesso. Com muito mais incertezas no horizonte, manter o desempenho agrícola em níveis sustentáveis, e melhorar a resiliência será crucial para se adaptar ao mercado em constante mudança e ao cenário geopolítico.

Saída da UE

Desde o dia 1º de janeiro o RU está operando fora do mercado comum europeu, embora o Tratado de Comércio e Cooperação (TCA) assegure que nenhuma tarifa ou imposto serão aplicados às mercadorias que cruzarem as fronteiras. No entanto, o aumento da complexidade no comércio com a UE significará elevação de custos e provavelmente, resultará em redução no volume de negócios. Haverá novas restrições à circulação de serviços e mão de outra entre o RU e a UE.

Muitas empresas de laticínios, especialmente aquelas que lidam com produtos perecíveis, podem precisar mudar suas operações para se adaptarem aos novos custos de venda para a UE. Isso pode levar a alguma reformulação de produto, mudança no foco operacional, ou, em alguns casos, investimentos em novas capacidades.

Um exemplo, o custo adicional e o risco maior de enviar produtos frescos, como creme a granel para o continente, pode incentivar a transformação do creme em manteiga para consumo na própria Grã-Bretanha, aumentando potencialmente, nossa autossuficiência.

Outra área impactada com nossa saída da UE diz respeito ao trabalho. O aumento das dificuldades em obter mão de obra qualificada pode aumentar os custos, tanto em termos de recrutamento, como de salários. Isso destaca a necessidade de investir em pessoal por meio de treinamento e desenvolvimento para benefício de longo prazo.

Comércio mundial

Deixar a UE permitirá ao governo do RU negociar novos tratados de comércio. Já estão em curso negociações com os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, ao mesmo tempo que acordos já existentes irão continuar, como os do Japão e do Canadá. Esses acordos proporcionarão oportunidades e ameaças à nossa indústria de laticínios, facilitando o acesso aos principais mercados de importação, mas também abrindo nosso mercado à concorrência.

Negociar em pé de igualdade com nossos principais concorrentes significa que nossos custos de produção precisarão ser comparáveis, ou melhores, para garantir a expansão nos mercados, tanto interno quanto externo. Isso se aplica a toda a cadeia de abastecimento e coloca em evidência a necessidade de garantir que o leite seja produzido de forma eficiente e dentro de parâmetros sustentáveis e obter o valor máximo do mercado.

Política agrícola

Embora a renda das fazendas de leite dependam menos de pagamentos diretos do que outros setores da pecuária, a substituição por pagamentos ambientais terá impacto sobre a renda agrícola futura. A mudança de foco, em linha com a tendência geral em direção à sustentabilidade, provavelmente afetará a contribuição relativa dos pagamentos para a renda geral e pode alterar o equilíbrio entre a produção de alimentos e o meio ambiente.

Olhando para o futuro, isso aumenta a importância de ter métodos claros e acordados para medir e monitorar os impactos ambientais, especialmente em torno de áreas como emissão de carbono e uso da água.

O movimento do governo e da indústria em direção ao ZERO Carbono, combinado com a preocupação do consumidor com o impacto dos lácteos na natureza, significa que a agricultura precisará se concentrar em minimizar o uso de recursos naturais, e ao mesmo tempo, maximizar a eficiência. Em muitos casos, minimizar o impacto ambiental é compatível com economia de custos, tornando a decisão relativamente simples. Mais desafiadores, no entanto, serão os problemas ambientais, que levam a custos elevados. Isso aumentará a importância do acesso a tecnologias e de projetos a serem adotados como medidas políticas.

Mudanças de consumo

Com o caminho para a ‘normalidade’ depois do coronavírus parecendo ser mais longo do que o imaginado, o retorno da demanda aos serviços de alimentação será gradual, e depende do sucesso da vacina. Combinado com o aumento de atritos comerciais, o mercado de lácteos entrará em uma fase de ajustes pelo menos na primeira metade de 2021, e possivelmente além, dependendo de como será o desempenho da economia.

É preciso focar nas necessidades da indústria para se adaptar, mas, também olhar os riscos para a lucratividade. Será importante que os produtores compreendam os riscos enfrentados por seus compradores e os mercados de seus compradores, para avaliar o potencial de tendências de preços.

Novamente, isso aumenta a necessidade do produtor conhecer e controlar os custos durante esse período de incertezas.

Olhando mais na frente, os requisitos de demanda do consumidor estão mudando e, embora o preço e a qualidade continuem importantes na tomada de decisões de compra, as credenciais ambientais da produção de alimentos serão cada vez mais examinadas. Esse será um fator chave para a sobrevivência de empresas e produtos – tanto em termos de obtenção de contratos quanto de consumidores.

Somando-se a isso, há a tendência de os consumidores reduzirem o consumo de carnes vermelhas e lácteos por acreditarem que são mais saudáveis e menos nocivos ao meio ambiente. Para a indústria, será importante comprovar as propriedades dos lácteos de forma transparente e equilibrada, ressaltando a importância de políticas bem elaboradas.

Resumo

No longo prazo, os laticínios têm muito potencial para aumentar seus mercados; é um alimento saudável e rico em nutrientes e o RU está bem colocado com os recursos naturais e as condições para produzi-lo de maneira sustentável.

Crucial para um desenvolvimento bem-sucedido e sustentável será conseguir transmitir ao consumidor as boas práticas de sustentabilidade e que a cadeia de suprimentos seja capaz de atender a esses requisitos ambientais de maneira econômica.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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