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Especiais Selectus nº 6066

Argentina – “Perigo de extinção”: os produtores de leite recebem os menores preços do mundo

Preços/AR – A Câmara do Leite pediu uma “saída urgente” para a produção leiteira, que atravessa um período de elevação de custos junto com tabelamento de preços. A entidade alertou que os produtores de leite do país recebem os menores preços do mundo e destacou que o tabelamento de preços do Governo afeta a cadeia de um modo geral.

Fonte: Fonte: La Nacion – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Unsplash.com
Argentina – “Perigo de extinção”: os produtores de leite recebem os menores preços do mundo

Segundo a Câmara - integrada pela Sociedade Rural Argentina (SRA), Coninagro, Federação Agrária e Confederação Rural Argentina (CRA) -, ”desde meados de 2020 o produtor está recebendo um preço insuficiente, pelo leite que produz em sua fazenda”. Para a Câmara, a atividade está em “perigo de extinção”.

“Atualmente o litro de leite pago a AR$ 21,36 não é suficiente para cobrir os custos de produção, que tem 80% de seus componentes dolarizados. Não recebemos nenhum incentivo e nossa carga tributária é muito mais alta que no resto do mundo”, diz a Câmara.

De acordo com o boletim do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (Ocla), a título de exemplo, em dezembro passado a cadeia perdeu dinheiro. Segundo o trabalho, em dezembro último o resultado setorial da cadeia foi negativo em AR$ 3.054 milhões. Foi deficitário em AR$ 2.112 milhões no setor primário e vermelho em AR$ 942 milhões no setor industrial.

“Por 16 meses consecutivos os resultados foram positivos, mas, em dezembro completou o sexto mês seguido em que a cadeia de valor teve prejuízo. O balanço setorial mostra um resultado negativo de AR$ 3.054 milhões, aproximadamente AR$ 3,00 por litro de leite, ou US$ 0,036/litro). Comparado com igual mês do ano passado o resultado está deficitário em AR$ 3.123 milhões, já que para o mês analisado o valor do ano passado foi positivo em AR$ 69 milhões. Faltam US$ 0,04 por litro de leite produzido desde o ano passado”, destacou o Ocla.

Para a Câmara do Leite, os produtores recebem os menores valores do mundo. “Os produtores argentinos recebem US$ 0,24/litro, muito longe dos US$ 0,33 históricos, que se requer para cobrir os custos de produção médios. Nossos concorrentes a nível mundial, assim como nosso vizinho Brasil, recebem hoje, até US$ 0,44/litro, com custos equivalentes ou menores aos nossos”, explicou.

Segundo a entidade, o setor “ainda é duramente impactado pelo programa de Preços Tabelados”, além das retenções, com “restituições insignificantes”.

Os preços tabelados na indústria tampouco melhoram o valor interno. Enquanto seus custos subiram quase 50% no ano passado, os preços autorizados pelo Governo permitiram aumentos médios de 7,4%.

“Não podemos permitir que uma atividade tão importante como a produção de leite desapareça. Os argentinos precisam continuar consumindo produtos lácteos de qualidade produzidos por nossos agricultores mobilizados em uma atividade econômica, que gera emprego especializado e dinamismo no interior do país”, afirmou a Câmara.

A entidade protestou contra a intervenção governamental no mercado nestas condições e destacou que o setor lácteo é “parte da solução”.

“Queremos crescer e desenvolver. Para isso devemos substituir propostas que distorcem o mercado, e que não são aplicadas em lugar nenhum do mundo, por medidas que possibilitem a atividade econômica do setor, o acesso aos produtos lácteos essenciais aos setores mais desprotegidos da sociedade, com medidas que focalizem a demanda, e que ao mesmo tempo possibilitem a entrada de divisas que o país tanto precisa”, destacou.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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