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Importações chinesas de milho geram debate sobre real demanda do país

Milho/China - As importações chinesas de milho são alvo de acalorados debates no mercado internacional porque elas levantam dúvidas sobre a real demanda do país, disse o Commerzbank em relatório divulgado hoje.

Fonte: Fonte: Valor Econômico | Foto de capa: Pixabay
Importações chinesas de milho geram debate sobre real demanda do país

“Não está claro, por exemplo, de quanto é o déficit no país, depois de a última safra ter sido afetada por tempestades e inundações”, escreveu a analista Michaela Helbing-Kuhl. “Temos dos dados de importações e pedidos, mas sempre existe a possibilidade de cancelamento destes últimos.”

Exportadores americanos relataram a venda de 1,7 milhão de toneladas de milho para a China com entrega prevista para o ano de comercialização 2020/21, segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicado hoje. As empresas dos EUA são obrigadas a informar vendas iguais ou superiores a 100 mil toneladas, e o mercado se atenta a essas informações como indicativos de demanda.

Oficialmente, a China diz ter produzido 260,7 milhões de toneladas de milho, volume também divulgado pelo USDA. No entanto, o escritório do USDA em Pequim já expressou críticas consideráveis sobre a qualidade do grão, alegando que pelo menos 8 milhões de toneladas não são adequadas para consumo devido aos níveis de toxicidade.

“Aparentemente, menos milho também está disponível nos armazéns estaduais, depois que 4 milhões de toneladas de milho ‘desapareceram’ dos silos”, continua a analista. Dito isso, ela considera que os estoques gerais ainda estão muito altos, equivalendo a quase três quartos de uma safra.

O escritório do USDA espera que as importações de milho pelos chineses totalizem 22 milhões de toneladas em 2020/21, enquanto o número oficial do USDA ainda é de 17,5 milhões de toneladas. Outras estimativas - muitas delas dos Estados Unidos - chegam a 30 milhões de toneladas.

A abordagem da China para as importações de milho também não é particularmente transparente. “Pode-se apenas especular que emitiu novas cotas livres de tarifas e que a tarifa de 65% consolidada na OMC para quantidades superiores a 7,2 milhões de toneladas não está sendo aplicada”, diz o Commerzbank.

Dados os altos preços, parte da demanda do país por milho provavelmente será substituída por trigo ou arroz. O USDA estima que a China importará 9 milhões de toneladas de trigo na atual safra, bem acima dos 5 milhões e 3 milhões de toneladas dos dois anos anteriores.

A China também poderia reduzir a demanda por milho importando produtos processados, como o etanol, diretamente. Isso também pode beneficiar os EUA.

De acordo com fontes da indústria dos EUA, pedidos de mais de 200 milhões de galões de etanol já foram recebidos da China no primeiro semestre. Esse volume já é mais do que o recorde anterior, de 2016, conclui o banco no relatório.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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