NZ – O mercado de laticínios atingiu um ponto ideal, mas grandes desafios permanecem
Produção/NZ – O efeito combinado dos três últimos leilões do Global Dairy Trade (GDT) fez com que as cotações dos lácteos subissem 11% desde o Natal. O preço do leite ao produtor terminará a temporada em maio de 2021, acima de NZ$ 7,00 por quilo de sólidos (kgMS).

Isso significa que pelo segundo ano seguido o preço do leite ao produtor excederá NZ$ 7/kgMS. É a primeira vez que isso ocorre.
Também significa que os anos adversos de 2015 e 2016 ficaram para trás. Eles foram impactados pelo fim das cotas lácteas na União Europeia (UE) e o consequente aumento de produção.
Em todos os últimos cinco anos os preços do leite aos produtores da Nova Zelândia ficaram acima de NZ$ 6,00/kgMS. Comparando com períodos anteriores, e na ausência de eventos disruptores, a volatilidade foi bem menor.
Seguramente é tempo de reverem suas posições, aqueles que acreditam que a produção de leite é coisa do passado, e não do futuro. As mensagens vindas do mercado indicam aumento da demanda global de lácteos. E não é nenhum segredo as razões para que isso esteja ocorrendo.
No caso da Nova Zelândia, o grande motor do crescimento é a demanda da população chinesa. Atualmente, aproximadamente 65% dos produtos vendidos na plataforma GDT vão para a China.
Para aqueles que acham terrível uma dependência tão grande da China, é importante entender que as decisões sobre o destino das compras não ocorrem na Nova Zelândia. São as companhias chinesas que compram produtos da Nova Zelândia pela plataforma online, a partir de seus escritórios na China.
Muitos dos produtos lácteos da Nova Zelândia são comprados para serem utilizados como ingredientes no processamento de alimentos. E há uma boa razão para que isso ocorra: a sazonalidade dos laticínios na Nova Zelândia.
Muitas pessoas do setor acreditam que o leite sintético irá dominar o mercado nos próximos dez ou quinze anos. Eu duvido que isso ocorra.
Os leites vegetais, por sua vez, não são comparáveis aos leites de animais. Não criam filhos saudáveis. O leite de arroz e de aveia são, inerentemente baixos em proteínas. O leite de soja tem alto teor de proteína, mas não substitui integralmente o leite de vaca.
O leite de laboratório que imita o leite animal tem grandes desafios pela frente, e por boas razões. Os leites de animais possuem tanto caseína como proteína do soro de leite.
Aprofundando o assunto, encontramos os motivos: o leite animal contém caseínas alfa, beta e gama, uma multiplicidade de proteínas e de ácidos graxos. A natureza não produz produtos tão complexos por acaso.
Mesmo quando a ciência resolver todos esses problemas, desenvolvendo uma estrutura que imite um úbere real, existirá a necessidade de captura de energia para o mecanismo funcionar. Mesmo que seja energia do vento, solar ou qualquer outro mecanismo. Também haverá a necessidade de transformação da energia do sistema, presumivelmente em eletricidade, para fazer funcionar o “úbere fábrica”. E isto não será barato.
Apesar de todos esses aspectos positivos, o setor lácteo da Nova Zelândia enfrentará ainda, muitos desafios. O primeiro grande é a lixiviação do solo pelo nitrogênio. O segundo é o escoamento de fósforo para a lama durante o inverno e que está associado ao bem-estar animal. O terceiro é a liberação de gases de efeito estufa (GEE).
É provável que já existam soluções ao nosso alcance para solucionar os dois primeiros problemas, embora esse pensamento não seja ainda completamente aceito pela indústria.
Afirmo, para registro, que o futuro da produção leiteira na Nova Zelândia passará pela utilização de “composting mootels”, [Composting barns] para o final do outono e durante o inverno, onde as vacas passarão grande parte do dia urinando e fazendo cocô em suas camas.
Pode parecer estranho para a forma tradicional de produção kiwi, mas a tecnologia da compostagem é uma realidade disponível para que as vacas possam permanecer aquecidas, limpas e secas.
O outro grande problema é a emissão de GEEs. O melhor é procurar soluções científicas e lógicas.
O recente relatório da Comissão de Mudanças Climáticas espera que o número de vacas diminua em 15% até 2030, mas não fornece recomendações específicas de como isto irá ocorrer.
Embora o número de vacas tenha que ser reduzido, existe o reconhecimento de que os lácteos representam boa parte da economia do país. Consequentemente, a Comissão não pretende que a produção de leite diminua significativamente. Projeta maior produtividade animal.
Neste aspecto, a única certeza é o imprevisível.
















