China – Demanda por leite fluido cresce
China – A demanda chinesa por importação de leite fluido cresceu 50% ao ano por mais de uma década e as perspectivas são de que esse crescimento seja mantido mesmo com o aumento da oferta interna, diz o Rabobank.

O consumo de leite fluido pelos chineses aumentou fortemente em 2020 e a expectativa é de que continue crescendo na próxima década, criando oportunidades de exportação para os produtos lácteos da Nova Zelândia e de outras regiões importantes produtoras de leite, de acordo com o analista do Rabobank, Michael Harvey.
Falando em sua mais recente análise no RaboResearch podcast, Harvey disse que houve uma demanda muito forte por leite fluido ou “White Milk” na China em 2020, apesar do impacto da pandemia de Covid-19.
“A demanda chinesa por leite tem potencial de crescimento no longo prazo – principalmente por fatores chaves como baixo consumo per capita, forte investimento público e privado no setor devido aos benefícios à saúde proporcionados pelos lácteos”, disse ele.
“No momento, as grandes indústrias de laticínios da China começam a apresentar os resultados completos de 2020, sendo interessante observar que muitas relatam o rápido crescimento no faturamento do “White milk”. Empresas como Yili e Mengniu, por exemplo, tiveram crescimento de dois dígitos nas vendas dos leite longa vida (UHT), atribuindo o resultado à percepção dos consumidores de que os lácteos trazem benefícios à saúde e ao bem-estar”.
Harvey disse que o leite fluido tem sido um mercado de grande crescimento para muitos exportadores de lácteos do mundo todo na última década, sendo que os exportadores da Nova Zelândia, Austrália e União Europeia (UE) foram os principais beneficiários.
“As importações de leite fluido pela China alcançaram alguns importantes marcos em 2020, com setembro do último ano sendo o primeiro mês a serem importadas 100.000 toneladas de leite fluido em um mês. No último ano também pela primeira vez a China importou mais de um milhão de toneladas de leite fluido”, acrescentou Harvey.
“Ao comparar isso com 2008 – quando apenas 8.000 toneladas de leite fluido foram importados pela China – pode-se ter uma ideia de como o crescimento foi forte. Esse crescimento representa uma taxa anual composta de 50% ao ano”.
Aumenta a fatia de mercado da UE
Harvey disse que, um dos três grandes exportadores de leite fluido para a China (Nova Zelândia, UE e Austrália), a UE conseguiu o maior aumento nos volumes de exportação em 2020. “Houve aumento de 28% nas exportações da UE-28 para a China no ano passado, em particular, um forte crescimento da Alemanha – o maior exportador do bloco – que aumentou os volumes em cerca de 31%”, disse ele.
“Os volumes de leite fluido da Nova Zelândia para a China também cresceram e subiram 9%, enquanto os volumes procedentes da Austrália permaneceram estáveis”.
Harvey disse que o forte crescimento das exportações de leite fluido da UE foi principalmente em decorrência das mudanças nas dinâmicas do mercado local. “Na UE houve grande número de lockdowns e outras medidas relativas à pandemia que reduziram o consumo no bloco. Muitos dos principais mercados da UE, como a região do Norte da África também, tiveram problemas significativos relacionados ao Covid-19, e isto combinado com as perturbações políticas e civis na região, impactou no fluxo das exportações para esses mercados”, disse ele. “Assim a UE direcionou o aumento de volume de leite fluido para a China e aumentou a participação neste mercado”.
Harvey disse que a proximidade entre a Nova Zelândia e a China e os fortes laços comerciais entre os dois países serão sustentáculos para o aumento das importações de leite fluido pela China, no entanto, a Nova Zelândia deve ficar atenta em relação à concorrência da UE.
“Os exportadores de leite fluido da Nova Zelândia para a Ásia são muito competitivos, e estão bem preparados para competir no longo prazo. Mais importante, a procedência do leite da Nova Zelândia estará habilitando as exportações para esses mercados gerando valor adicional para as indústrias”.
Ventos contrários no curto prazo
Embora a expectativa da demanda importadora de leite fluido pela China seja de continuar o crescimento no longo prazo, Harvey disse que existem alguns obstáculos imediatos para o crescimento do consumo do leite fluido.
“Muitas das principais marcas de lácteos chinesas estão relatando pressão nas margens em 2021, procedentes de dois problemas principais: Primeiro, o custo de produção local do leite que se aproxima de níveis recordes, em decorrência principalmente do custo da alimentação animal para as fazendas corporativas chinesas. Em segundo lugar, o aumento no consumo do leite fluido nos últimos tempos veio à custa da queda no consumo de outros produtos com maior valor agregado e margens mais elevadas, como iogurtes e leites aromatizados”, disse ele. “Para combater o resultado de margens apertadas, algumas marcas chinesas de lácteos estão aumentando seu preço no varejo para o leite e isso pode ter impacto negativo no consumo do leite fluido em geral”.
Harvey acredita que o surto regional do Covid-19 pode ser também um possível entrave ao crescimento do consumo de leite fluido.
















