Milho e trigo: quanto incidem os grãos no preço final dos alimentos
Inflação/AR – Um estudo privado confirma que a influência é baixa e impactam mais outros custos como salários, energia, aluguéis, impostos e fretes.

A falta de Alberto Fernández sobre uma possível elevação das retenções e imposição de cotas para exportação acendeu a luz amarela no setor agropecuário. Assim, a Câmara Setorial irá se reunir com o Presidente para explicar que o campo não é o gerador de inflação.
Então, quanto influenciam os grãos no preço final dos alimentos?
Segundo um boletim da Bolsa de Cereais de Buenos Aires elaborado recentemente, o milho representa 12% do preço final dos alimentos onde ele é o insumo principal. Ele representa 21% do preço do frango inteiro tabelado, 13% nos ovos, 12% no frango em pedaços, 10% no porco, 8% no leite e 7% na carne bovina.
O trigo representa 13% do preço do pão.

Impacto do milho e do trigo no preço dos alimentos
“Nos produtos estudados mais de 80% do preço ao consumidor não depende do preço doméstico dos grãos, mas sim de custos como salários, energia, aluguel, impostos, fretes e outros custos da distribuição, que acompanham a evolução do nível geral de preços da economia”, destaca o estudo.

Incidência dos grãos nos alimentos
Isto significa que a cada redução de 1% no preço doméstico do milho reduziria potencialmente, 021% no preço do frango inteiro tabelado, 0,13% no preço dos ovos, 0,12% do frango em pedaços, 0,10% da carne de porco, 0,08% no leite e 0,07% da carne bovina. Da mesma forma, uma redução de 1% no preço do trigo doméstico, provocaria redução potencial de 0,13% no preço do pão.
“O preço ao consumidor final depende de múltiplos fatores, que são potencializados em um contexto inflacionário, e que na prática, certas reduções podem nem sequer serem observadas”, diz a Bolsa portenha.
Em 2020, os preços do trigo e do milho aumentaram 80% e 91% respectivamente. Este aumento explica somente 0,48 pontos percentuais da elevação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Cidade de Buenos Aires, que mostrou incremento de 30,5% interanual no mês de dezembro. O cálculo é feito multiplicando a variação dos preços dos grãos pelo percentual de incidência.
“Desta forma, através dos produtos analisados, a elevação dos preços dos grãos representou somente 1,57% da inflação de 2020. Os outros 98,43% são de responsabilidade de outros fatores não relacionados ao comportamento do trigo e do milho”, assegura o estudo.
A conclusão do trabalho é que o preço dos grãos representa um percentual relativamente baixo do preço final dos alimentos, e que portanto, tem uma incidência menor ainda no IPC. A maior parte está relacionada com outros insumos e custos, como salários, energia, aluguel, fretes, impostos e outros custos da distribuição.
“Portanto, políticas voltadas a evitar a elevação do preço de grãos não têm efeitos significativos sobre os preços dos bens de consumo. Uma política destinada a combater as causas da inflação, incluindo a dos alimentos, deveria basear-se em outras ferramentas de política monetária, cambial e fiscal”, finaliza o estudo.
















