EUA – A indústria ainda enfrenta incertezas, diz o USDA
Mercado/EUA – O setor lácteo dos Estados Unidos da América (EUA) entrou 2021 ainda instável, depois das interrupções sem precedentes de 2020, em decorrência da pandemia do Covid-19, disse o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) durante o Fórum anual da Agência sobre as Perspectivas setorial.

“O setor lácteo tem mostrado uma habilidade indiscutível de adaptação às mudanças de cenário, restrições aos mercados de alimentação, hotéis e suspensão de aulas escolares. E apesar da volatilidade nos mercados, os preços foram, em grande parte do ano de 2020, favoráveis à expansão da atividade leiteira”, disse o USDA.
De 1º de janeiro de 2020 a 1º de janeiro de 2021, com a grande maioria dos aumentos ocorrendo na segunda metade do ano, houve melhoras nas margens dos produtores e junto com o clima favorável, proporcionaram ganhos de produtividade.
Em 2020, a média de leite por vaca cresceu 1,4% por dia, o maior percentual de aumento desde 2016. Junto com um dia adicional de ordenha em 2020, devido ao ano bissexto, a produção total de leite aumentou 2,1%. O surto de Covid-19 e as restrições impostas aos setores de hotéis, restaurantes e institucionais (HRI) assim como as incertezas em relação à economia global, comprimiram a demanda e provocou o aumento dos estoques de um grande número de produtos, assim como acrescentou um elevado grau de volatilidade nos preços dos produtos.
Durante o ano, processadores e produtores pressionados por gargalos nos canais de distribuição, descartaram leite (principalmente no mês de abril) e mudaram os padrões do mercado tirando vantagens nos preços dos produtos que tinham demanda.
Os preços no segundo trimestre caíram fortemente à medida que o setor iniciava ajustes para equilibrar oferta e demanda. A recuperação dos preços do leite veio na segunda metade do ano para a média de US$ 18,32/cwt, [R$ 2,28/litro], quando a demanda do varejo melhorou, e as exportações de manteiga, leite em pó desnatado/leite desengordurado seco (SMP/NDM), e produtos de soro de leite superaram os níveis de 2019.
As compras governamentais para os programas de alimentação a populações vulneráveis sustentaram os preços dos produtos lácteos. No entanto, no final do ano, os estoques de alguns produtos lácteos estavam bem grandes. Os estoques de manteiga eram os maiores desde 1992, os de queijo tipo americano tiveram o maior crescimento desde 1984, e os de NDM foram os mais altos desde 2004.
Perspectivas para 2021: mais leite, estoques elevados, padrões incertos da demanda e elevados preços da alimentação animal.
Neste início de 2021, a situação do setor lácteo dos EUA é “instável” na melhor das hipóteses, disse o USDA. O setor está diante de incertezas quanto ao tempo ou caminho de retorno a uma demanda que possa ser chamada de “normal”, ou alguma coisa parecida.
A previsão para a produção de leite é de crescimento de 1,9% em relação a 2020, totalizando 227,4 bilhões de libras, [aproximadamente 99,85 bilhões de litros]. Com a maior oferta e grande estoques de alguns produtos, os preços do leite deverão ficar sob pressão.
Os produtores de leite enfrentarão preços menores, junto com alimentação animal mais cara. A previsão é de que a ração se mantenha no maior nível de preço desde 2014. Isso provavelmente levará ao encerramento do ciclo de expansão do rebanho leiteiro, e será decisivo para o declínio do inventário de vacas durante o ano. No entanto, apesar das margens reduzidas do produtor, a expectativa é de que a produtividade animal aumente a taxas mais rápidas do que as verificadas nos últimos anos. Este poderá ser um fator de apoio ao aumento da produção de leite e de seus componentes.
















