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Especiais Selectus nº 6082

Argentina – “Que os sólidos dos pequenos deixem de subsidiar a água branca dos grandes”

Produtor/AR – No Dia do Produtor de Leite argentino, Fernando Córdoba do MeProLSAFE analisou o cenário adverso e detalhou as estratégias para defender os produtores de menor escala.

Fonte: Fonte: Campo Litoral- Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Campolitoral.com.ar
Argentina – “Que os sólidos dos pequenos deixem de subsidiar a água branca dos grandes”

Segundo estimativas oficiais, a Província de Santa Fe possui 3.300 estabelecimentos produtores de leite. O número pode não ser exato, já que muitos trabalham na informalidade. Desse total, aproximadamente 78% ficam na região central (Departamentos de Castellanos e Las Colonias), enquanto que 16% ficam radicados no Norte e os restantes 6% ao sul da província.

Outro dado interessante, é que desse total, a metade corresponde a “pequenos produtores”, que ordenham até 150 vacas cada um, e entregam em média uma produção diária de 2.150 litros de leite.

Grandes e pequenos

Como a cada 23 de fevereiro se comemora o Dia do Produtor de Leite, em homenagem à criação da Unión General de Tamberos (UGT) em 1920, o CampoLitoral falou com Fernando Córdoba, titular da Câmara de Produtores Leiteiros de Santa Fe (Meprolsafe), para falar sobre a realidade produtiva.

“É um dia para comemorar, já que é uma atividade memorável para a região; além de ser um dos pilares da alimentação nacional e da permanência de pessoas no campo, o leite significa tradição e geração de empregos (4 diretos mais 20 indiretos)”, garante.

Segundo Córdoba, embora não tenha sido registrado fechamentos em grande escala, existem razões para alarme, porque se estas condições forem mantidas, podem desencadear um colapso, sobretudo entre os pequenos.

“Não houve encerramento maciço, mas estamos observando uma concentração. Se a situação permanecer muitos produtores estarão em perigo, principalmente entre os menores, que são os que não têm capacidade de adaptação”.

Incertezas

A Meprolsafe é uma entidade que hoje conta com quase 700 associados e vem trabalhando questões sindicais e técnicas. “Estamos estudando o impacto dos antibióticos no leite; os contratos dos produtores de leite que podem reduzir o faturamento pela metade”, afirma ele em referência ao monotributo, [uma tributação simplificada para pequenos produtores] que pode passar para o Regime Geral e pagar impostos, se a AFIP [Receita Federal da Argentina] não tomar nenhuma decisão logo.

Vulnerabilidade

Outro aspecto que prejudica fortemente os produtores é o aumento do preço dos grãos. “Estão em uma situação de vulnerabilidade muito grande. Faz 4 meses que recebemos abaixo dos custos de produção. Mudou drasticamente a equação com o aumento dos cereais a nível internacional, já que o milho é o custo mais alto na alimentação das vacas, e o preço do leite não acompanhou. Somos consumidores de milho, e quando plantamos é para uso próprio”.

Agenda para superação

Córdoba destaca que estão trabalhando no poder de estabelecer um sistema de pagamento por qualidade (com base nos sólidos e composição higiênico sanitária). “Que não nos paguem pelo leite branco, sem analisar o que tem dentro. E ver como conseguiremos um mecanismo de fixação de preços da matéria prima”, e afirma que, semanalmente, reuniões estão sendo realizadas com todas as entidades e o diretor de Leiteria, Arturo Videla, via zoom. “Na sua gestão anterior já estava tudo pronto para fazê-lo, inclusive já havia entrado em acordo sobre o momento de ser adotado, mas a Câmara da Indústria de Laticínios (CIL) ajuizou medida cautelar na justiça, que foi derrubada duas vezes pelo Ministério da Agricultura, autorizando o pagamento por qualidade, mas a administração de Sammartino nunca implementou”.

Sobre isto, explicou que para os produtores menores, geralmente o maior problema está na unidade formadora de colônias e células somáticas. “o primeiro altera de um dia para o outro, já que implica a limpeza do tanque e da ordenha. O outro leva um pouco mais de tempo, mas pode ser feito em um ano”. E explica que a vantagem dos pequenos, é que ao ter menor produção, seu leite contém mais sólidos, “por isso acreditamos que solucionando esses temas, o produtor pequeno poderá ter um preço melhor do que o que recebe hoje”.

Embora sempre haja diferenças em termos de bonificação por volume, “acreditamos que é preciso acabar com o subsídio dos produtores pequenos, com mais sólidos, à água branca dos produtores grandes. Hoje, ao olhar os controles leiteiros em publicações especializadas, se vê que muitas vezes os grandes não chegam com a quantidade de sólidos exigidos pelo código alimentar argentino, uma injustiça que precisa acabar”.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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