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Argentina – Promessa de financiamento no Dia do Produtor de Leite

Dia do Produtor/AR – No “Dia do Produtor de Leite”, 23 de fevereiro, o setor não passa por um bom momento. Alejandra Badino, dona de um pequeno estabelecimento localizado no coração da bacia leiteira de Santa Fe - Cañada Rosquín - a quem entrevistamos no ano passado, voltou a ser parte das notícias ao receber a visita do Diretor Nacional do Leite, Arturo Videla. E também recebeu uma ligação telefônica do Diretor de Produção Leiteira e Apícola da província, Abel Zenklusen.

Fonte: Fonte: Bichos de Campo – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Unsplash.com
Argentina – Promessa de financiamento no Dia do Produtor de Leite

“Hoje se fizeram presentes, porque falei, levantei a mão e me escutaram”, disse Badino em uma nova entrevista a Bicho de Campo. Sem agenda programada nem comunicado oficial, a visita chegou depois de um pedido quase desesperado que Badino fez em uma recente nota publicada no jornal La Nación, onde comentava que: pela situação econômica se via obrigada a fechar seu estabelecimento e pedia ao presidente do país, Alberto Fernández, que fosse ao campo, e escutasse os produtores.

Na primeira entrevista concedida a Bichos de Campo a produtora também havia feito um pedido similar, dirigido diretamente a Arturo Videla: “Peço que percorra o campo e escute os produtores de leite e veja tudo o que está atrás de um litro de leite. Do que recebemos, quase 70% vai para os animais e sua alimentação”.

A visita de Videla à sua propriedade finalmente ocorreu e durou duas horas: ali Videla conversou por longo tempo com ela e seu marido, que relataram seu dia a dia e as dificuldades que estão enfrentando. O Diretor Nacional do Leite se comprometeu a encontrar soluções para que nem ela, nem outros pequenos produtores de leite tenham que encerrar suas atividades.

“Trabalho com prejuízo há muito tempo e tudo ficou mais complicado nos últimos meses", lamentou Badino. O combo de insumos dolarizados (grãos, sementes, fertilizantes, etc) com preços estagnados em pesos complica demais, principalmente para quem, como ela, se dedica exclusivamente à produção de leite, e tem pequena escala.

Badino assegurou que, apesar de na conjuntura atual ter pensado em fechar a fazenda, uma luz de esperança apareceu depois de falar dos seus problemas com Videla.

“Conversamos muito e é positivo que tenha vindo nos visitar: estabeleceremos um plano de trabalho imediatamente para ver qual solução encontramos”, declarou.

Videla também deu declarações a Bichos de Campo logo depois da visita à produtora de leite e afirmou que voltará a Cañada Rosquín para organizar uma jornada de trabalho com autoridades nacionais, provinciais, técnicos do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) e produtores de leite. “Queremos elaborar um plano de trabalho que inclua monitoramento e financiamento”, assegurou.  

Alejandra e seu marido têm a sorte de serem proprietários da fazenda e se ocupam pessoalmente de todas as tarefas junto com seus filhos, dado que não possuem empregados. Entretanto, com o preço de 23 pesos o litro do leite não conseguem viver.

Da terceira geração de produtores de leite, Alejandra se define como uma pequena produtora em uma fazenda que produz de 1.200 a 1.300 litros por dia, com 40 vacas em ordenha. Ficou à frente da propriedade por 29 anos e em seus 55 anos de vida realiza com gosto o ofício que seu pai lhe ensinou e ao qual se apega porque para ela é “um elo com a terra”.

Em dezembro passado o Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (Ocla) junto com a Fundação para a Promoção e Desenvolvimento da Cadeia Láctea Argentina (FunPEL) disse que 48,6% das fazendas argentinas produzem menos de 2.000 litros de leite diariamente. Os pequenos produtores que integram esse estrato produzem em torno de 15% da oferta total do leite do país.

#PoucoFelizDiadoProdutordeLeite

Produtores da Província de Buenos Aires começaram uma mobilização para protestar contra a estagnação do preço do leite.

Bichos de Campo adiantou nesta semana que a Mastellone Hnos, a principal indústria de laticínios da Argentina anunciou a seus produtores que pagarão pelo leite de fevereiro o mesmo que foi pago no mês passado.

Além de financiar com recursos próprios o programa oficial de preços tabelados, as indústrias de laticínios que integram o programa – como Mastellone Hnos e Danone – começaram a sofrer uma série de perseguições por parte do governo federal.

Não é a melhor notícia para comemorar o Dia do Produtor de Leite – 23 de fevereiro – dia que também se comemora a fundação da União Geral dos Produtores de Leite, criada em 1920, a organização sindical mais antiga do país.

Para completar, o Ocla divulgou hoje um boletim informando que uma “fazenda média argentina” vem trabalhando no vermelho, depois de ter passado por um período favorável que foi de 2019 a 2020.

Argentina – Promessa de financiamento no Dia do Produtor de Leite

O problema do leite é que compete pela terra com outras atividades agropecuárias e os produtores, ou suas famílias, vão perdendo a paciência com cada crise. E assim, vão saindo pessoas do setor.

Por isso, um grupo de produtores se reuniu na Sociedade Rural de Trenque Lauquen, coração da bacia oeste de Buenos Aires, e depois do encontro emitiram um comunicado à imprensa destacando a preocupação com a política oficial.

“O governo insiste em controlar e intervir na cadeia láctea - regulamentar o preço nas gôndolas -, que já sabemos qual é o elo que absorve a diferença”, destacam os produtores de leite integrados na Confederação de Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap). “Avaliam realizar protestos para que o elo produtivo seja valorizado”, advertiram.

Também disseram que as medidas tomadas pelo governo estão dentro de uma lógica de curto prazo, típico da política local, o que termina causando os efeitos contrários aos desejados.

“É necessário que o governo entenda que o setor lácteo é vital em nosso país, que não pode haver intervenção em nenhum elo, porque invariavelmente impactará em toda a cadeia. Hoje pode forçar um preço na gôndola e amanhã o mesmo consumidor será afetado quando não houver leite disponível e a demanda eleve os preços”, avaliam.

Finalmente, pediram para que as indústrias de laticínios cumpram com os reajustes de preços prometidos para fevereiro e março. E também que o governo nacional elimine os direitos de exportação vigentes para os lácteos, além de reduzir os prazos para a devolução dos impostos de exportação de tais produtos.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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