Uruguai - As desigualdades de gênero no setor agropecuário
Especial Mulheres – A violência de gênero no setor rural, o não reconhecimento das empresárias agropecuárias e as diferenças no acesso aos recursos produtivos entre homens e mulheres são algumas das situações de desigualdade que o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) identificou no levantamento realizado para a criação do Plano Nacional de Gênero nas Políticas Agropecuárias.
No âmbito rural uruguaio não está isento das iniquidades de gênero e as mulheres rurais enfrentam diariamente situações nas quais seu trabalho não é valorizado, recebem um tratamento desigual entre as equipes técnicas e suas tarefas são diferenciadas no campo.
Diante dessa realidade social que atinge tanto a cidade como o campo, o Plano Nacional de Gênero nas Políticas Agropecuárias é orientado a “contribuir para maior igualdade no meio rural e incorporar o potencial produtivo das mulheres”, detalha o relatório anual de 2020 da Presidência da República.
As principais desigualdades
São 14 linhas de desigualdade identificadas pelo MGAP. A assimetria no acesso aos recursos produtivos se encontra nos primeiros lugares da lista. Para uma mulher rural acessar recursos para levar em frente uma produção enfrenta um processo mais difícil que o dos homens. Assim também os processos de sucessão e herança apresentam diferenças e se dão com “marcas de gênero”.
A violência baseada em gênero é um ponto que não escapa à lista, e se dá no âmbito rural – igual na cidade – constituindo um dos eixos mais perigosos da desigualdade identificados, já que se trata de uma situação na qual se põe em risco a segurança e a vida da mulher rural.
Diferenças na formação
Quando se trata de projetos e formação das mulheres no campo, foi identificado que existem segregações nos processos de formação agropecuária, nas tarefas de pesquisa e inovação e também inconvenientes administrativos nas tarefas desenvolvidas pelas mulheres.
O tratamento desigual das equipes técnicas de mulheres e homens nas propriedades rurais de trabalho é outro ponto que fica evidente.
Foi identificado como um eixo da desigualdade o desconhecimento das normas de produção e de previdência social, o que acarreta limitações ao usufruto de direitos das trabalhadoras.
Acesso ao mercado de trabalho
A segregação no âmbito profissional para o ingresso no mercado de trabalho também é um ponto de desigualdade, assim como preconceitos de gênero nas normas e projetos das políticas públicas, de requisitos para o trabalho e formulários de acesso.
Dentro dos espaços de trabalho existem diferenciação de tarefas nos estabelecimentos rurais, bem como mensagens e estereótipos que desvalorizam as mulheres e seu trabalho nos espaços de participação coletiva.
Por último foi identificada uma outra situação que revela a desigualdade: as produtoras e gestoras de empresas agropecuárias, não são reconhecidas como tal.
Omissão na identificação das diferenças de gênero
Foi constatado que na maioria dos registros administrativos das instituições agropecuárias não existem as variáveis necessárias para fazer uma análise de gênero.
O processo para identificar diferenças de gênero “é usualmente omitido, e para que seja registrado é preciso um processo extenso e manual de identificação de pessoas através do nome”, diz o documento.
O MGAP destacou que o número de unidades executoras ou institutos, bem como políticas públicas adotadas que levam em consideração a perspectiva de gênero é, relativamente, pequeno”.
















